1 de fevereiro de 2013

SEU CÃO RECUSA COMIDA?

por MV, Paulo Deslandes

A falta de apetite nos cães pode ter uma ligação muito forte com o sentimento de ansiedade, mas também pode ocorrer a partir que o animal agrega uma exigência de paladar mais apurada. A maior causa é quando, ocasionalmente e normalmente, o animal fica relutante em comer a ração, pois aprendeu que se esperar pelo tempo suficiente receberá do tutor um alimento mais palatável. Outra possível causa é que o animal obtém outros tipos de alimentos, que não seja a ração, e supra suas necessidades calóricas diárias. E no momento que for comer a ração já estará satisfeito e a recusa. Cuidado para não ficar ao lado do animal o alimentando, pois o mesmo pode ficar extremamente dependente desse momento, e somente irá se alimentar quando tiver alguém por perto.

O que fazer (dicas):

Primeiramente leve-o à um Médico Veterinário para descartar que a causa da falta de apetite esteja ligada a alguma doença.
- Rotina na alimentação. Divida as porções para 2x, ou 3X, ao dia em horários exatos. Se não comer no primeiro horário, retire-a e tente no segundo, e assim por diante. Não ceda.


- Retire da alimentação qualquer alimento que não seja a própria ração.


- Não deixe de fornecer os exercícios físicos! Pois além de reduzirem a ansiedade obviamente irão aumentar a necessidade calórica e consequentemente aumentará o apetite.

11 de janeiro de 2013

Cães agressivos ou mal compreendidos?

por MV, Paulo Deslandes:

Existem inúmeras possibilidade de um cão atacar uma pessoa, mesmo sendo considerado manso. Adotamos posturas de comportamento que fazem sentido para nós, mas muitas vezes confundem os cães. Por exemplo, uma pessoa estranha olhar diretamente nos olhos dos cães pode ser considerados por eles uma ameaça, e leva-los à um estado de ansiedade que os fazem entrar na defensiva. As pessoas precisam procurar informações seguras de como se comunicarem eficientemente com os caninos para evitar esse tipo de situação.

Os cachorros precisam ser bem sociabilizados positivamente à todos os estímulos do dia a dia (pessoas diferentes, variados objetos, sons, outros animais...), principalmente a partir dos 2 meses de vida até os 4 meses, que é considerado o período ideal para que as experiências positivas com variados estímulos fixem de forma segura. Cães que são acostumados com variados estímulos dificilmente irão atacar alguma pessoa, já que a grande maioria das situações serão familiar e não haverá motivos para entrar em um estado ansioso e defensivo.

As punições verbais e físicas irão piorar esse comportamento, pois temos que lembrar que o estado defensivo é oriundo do medo, e se brigarmos iremos dar mais motivos para que o pobre animal se sinta mais confuso e ansioso com a situação. Se for um comportamento constante é necessário a intervenção de um profissional que não utilize técnicas aversivas e que seja de extrema confiabilidade, ou o probleminha pode se tornar um problemão!

12 de setembro de 2012

Luto nos Cães


Por Dr. Paulo F. de O. Deslandes

Luto é o profundo pesar causado pela morte de alguém, mas será que os cães possuem esse sentimento? Nunca saberemos realmente com 100% de certeza, já que infelizmente, ainda não temos a capacidade de ler a mente de um cão. Porém, temos indicações por analogia a nossos comportamentos, e por modificações comportamentais significativas, que esse sentimento é possível de ser vivenciado por nossos amigos caninos. Para tentarmos compreender um sentimento de perda, primeiramente, temos que entender como os cães formam laços sociais. 

UM POUCO DE TEORIA

Temos dois grupos de teorias interessantes na etologia que estudam a formação de laços sociais em cães: a elementar e a imediata. A elementar é baseada na evolução, e a explicação é que ambos, cães e humanos, somos animais sociais por um simples motivo: esta característica nos traz vantagens para a sobrevivência no mundo. Essa vantagem para nós, nos dias de hoje, pode ser traduzida na “reação explosiva” de endorfinas que nosso corpo libera durante a interação com os cães. Para nossos ancestrais, pode ter sido a cooperação durante a caça em que, posteriormente, foi se desenvolvendo um sentimento real de amizade entre as duas espécies. 
Já a imediata, é a recompensa que certo comportamento nos trás durante essa relação. E podemos enumerar especificamente três: o toque (lambidas, carinho, o simples estar encostado etc.), a celebração quando ambos se encontram, e finalmente o momento, que corresponde à relação positiva do dia a dia.
No entanto, independente da teoria usada para explicar como se formam os laços sociais em cães, é fato que cães e humanos compartilham esse desejo imediato por contato, e talvez essa seja uma das principais explicações que ajudaram a fortificar esse vínculo especificamente entre nossas espécies. Ambos somos beneficiados com essa troca de toques, portanto não é simplesmente uma relação de vantagens ligadas com a alimentação, como muitos ainda pensam. O filósofo grego, Platão, descreve a amizade entre humanos de uma forma que também traduz a relação entre nós e os amigos caninos: “A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.” 

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO DIANTE DA PERDA

Logicamente, se essa troca e a ligação que temos com cães é um fato, tanto de cão para cão como de humano para cão, a perda da outra parte significará uma mudança significativa na vida do outro. Concordam? Há evidências que nos levam a crer que ocorra um processo emocional bastante parecido com o dos humanos nos cães, porém, assim como dito antes, não há meios de verificar o estado emocional específico deles durante tais momentos. Quando há perda de um membro, humano ou não-humano, já foram descritas mudanças significativas no comportamento canino, como: retração social, período de sono aumentado, agitação, aumento de comportamento de busca de atenção, perda de apetite, irritabilidade podendo chegar a uma agressão de fato, micção e defecação em locais antes não utilizados, ansiedade, medo e destruição.

Evidentemente os cães, independente de raça ou porte, possuem personalidades e uma formação social inerente ao ambiente onde vivem. Portanto terão respostas diferentes quanto à perda de um membro no seu círculo social. Por exemplo, se o cão vivia só com um tutor e mais ninguém, a mudança quando seu parceiro morre é muito brusca. Pode ser que esse animal sinta isso de uma forma mais significativa, do que outro cão que seja inserido numa família humana mais numerosa, ou até mesmo com um outro companheiro canino.

ROTINA ABALADA

A rotina tem uma função bastante significativa quando a outra parte do relacionamento vem a falecer, já que ela será quebrada bruscamente. Se o cão dormia sempre encostado com o outro, ou até mesmo na cama com seu tutor, sentirá a perda de uma forma significativa. Se brincavam bastante juntos no dia a dia a perda também será mais sentida. Parecido com a gente, não? Temos o mais famoso caso no Japão, que inclusive virou um filme, onde o cão Hachi-ko, da raça Akita, acompanhava seu tutor rotineiramente, o professor Ueno, à estação de trem de Shibuya toda manhã e então retornava e esperava por ele toda tarde. Um dia o professor não voltou devido a uma morte fulminante, e Hachi-ko ficou durante os 10 anos restantes de sua vida fazendo a mesma rotina de esperar seu tutor na estação. Nesse caso, literaturas especializadas evidenciam que talvez se o cão visse seu tutor morto não ficaria nessa eterna expectativa. Neste caso em especial, podemos até fazer uma comparação conosco. Quantas mães esperançosas procuram seus filhos desaparecidos durantes décadas?

Influenciamos o comportamento dos cães constantemente, e certamente quando os tutores sofrem com a perda de um companheiro canino, ou humano, eles sentem e podem adquirir comportamentos diferentes adaptados ao luto dos tutores.

Felizmente com base nos resultados do estudo ASPCA (The American Society for the Prevention of Cruelty to Animals), a maioria dos cães voltam ao normal após cerca de duas semanas, mas alguns cães podem levar até seis meses para se recuperarem totalmente. Quando a dor da perda começa a diminuir, geralmente, os comportamentos relacionados a ela decaem naturalmente.

Tutores devem ficar atentos aos comportamentos de busca atenção, já que o cão provavelmente irá desenvolver comportamentos diferentes devido a perda, e se for reforçado através de estímulos positivos esse comportamento pode se perpetuar e se tornar um problema para o lar. Por exemplo, um cão que desenvolveu nesse período vocalizações exageradas, e os tutores interpretarem que estão tristes e ficarem ao lado fazendo carinho no animal com intuito de “consolá-lo”, possivelmente mesmo após a fase de luto esse cãozinho irá vocalizar para ser acarinhado.

Para que essa fase não seja tão dolorosa, você levar o cão para passear mais vezes principalmente em locais que ele goste muito. Passeios aprofundam o vínculo entre o tutor e o cão, e tornando a vida do animal mais interessante. Ensinar pequenos truques usando treinamento positivo, criações de brincadeiras juntos, podem ser outra opção de enriquecer a rotina diária. Enriquecimento ambiental com brinquedos próprios para o fim, como os liberadores de petiscos, é uma excelente opção que também irá enriquecer o dia a dia do animal.

20 de junho de 2012

Coleiras enforcadoras


por MV, Paulo Deslandes, Etologia Clínica e Consultoria Comportametal Animal:

Ainda nos dias de hoje é bem comum vermos profissionais utilizando coleiras tipo enforcadoras como material de trabalho, e isso é devido a metodologias mais antigas que se baseavam basicamente nelas para o treinamento. A mesma metodologia que só permitia adestramento para cães acima de 6 meses, as vezes 1 ano, devido a limitações de utilizá-la num animal pequeno.


VIVENDO E APRENDENDO

No início da minha vida profissional cheguei a também utilizar, já que a grande maioria dos cursos e materiais disponíveis na época sempre exigia essa ferramenta. Como trabalho com vidas, procuro sempre me atualizar, e durante minha jornada fui agregando conhecimentos e descobrindo ferramentas e técnicas positivas que me possibilitaram trabalhar sem punir os cães, assim como a coleira tipo enforcadora faz, e logicamente na prática se mostraram muito mais eficientes.


COMO FUNCIONA

A maneira mais tradicional, as coleiras enforcadoras, são utilizadas por adestradores através de puxões que vão de moderados a forte, mas que sejam suficientes para fazer o cão parar o que estavam fazendo no momento. Por exemplo, se um cão começa a farejar e puxar numa caminhada, rapidamente se prepara para dar um puxão rápido, ou fazer uma parada brusca, com intenção que o cão pare de puxar na caminhada.

Com o enforcador, o objetivo principal é que o cão associe a punição do solavanco gerado pelo puxão quando se “comporta mal”. Muitas das vezes alguns adestradores deixam claro que não há necessidade de realizar vários puxões, e sim apenas um que seja suficientemente forte para que o cão lembre que quando repetir tal comportamento, uma correção dolorosa possa ocorrer novamente.


COMO FAZER PARA EVITAR O ENFORCADOR?

Filosofias de treinamento baseadas no reforço positivo, onde o bom comportamento é recompensando (petiscos, carinho e brinquedo), e remoção de atenção para os comportamentos indesejáveis. Metodologias onde não há necessidade de punir o animal não possuem efeitos colaterais como agressividade e medo, por exemplo, que são efeitos encontrados algumas vezes quando foi realizado um treinamento aversivo.


O USO DOS ENFORCADORES PODE CAUSAR ALGUM PROBLEMA?
Não surpreende que um puxão na guia com um enforcador no pescoço pode causar algum problema de saúde. A força exercida pela pressão de um enforcador pode aumentar a pressão intra-ocular e consequentemente levar a um problema posterior. As vias aéreas podem ser lesadas ou exacerbar um problema já existente, como, por exemplo, piorar a tosse de cães propensos ao colapso de traquéia, principalmente Pugs e Bulldogs. Além disso os cães em geral podem desenvolver danos neurológicos quando as correções com os puxões são mais intensas. Um dano, denominado síndrome de Horner, pode resultar em alterações na pupila do olho e do nervo induzindo o cão a mancar com a pata da frente.

Por questões de segurança um cão nunca pode ser deixado sem supervisão utilizando um enforcador, pois o mesmo pode ficar preso em alguma coisa, o animal se desesperar e consequentemente pode ser enforcado.




1 de março de 2012

Procedimentos Estéticos Interferem na Saúde Física e Mental dos Cães?

por Paulo Deslandes, MV, etologia clínica e consultoria comportametal animal:

Podemos partir de perguntas básicas para entender o que está acontecendo com o mercado pet e com tutores de animais: 

1-Meu cão entende o porquê estou submetendo ele ao embelezamento? Estou fazendo isso para me deixar feliz, ou para deixar o cão feliz?

2-Até que ponto todos esses produtos e procedimentos interferem na saúde física e mental do cão?

A resposta a primeira pergunta é não, os cães não compreendem que os tutores os fazem passar por esses procedimentos estéticos. Se não forem muito bem socializados com todos os procedimentos desde a tenra idade, com certeza, todas essas "novidades" podem se tornar uma verdadeira tortura e obviamente ficarão estressados. O estresse faz que o organismo fique debilitado deixando portas abertas para doenças infecciosas. Cães não ficam mais felizes por estarem esteticamente mais belos, e sim os tratando como cães e focando sua rotina no que realmente deixa eles felizes, como uma boa caminhada, interação com outros de sua espécie. 

Pessoas refletem seus valores e impulsos consumistas para os cães. Por exemplo, se levar seu cãozinho para tingir o pelo de rosa está fazendo isso para você, não pra ele. O que te deixa feliz não necessariamente irá deixá-los também. Gostar de cães é compreender como eles são realmente, não humanizá-los, e dessa forma se cria um relacionamento de mão dupla, não de mão única. O banhos semanais, por exemplo, não é recomendado para os cães, já que possuem uma proteção natural em sua pele e pêlos. E logicamente ficam suscetíveis a doenças dermatológicas ao terem essas proteções removidas por banhos e produtos destinados a "embelezá-los" dentro de uma visão humanizada. 

Temos que levar em consideração a sensibilidade do olfato e a identidade olfativa dos cães. Os cachorros possuem cerca de 40 vezes mais células olfativas do que os humanos, portanto o que pra você é um leve perfume pra eles é uma "bomba de odor". O mundo deles é o dos odores, para seu cão você é um odor, e eles interagem com ambiente principalmente com o olfato, portanto quando se usa produtos com fins estéticos no seu cão você faz com que ele perca sua identidade olfativa, podendo inclusive prejudicá-los em seus relacionamentos sociais entres os mesmos de sua espécie.

2 de novembro de 2011

Palestra: Ansiedade de Separação em Cães

Seu cachorro te segue por todos os locais, late muito quando está sozinho, comportamento destrutivo na sua ausência, faz uma "festinha" exagerada assim que você chega em casa? Seu amigo de quatro patas pode está sofrendo de Ansiedade de Separação.

Não deixe de assistir a palestra que proferi na VI Semana Acadêmica Veterinária (26/10/11) - UVV - Vila Velha-ES. O tema foi:

Problemas Comportamentais Caninos: Ansiedade de Separação em Cães.

Por: Dr. Paulo Deslandes - Médico Veterinário atuante em Etologia Clínica e Consultoria em Comportamento Canino e Felino


4 de outubro de 2011

O que dizem os especialistas sobre a Teoria da Dominância nos cães e lobos

Uma ótima compilação sobre as opiniões de especialistas, profissionais e treinadores atualizados sobre a Teoria da Dominância nos cães e nos lobos:


Dr. Ádám Miklósi chefe do Departamento de Etologia na Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste. Líder do Programa de Etologia, mestrado em Biologia e presidente da CompCog.

“ É trabalho dos cientistas convencerem os tutores e treinadores de cães que a perspectiva de dominância submissão entre cães e pessoas está desatualizada e que devem adotar uma nova perspectiva…” - 


John W. S. Bradshaw, Emily J. Blackwell, Rachel A. Casey. Journal of Veterinary Behavior: Clinical Applications and Research, Volume 4, Issue 3, Pages 109-144 (May-June 2009).

“ Longe de serem úteis, os acadêmicos dizem, que métodos de treino baseados na redução de dominância variam entre inúteis a perigosos e muito provavelmente contribuem para o piorar os comportamentos” .



David Appleby, especialista em comportamento na clínica de animais desde 1986. Diretor de variadas clínicas veterinárias e durante 20 anos foi o comportamentalista principal da Escola Veterinária de Queen’s na Universidade de Cambridge onde era também tutor. É membro da Association of Pet Behaviour Counsellors (APBC) e é Certified Clinical Animal Behaviourist (CCAB).

“Os diagnósticos errados são sempre maus e no entanto comportamentos “dominantes” são frequentemente citados para descrever todo o tipo de comportamentos que têm outras causas. Por exemplo, devemos evitar usar a etiqueta de “dominante” para descrever a falta de respostas aos desejos do dono causadas por treinos insuficientes ou inapropriados. Da mesma forma, dominância não deve ser diagnosticada para justificar comportamento defensivo causado pelo medo das intenções do dono. Isto ocorre quando a “punição” é usada numa tentativa de acabar com os comportamentos que os donos não querem.”


Sarah Whittaker - Diploma in Companion Animal Behaviour Therapy (DipCABT), Sara is an accomplished author of articles, a regular monthly guest on BBC radio and has filmed behaviour consultations at RSPCA Woodside for Channel 4’s Pet Rescue. Lecturer at The College of Animal Welfare, Anglia Polytechnic University and Brooksby Melton College.

“ A teoria da dominância nunca foi estudada como forma de explicar os relacionamentos inter espécies e eu não considero o que tenha alguma vez tido essa intenção. Outro ponto é lembrarmos que os cães nunca obtêm uma posição “dominante” na nossa casa, apesar de tudo nós damos-lhes abrigo, comida, água e cuidados médicos – à luz da teoria da dominância isto é algo que eles deveriam fazer por nós se quisessem realmente nos dominar.”


James O’heare Certified Animal Behavior Consultant (CABC), Certified Dog Behavior Consultant (CDBC), and a Professional Animal Behavior Consultant (PABC), author, international speaker, President of The Companion Animal Sciences Institute, Director of The Association of Animal Behavior Professionals, Managing Editor of The Journal of Applied Companion Animal Behavior, and was Co-founder of the International Association for Animal Behavior Consultants. Autor de 10 livros publicados e traduzidos em variadas línguas.

“Recomendo evitar substituir a palavra dominância por liderança ou outro termo semelhante porque estes apenas implicam um relacionamento de perda e ganho e todos estes são simplesmente desnecessários. Não existe necessidade de invocar os termos dominância ou liderança que significam a mesma coisa mas são usados para evitar a conotação de dominação. Muitos pessoas sentem que esta noção é necessária. Pois eu acho que não. Simplesmente treinem o cão. O maior problema em ver os relacionamentos entre pessoas e cães à luz do conceito de dominância social é que implicam e promovem um relacionamento conflituoso entre ambos”.



Stan Rawlinson MTCBPT. MPAACT A.DipCCB .

“Em termos simples, eu não posso ser o alpha de uma matilha. Os cães são animais que apenas formam matilhas com membros da mesma espécie. Cães nascem vivos, por isso reconhecem imediatamente a mãe (através do cheiro e do toque), os cães tal como os humanos nascem cegos e surdos e ao contrários dos pássaros não formam laços e agarram-se à primeira coisa que veêm quando nascem.”



Raymond Coppinger, Biólogo, Professor de Biologia na School of Cognitive Science at Massachusetts, treinador e criador de cães e Lorna Coppinger co-fundadora (com Ray) do Livestock Guarding Dog Project em 1977, graduada na universidade da Eslováquia e mestrado em biologia pela universidade de Massachussets. Autores do livro citado em inúmeros estudos científicos “Dogs: A New Understanding of Canine Origin, Behavior and Evolution” 

“ O lobo erradamente denominado alpha não está tentando ensinar a matilha nada de especial, muito menos um senta. O motivo pelo qual tantos acreditam nesta ideia da matilha e a usam no treino e relacionamento com os cães é um verdadeiro testamento do quão tão pouco se sabe acerca do desenvolvimento comportamental canino.”


Barry Eaton Advanced Diploma in Companion Animal Behaviour and Training (COAPE OCN) Adv. Cert. in 'Think Ethology' (COAPE OCN) by Prof Ray & Lorna Coppinger MSc. Membro afiliado do COAPE autor de variados livros, tutor no Animal Care College.

A comparações entre comportamento dos cães e de lobo são enganosas. Embora o cão evoluiu a partir do lobo, o lobo mudou muito pouco. O humano, por outro lado, têm produzido raças de todas as formas e tamanhos. Temos raças com cores diferentes do pelo, pelagem de comprimento variado. Temos cães com tamanhos diversos, cauda e posições da orelha diferentes. Temos cães criados para ajudar o homem para a guarda, busca, pastoreio, puxar trenós e etc. O cérebro do cão mudou, é menor do que de um lobo. Ele tem uma conformação diferente, diferentes padrões e motivações. Um cão não é um lobo em pele de cão, ele é simplesmente um cão.”


Dra Sophia Yin, Veterinária mestrada em comportamento animal. Directora executiva da American Veterinary Society of Animal Behavior, the American Association of Feline Practitioners (AAFP) Handling Guidelines Committee, and the American Humane Association (AHA) Animal Behavior and Training Advisory Committee.

Lobos em estado selvagem, geralmente, não ganham uma classificação hierárquica elevada lutando. Ao invés de um macho alpha e fêmea alpha a alcateia é composta por uma unidade familiar dos pais e da prole. Os pais tornam-se naturalmenteos líderes, e os filhotes naturalmente seguem o seu exemplo. Como resultado desta estrutura na alcateia sendo descoberta, os biólogos que estudam os lobos já não usam o termo alpha.”


Kathy Sdao, Certified Applied Animal Behaviorist (CAAB), autora de livros, convidada para Clicker Expo de Karen Pryor, treinadora de variados animais tais como golfinhos, orcas, cães gatos e ratos. Autora e tutora em diversos colégios nos EUA.

“Apesar dos estudos provando o contrário, ainda há muitas pessoas acreditando que cães formam hierarquias lineares de alfa (dominante) e (submissos). Muitos treinadores tem se baseado nesse sistema de crença, argumentando que você pode resolver os problemas de comportamento em seu cão somente quando você tiver estabelecido a liderança fazendo o papel de Alpha na "matilha" (humanos e cães) formada em sua casa ... não há nenhuma evidência para sugerir que cães percebem seres humanos como parte de sua classificação específica da espécie. Em geral, os seres humanos não possuem a capacidade de reconhecer ou imitar as sutilezas da linguagem corporal canina. Por isso é difícil imaginar que os cães nos classificam como membros de sua matilha.”



David Mech – Biólogo autoridade máxima no estudo do comportamento de lobos, efetuou uma observação do comportamento de lobos no seu ambiente natural por mais de 25 anos.

Neste vídeo ele explica como o termo alpha está desatualizado e que os lobos não relacionam dessa forma. Ele também explica que não se trata de um problema de léxico ou nomenclatura:



11 de agosto de 2011

Teoria da Dominância entre os cães. Mito?

Por Dr. Paulo Fernando Deslandes

Assistimos programas de TV, lemos livros e escutamos de alguns "profissionais" em comportamento canino a seguinte afirmação: Você precisa ser o líder do seu cão! Seu cão está te dominando! Até onde isso é verdade? Será que a comunidade canina vive dentro de regras sociais baseadas numa hierarquia simplesmente, onde um macho e uma fêmea exclusivamente lideram seus súditos? Estudos recentes tem demonstrado que não é bem assim. 

A teoria da dominância entre os cães surgiu há décadas atrás tendo como modelo um estudo feito através da observação de uma alcatéia de lobos em cativeiro. Em comportamento animal, a dominância é definida como uma relação entre os indivíduos, conquistada através da agressão, força e submissão, a fim de estabelecer prioridade de acesso a todos os recursos desejados (comida, o sexo oposto, pontos de descanso prediletos, etc.). Essa teoria, entre os lobos, já está sendo atualizada e estudos atuais já apontam que não é bem assim, há muito mais flexibilidade do que simplesmente regras rígidas.


Nova visão de uma sociedade de lobos

O biólogo David Mech, um dos maiores estudiosos de lobos do mundo, afirma que estudos anteriores que registram o sistema de hierarquia dentro de uma alcatéia foram baseados em comportamento de lobos em cativeiro. Ou seja, isso seria como estudar uma estrutura familiar humana dentro de um campo de refugiados. Em meados do início do século XXI, os lobos selvagens foram observados de maneira diferente, e possuem uma vida muito mais igualitária do que podemos imaginar. Mech e outros biólogos, através de técnicas atuais, puderam observar e estudar alcatéias na natureza durante algumas gerações, e tais observações e estudos resultaram na modificação da velha forma hierarquizada na sociedade lupina. Comportamentos de compartilhamento de liderança foram observados entre lobos e lobas alfas em situações como onde e o que caçar, para onde ir, etc. Douglas Smith, diretor do projeto de lobos do Parque Yellowstone nos EUA., fala que situações habituais em cativeiro do lobo alfa comendo primeiro e o beta depois nunca foi flagrado na natureza. Justamente ao contrário, as situações registradas já flagraram nove lobos comendo uma caça enquanto o macho alfa dormia por perto, e em outra situação uma fêmea alfa tendo que forçar caminho entre os filhotes para conseguir comer o animal abatido. Outro comportamento que se destaca é que quando uma alcatéia possui lobos que já não são completamente subordinados aos pais, eles podem entrar em conflito com a decisão do alfa, e assim, seguirem caminhos diferentes, sem serem punidos por isso. David Mech comenta que os lobos alfas e lobas alfas dominam os jovens lobos, assim como acontece na sociedade humana com nossos filhos pequenos, mas isso não é um relacionamento estático. Quando amadurecem tomam caminhos diferentes e quando procriam tornam-se automaticamente alfas de sua ninhada. Pesquisadores atuais já reconhecem que uma sociedade lupina tem uma dinâmica bastante complexa e mutante, e já descartam a teoria da dominância de um animal dominando todos seus subordinados pura e simplesmente.


Cães não são lobos

Com tantos cães por aí não seria mais sensato os estudarmos ao invés de nos basearmos em comportamentos de lobos? Lobos e cães possuem uma proximidade genética enorme, mas quanto a possuírem comportamentos iguais há controvérsias. Possuem histórias naturais diferentes, os lobos desenvolveram uma complexidade imensa de estratégias de caça para sobreviverem, já os cães enxergaram vantagem em viverem juntos às aldeias de nossos ancestrais comendo o lixo, os restos de alimentos, que desde tempos remotos sempre deixávamos para trás. Assim iniciou o processo de domesticação, e esse fato causou modificações que nos impedem de compará-los aos lobos principalmente em aspectos comportamentais.


“Liderar” com inteligência: é a solução!

 Liderança é a habilidade de motivar e influenciar os liderados, de forma ética e positiva, para que contribuam voluntariamente e com entusiasmo para alcançarem os objetivos de uma equipe. Definição perfeita do que é um treinamento positivo num relacionamento com o cão. Ensinar o animal a, por exemplo, sentar-se antes de se alimentar e ao pegar um brinquedo é uma forma pacífica do cão compreender que a disciplina e auto controle é possível através de um estímulo positivo na relação humano e canina.

A dominância existe entre os cães e é usada irresponsavelmente como explicação para todas coisas e principalmente para qualquer tipo de agressão, mas é uma característica raríssima, a agressão canina normalmente está associada a insegurança e medo. Portanto cuidado.

Quando o cão lhe desobedece não quer dizer que ele está querendo te dominar e assim conquistar uma posição superior, há uma necessidade maior de estudar o comportamento e chegar a conclusões mais detalhadas. Ou você acha que seu cão está querendo dominar seu lar e sua família? Ele depende de você para comer, beber água que são necessidades básicas e vitais para vida, difícil acreditar em dominância nesse caso. Portanto não ache que seu cãozinho é um lobinho e você terá que imitar o comportamento de lobo para dominá-los. Não há embasamento científico algum nessa afirmação. A ciência nos mostra atualmente que isso é um equívoco que pode nos levar à frustração e inclusive a riscos de acidentes por mordedura.


Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

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1 de agosto de 2011

Rolamento Alpha - Vídeo

Dando continuação ao artigo publicado anteriormente http://artigoscao.blogspot.com/2011/07/devo-fazer-o-rolamento-alpha-no-meu-cao.html sobre se deve-se ou não executar o rolamento alpha em um cão.

"O rolamento alpha ficou famoso como forma de limitar os cães, e é amplamente divulgado em um famoso programa de TV. Consiste em forçar o cão a ficar com o dorso no chão e consequentemente com a barriga para cima. A função disso seria a de deixar claro para o cachorro que você o domina num sistema rígido de hierarquia, e assim o animal lhe enxergaria como o dominante na relação."

Cheguei a esse vídeo por indicação de uma página no Facebook, http://goo.gl/LNxND, onde em Baltimore, E.U.A., aparentemente um policial "treinador" de cães, tenta de todas as formas executar o rolamento alpha em um cão como forma de punição e assim demonstrar sua "superioridade hierárquica" para o pobre do cachorro.


Para maiores informações sobre essa "técnica" extremamente desatualizada e violenta, por favor, leia esse outro artigo: http://artigoscao.blogspot.com/2011/07/devo-fazer-o-rolamento-alpha-no-meu-cao.html


Dr. Paulo F. de O. Deslandes
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31 de julho de 2011

Reflexão I

Trecho retirado do livro: Lições de uma cachorro livre-pensante - Ted Kerasote:


..." Nosso controle sobre entrar e sair, comer, sobre água, eliminação e lazer - reduzimos nossos os cachorros a um estado de rendição silenciosa, uma versão mais branda de síndrome de Estocolmo, que recebeu esse nome pelo assalto a banco em Normalmstorg de 1973, durante o qual dois ex-prisioneiros mantiveram quatro bancários reféns por cinco dias. As vítimas ficaram emocionalmente ligadas a seus captores, e subconsequentemente os defenderam depois de serem liberadas. Duas das mulheres chegaram a ficar noivas de dois dos ladrões.

Esse incidente provocou muita pesquisa social para descobrir se a reação dos reféns foi um acidente aleatório e inesperado ou um exemplo de condição social difusa. Esta última provou ser a hipótese certa, e as características de síndrome - um indivíduo poderoso forçando um preso à submissão, e até a demonstração de afeto. Foram identificadas em casos de crianças dependentes, de esposas que sofrem violência doméstica, prostitutas, prisioneiros de guerra e vítimas de sequestros de aviões.

Obviamente, a maioria dos tutores de cães não pretendem maltratar seus animais, pelo contrário. Se os 15 bilhões de doláres que americanos gastaram apenas com alimentos para cachorro em 2004 servem como indicação, a maior parte deles faz o melhor para proporcionar vidas felizes de saudáveis a seus animais. Todavia, é difícil não concordar que virtualmente todos os cachorros são presos. De fato, as atividades que apreciam - passear, ver outros cães, e explorar odores interessantes - são constantemente frustradas pelas exigências da civilização moderna e por métodos de treinamento desenvolvidos para criar o que os treinadores de cães, repetindo a palavra de muitos outros, chamam de: inversão de milhões de anos de evolução e propensão genética. Assim, a lealdade que as pessoas recebem dos seus cães é verdadeira ou é entorpecida de presos aos seus captores?..."

Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

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25 de julho de 2011

Devo fazer o "rolamento alpha" no meu cão? Não!


Por Dr. Paulo Fernando Deslandes:

O rolamento alpha ficou famoso como forma de limitar os cães, e é amplamente divulgado em um programa de TV. Consiste em forçar o cão a ficar com o dorso no chão e consequentemente com a barriga para cima. A função disso seria a de deixar claro para o cachorro que você o domina num sistema rígido de hierarquia, e assim o animal lhe enxergaria como o dominante na relação. Há indicações que lobos selvagens fariam isso nas alcateias para deixar claro aos submissos que o mesmo é o dominante, mas hoje em dia há bastante controvérsia em relação a isso, principalmente se tratando de cães. A teoria da dominância está desatualizada, e em breve trataremos desse assunto nesse blog.

Se você não consegue executar o “rolamento alpha“ no seu cão, não se preocupe, pois não tem utilidade alguma no relacionamento cão e humano. Se você tem um cachorro e acha que ganharia “respeito” e reconhecimento por ser o dominante na relação executando o rolamento alpha, estudos atuais demonstram que a consequência disso seria desconfiança e medo por parte do cão. 

Na grande maioria dos casos, no dia a dia, as pessoas influenciadas na sua maioria pela mídia, pensam que forçando o cão a se deitar no chão, rolamento alfa, é o procedimento adequado após o animal apresentar agressividade e dessa maneira colocar o cachorro “no seu devido lugar”. 

Quando o cão é agressivo, de início normalmente avisa rosnando. E isso quer dizer que ele está desconfiado e desconfortável com alguma situação, quando o tutor entra com algum tipo de punição física nesse momento as suspeitas do cão são confirmadas e a desconfiança se torna maior ainda. 

Quando você “luta” com seu cão para executar o rolamento alpha existem caminhos que esse processo pode levar. O primeiro é que realmente você é mais forte que seu cão e ele vai desistir de lutar, mas com desconfiança, medo e ressentimentos. E o outro caminho é o cão recuar e ficar na defensiva entrando num estado de “matar ou morrer” e aí as pessoas podem se machucar seriamente.

Ambos os caminhos resultam em cenários de um cão com problemas de confiança. E como todos nós devemos saber, a confiança é a base de todo relacionamento saudável. 

Quando um cão rosnar se mostrando agressivo é melhor prestar atenção à advertência e recuar. Encontre uma distração para acalmar os ânimos e com segurança colocar o cão em um lugar seguro. Em seguida analise a situação com calma para saber com exatidão o que realmente aconteceu. 

Procure o porquê que o seu cão se sentiu ameaçado com sua presença, para que depois possa trabalhar de forma segura e evitar que o animal se sinta ameaçado novamente. Na grande maioria das vezes a agressividade está ligada a objetos ou locais. E tudo isso poderia ser evitado com um treinamento baseado em reforço positivo feito anteriormente. 

Sempre bom lembrar que violência gera mais violência.

Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

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9 de julho de 2011

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Tudo sobre comportamento canino agora também no Facebook. Entrem na página e curtam para acompanharem uma proposta de conscientização dos tutores de cães através do conhecimento.


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28 de junho de 2011

Cães e seus 5 sentidos

Por Dr. Paulo Fernando Deslandes

Nós, seres humanos, somos animais desprovidos de sentidos tão aguçados se comparando com outros animais. E isso nos limita a compreender, e até mesmo estudar, sentidos mais desenvolvidos e tão incompreendidos até os dias de hoje. Os sentidos caninos são os mesmos que os nossos, ou seja, eles são dotados de visão, paladar, olfato, audição e o tato. No entanto, a percepção dos cães nas diferentes funções de seus sentidos, não se assemelha aos dos seres humanos. O desenvolvimento dos sentidos destes animais está diretamente relacionado às suas heranças ancestrais. Vamos conhecer detalhadamente cada um deles?


Visão: essencialmente predatória

Por mais incrível que possa parecer, a visão no cão não é necessariamente tão importante quanto ela é para nós, pois nos cães elas suprem necessidades relativas à predação. No entanto, a visão noturna dos cães é muito melhor que a nossa. Isto acontece, pois suas células da retina têm a capacidade de concentrar mais informações luminosas que as nossas. A ótima visão crepuscular dos cães, representa uma adaptação do animal à caçada noturna, um dos hábitos herdados por seus ancestrais. 

Os cães também possuem menor capacidade de focalizar do que homem, o que indica uma tendência a terem hipermetropia, mas não interferem em nada na sua função principal que é de perceber presas em movimento. Além disso, cães têm a habilidade de perceber muito bem os movimentos à distância, embora distingam mal objetos fixos distantes, fenômeno que também se caracteriza a uma adaptação a caça a olho nu. 

Ao contrário do que muitos tutores pensam, a maioria dos cães não conseguem assistir televisão. Mesmo que o som e algum reconhecimento de formas por sua visão deficiente, se comparada ao ponto de vista humano, possam atraí-los de alguma forma. Estudos indicam que as oscilações de luz geradas pela televisão são demasiadamente lentas para se manter uma imagem completa para um cão. Já quando o assunto é a capacidade do cão em enxergar cores, existem trabalhos que apontam esta possibilidade, mas sua função no dia a dia ainda é assunto de debate. Confira artigo de outro especialista sobre o tema a seguir. 

Como sabemos, existem diferenças de visão entre as raças. O motivo? O ângulo de visão de um cão é adaptado em função ao trabalho que foi, supostamente, proporcionado ao animal. Por exemplo, cães de rebanho, como, por exemplo, o border collie, o old english sheepdog, o pastor de sheatland e, claro, o pastor alemão, precisam de um campo de visão largo. Já os cães de caça, como os sabujos, terriers e os hounds, por exemplo, são dotados de um campo de visão binocular restrito e direcionado. Sendo assim, seus olhos se posicionam na parte anterior da cabeça.


Paladar: sentido olfativo

Já no sentido da gustação nos cães, há evidências que seja semelhante ao nosso. No entanto, há indícios que a palatabilidade seja bem diferente. Na verdade os cães antes de provar eles cheiram primeiro, e muito, e isso sim é importante para avaliar o alimento numa visão canina. Ou seja, o paladar dos cães está diretamente ligado à olfação. O “gosto” dos cães se dá pelas papilas gustativas presentes nas mucosas da língua, do palato e da faringe. Se comparados aos nossos “captadores de sabor”, a capacidade do cão em sentir o gosto de um alimento é doze vezes menor que a nossa. Como as senção gustativas dos cães são bem enfraquecidas, ele pode consumir o mesmo alimento todos os dias, isto é, se tiver vontade. Cabe ao dono habituar seu animal com o mesmo tipo de alimentação, bem como impedir que ingira alimentos estragados ou substâncias que podem prejudicar sua saúde.


Olfato: o sentido número 1

Agora o olfato... este sim é primordial para os cães. E a compreensão desse sentido para nós tem sido bastante difícil, já que nossas capacidades olfativas são deploráveis em relação às deles. Esse sentido é tão desenvolvido que nos tem auxiliado a bastante tempo. Cães são treinados para rastreio, detecção de drogas, localizações de vítimas soterradas, etc. A capacidade destes animais em identificar pessoas, em média, tem uma precisão de aproximadamente 75% de acerto. Esta “eficácia farejadora” dos cães se explica facilmente se compararmos com a nossa quantidade de células olfativas, cerca de 5 milhões, com a de um cão da raça basset hound, por exemplo, em que encontramos cerca de 125 milhões de células olfativas ou num pastor alemão que possui cerca de 200 milhões, ou seja, 40 vezes mais que no ser humano. Além disso, a superfície do receptor olfativo (ou células olfativas) que nos cães mede, em geral, 150cm², no homem esta superfície cai para 3cm². Claro que cada raça possui diferenças anatômicas que lhes conferem maior ou menor capacidade olfativa. Outra curiosidade é que cães farejadores, possuem as orelhas ‘ caídas’, como os beagle, por exemplo. Esta característica auxilia o cão no maior desenvolvimento do olfato, já que as orelhas impedem que o cão se concentre mais no farejar e não seja tão influenciado por outros ruídos. 

Assim, este sentido é importante tanto na caça, quanto para a comunicação interespecífica, o reconhecimento de algo e para indicar suas preferências alimentares, pois o cheirinho do alimento não agradar...com certeza ele não comerá!


Audição: alta sensibilidade

Amigos caninos ouvem sons quatro vezes mais distantes do que nós, além de ouvirem ultra-sons de até 60 KHz (quilohertz), inaudíveis para os homens, pois só escutamos até 20 KHz. Ao contrário da visão, a audição do cão é muito desenvolvida, fazendo com que perceba vibrações sonoras de altíssima frequência, que nosso ouvido humano não capta, além de ter a capacidade de diferenciar sons diversos, como por exemplo, identificar o ruído do automóvel do seu tutor entre outros veículos semelhantes. 

Caçadores que trazem cães em sua investida, possuem apitos especiais que emitem ultra-sons em que só os cães ouvem. Assim, conseguem trazê-los de volta sem assustar a caça com o som da voz humana. O cão também é capaz de discernir e reconhecer facilmente a voz e as palavras pronunciadas por seu dono, mesmo que leve em conta gestos e o seu tom de voz. Assim, quando chamar seu cão e ele não vier, significa que, ou está com problema de audição, ou o danado percebeu que seu tom de voz não está dos melhores e prefere nem aparecer!

Tato e sensibilidade: importância dos “bigodes”

O tato é primeiro sentido usado pelo cão ao nascer, junto com o olfato. Ele o coloca em relação com o mundo logo após o nascimento, já que os filhotes, ainda com os olhinhos fechados, se guiam através de sensações táteis até os mamilos da mãe. Aliás, o desenvolvimento do tato nesta fase da vida do cão é importante para protegê-lo, pois o contato físico de sua mãe proporciona um efeito tranquilizador para o filhote. 

O tato também é responsável pela sensibilidade do cão e sua orientação que se dá, principalmente, através de suas vibrícias, vulgarmente conhecidas como bigodes, que funcionam como um “radar”, principalmente quando se encontram em locais confinados e de baixa luminosidade, pois agem como orientadores espaciais para o cão. São seus bigodes que detectam os estímulos externos, informando o cão o que se passa nas imediações onde ele se encontra. 

Já as sensações térmicas, tácteis e dolorosas percebidas pela pele, são possíveis graças às terminações nervosas, distribuídas de forma irregular por todo o corpo, e que se formam como uma rede densa ligada à medula espinhal e ao cérebro do animal. Nos cães, as sensações de frio são mais intensas que as de calor e o animal reage de forma diferente para cada sensação. Como a pelagem é uma forma de regular sua temperatura, cuidado para não tosar seu animal durante o inverno, ele precisa desta proteção. 

Na base dos pelos, os cães apresentam o mesmo tipo de rede nervosa. No entanto, nem todos os pelos possuem a mesma sensibilidade. Ou seja, as vibrícias, os pelos longos do focinho, dos supercílios e do queixo, por exemplo, são regiões bem sensíveis, pois possuem terminações nervosas. 


Sexto sentido: ele existe?

Muitos donos de pet se questionam sobre a presença de uma sensibilidade a mais nos animais, o famoso sexto sentido. Uns acreditam que o animal sente a presença do sobrenatural ou percebe quando estamos passando por uma fase difícil, tudo atrelado ao mito do sexto sentido. E os “causos” deste tipo de experiência são incontáveis! Mesmo que este assunto ainda seja delicado e contraditório entre pesquisadores e amantes dos animais, alguns destes mistérios não são tão misteriosos assim. Mas isto já é papo para outro artigo! Aguardem as próximas edições.

Artigo publicado nas revista: Pequenos Cães - Grandes Amigos - edição 36 - jun/jul


Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

17 de junho de 2011

Crianças e cães

Saibam tomar decisões corretas ao escolherem trazer um cão para seus lares com a intenção de ser companheiro dos seus filhos. Raça ideal? Temperamento? Porte? Cuidados? Saibam mais lendo o artigo.

por Paulo Deslandes:

Observo a bastante tempo pessoas que tomam decisões erradas ao trazerem pra casa um cão, bem intencionadas na maioria das vezes, mas assim que o animal começa a causar qualquer tipo de problema não buscam auxílio. E logo pensam que doar, ou, infelizmente, abandonar o cão é a solução correta para se livrarem do "problema". 

Creio que umas das principais causas da desistência de uma família em conviver com um cachorro é a chegada de uma criança no lar, que se não houver uma preparação, conhecimentos e principalmente paciência pode se tornar um transtorno. Espero que esse artigo sirva como alerta para as famílias não tomarem decisões precipitadas ao trazerem um cão para o lar, e posteriormente se arrependerem cometendo ações prejudiciais ao bem-estar do animal. As vezes a melhor decisão é não ter um cão em casa.


INFORMAÇÃO IMPORTANTE PARA OS PAIS

Viver com um cão pode ser benéfico para as crianças. Os cães podem melhorar a auto-estima, ensiná-las a serem responsáveis e ajudá-las a compreender a empatia. No entanto, as crianças e os cães, nem sempre podem ter um relacionamento maravilhoso de forma espontânea. Os pais devem estar dispostos a ensinar ao cão e a criança limites aceitáveis de comportamento, com o objetivo de tornar as interações agradáveis e seguras.


Selecionando um cão 

Que idade é a melhor? Muitas pessoas têm uma imagem distorcida de um filhote e uma criança crescendo juntos. Se você tem uma criança e está pensando em adotar um filhote (menos de 1 ano de idade), há algumas coisas que precisa considerar:


Tempo e energia

Filhotes requerem uma grande quantidade de tempo, paciência, treinamento e supervisão. Eles também exigem socialização para se tornarem cães adultos bem ajustados. Isso significa que precisam ser apresentados e expostos a estímulos variados, como locais, objetos e pessoas diferentes. Se você tem uma criança que já exige uma grande quantidade de cuidado e tempo, será que terá tempo suficiente para cuidar de um cachorro?


Segurança

Os filhotes são criaturas frágeis. Um cãozinho pode ficar assustado, ou mesmo ferido por uma criança curiosa, mesmo que bem intencionada, que quer sempre abraçá-lo e explorar seu corpo, puxando o rabo ou as orelhas por exemplo. 


Brincadeira Violenta

Os filhotes têm dentes e garras afiadas com as quais podem, inadvertidamente, machucar uma criança pequena. Também tendem a pular em cima das crianças pequenas e derrubá-las. Todas as interações entre o cão e a criança terá que ser supervisionados de perto, a fim de minimizar as chances de lesões. 


Vantagens de ter um cão adulto

Os cães adultos necessitam de menos tempo e atenção, uma vez que tenham se adaptado a sua família e a rotina domiciliar, mas você ainda precisa de tempo ajudando o novo cão com a transição para seu novo lar.

Pode avaliar melhor o quanto será tolerante a energia imensa de uma criança, já podendo observar essa característica no abrigo antes de adotar um cão definitivamente, se houver histórico de cães que tenham previamente convivido com crianças melhor ainda.

Como regra geral, se seu filho está abaixo dos 6 anos de idade, é melhor adotar um cão que tenha mais de 2 anos. Mesmo os filhotes sendo mais divertidos, e os pais adorarem observar a criança e o cão crescerem juntos como amigos maravilhosos, eles exigem muito mais tempo para ensinar e supervisionar do que um cão adulto. 

Que raça é melhor?

  • Tamanho
Raças pequenas como poodles toy ou chihuahuas, podem não ser boas opções para uma criança pequena. Estes cães são frágeis e podem ser facilmente feridos ao serem manipulados. Também tendem a serem mais facilmente assustados por uma série de atividades e barulhos. Cães assustados e medrosos mordem a fim de se protegerem. Cães maiores e mais resistentes, como pugs ou beagles, muitas vezes são capazes de tolerar agitação, barulhos e brincadeiras mais duras que são normais e inevitáveis nas crianças.

  • Tipos de Raça
Algumas das raças desportivas, como labradores e golden retrievers, podem ser bons animais de estimação para famílias com crianças. As raças que foram selecionadas para proteção e guarda, como chows-chows e rottweilers, geralmente não são recomendadas. Às vezes é difícil para este tipo de cão tolerar confortavelmente a agitação das crianças e seus amigos brincando, e podem confundi-los com intrusos no território. 

Raças de pastoreio, como o border collies e pastores, são inclinados a perseguir as crianças, por vezes, “beliscando” seus calcanhares. 


Temperamento 

Apesar de generalizações poderem ser feitas, com alguma cautela, sobre as raças específicas, é muito importante considerar o temperamento individual de cada animal. A personalidade de um cão é formada por experiências passadas e genética.


Quem vai cuidar do cachorro?

É irreal esperar que uma criança, independentemente da idade, terá responsabilidade de cuidar de um cão. Os cães precisam de coisas básicas como comida, água e abrigo, mas eles também precisam de interações rotineiras, com exercícios e treinamentos consistentes. Ensinar um cão as regras da casa e ajudá-lo a tornar-se um bom companheiro é muita responsabilidade para uma criança. Enquanto os adolescentes podem ser responsáveis ao executar tal tarefa, mas também podem não estar dispostos a gastar uma quantidade adequada de tempo com um cão, já que seu desejo de estar com os amigos geralmente assume bastante importância nessa faixa etária. Se você adotar um cão "para as crianças", você deve estar preparado e disposto a ser o principal responsável em cuidar do animal. 


Bom começo

Abaixo estão algumas diretrizes para ajudar você a começar com o pé direito. Lembre-se que as crianças nunca devem ser deixadas sozinhas com um cão adulto ou um filhote sem a supervisão de adultos: 

  • É mais seguro tanto para a criança quanto para o cachorro, que se seu filho esteja sempre sentado quando quiser colocar o filhote no colo. Os filhotes são difíceis de segurar devido ao alto grau de agitação, e ao se movimentarem inconsequentemente podem facilmente cair dos braços de uma criança e se machucarem. Com isso o filhote pode ficar assustado e da próxima vez tentar se defender quando houver tentativa de pegá-lo no colo.
  • Sempre que seu filho for acariciar o cão ofereça um brinquedo apropriado para o filhote mastigar. Filhotes na fase de desenvolvimento dentário tendem a mastigar tudo, inclusive mãos e braços, quando se oferece um brinquedo a tendência é que desvie a atenção para o objeto e não para seu filho. Um benefício adicional é que o cachorro associará experiências positivas ao ser manipulado pelas crianças.
  • Para cães maiores, o seu filho pode sentar em seu colo e dessa forma pode controlar melhor o seu filho assim não permitindo que ele se empolgue com os mimos mais incisivos. Você também terá a oportunidade de ensinar o cão novo a tratar seu filho com suavidade.

Aprendendo a dar carinho

Crianças querem frequentemente abraçar os cães ao redor do pescoço, e esse gesto pode ser interpretado como uma ameaça, e ao invés de responder afetuosamente o cão pode reagir com um rosnado, ou até mesmo uma mordida. Deve ensinar a criança a fazer carinho no cão de baixo do queixo em vez de abraçá-lo. Também deve ensinar a seu filho a evitar olhar diretamente nos olhos dos cães, pois isso pode também ser interpretado como ameça pelo animal.


Supervisionar as brincadeiras

 Crianças correm o tempo todo, movimentam-se bastante e possuem vozes de alta-frequência. Essas ações são altamente provocadoras para um cachorro. E devido a esses fatores o seu cão pode reagir perseguindo ou pulando sobre o seu filho, e consequentemente causar um acidente.

Incentive seu filho a brincar tranquilamente perto do novo cão até que ambos se sintam mais confortáveis um com o outro. O cão também precisa saber quais comportamentos são adequados e quais não são, e para isso é indicado auxílio profissional quando não se tem conhecimento suficiente para lidar com essa situação. Um comando de “solta”, por exemplo, pode ser bastante útil quando as brincadeiras ficam mais incisivas.

Punir o seu cão por se comportar inadequadamente não vai ajudar. Existe uma grande chance de ele perceber, que sempre acontece “coisas ruins” quando têm crianças por perto, e pode adotar uma postura defensiva em relação a seu filho.


Brinquedos

Seu cão não sabe a diferença entre os brinquedos que podem brincar e os brinquedos de seu filho até que você possa ensiná-lo.

Seu filho deve assumir a responsabilidade de manter seus brinquedos fora de alcance do cão. 

Não dê objetos pessoais (meias, sapatos velhos, roupas...) para seu cão brincar, pois pode causar confusão no animal do que pode e o que não pode brincar.
Os cães podem não dircenir os brinquedos das crianças que se assemelham itens que são permitidos brincarem. 


Cachorros podem ser possessivos com a comida, brinquedos e espaço. Embora seja normal alguns cães a rosnarem e serem agressivos para proteger estes itens, não é aceitável. Ao mesmo tempo as crianças precisam aprender a respeitar seu cão como ser vivo que possuem atitudes peculiares e as vezes precisam de tempo para eles mesmos.

Se seu cão for agressivo e rosnar para seu filho, por qualquer motivo, essa situação precisa de atenção imediata. Puni-lo nessas situações é bem provável que piore as coisas. Por favor, não deixe de procurar auxílio profissional, e busque informações sobre o tipo de metodologia que o mesmo utiliza, já que técnicas baseadas em punição tendem a piorar o problema.


Fonte: AVSAB

5 de junho de 2011

Caminhar com os Cães: Porque isso pode fazer a diferença.

Por Debra Horwitz, Médica Veterinária, DVM, consultora em comportamento animal, St. Louis, Missouri.


Traduzido e adaptado por Paulo Deslandes.




Exercícios e estímulos mentais são importantes para os cães. Como posso convencer os tutores que levar seu cão para uma caminhada é uma boa idéia?


Proporcionar exercício e estímulo mental para os animais de estimação são extremamente importantes e nada faz melhor esse trabalho do que uma boa caminhada. A maioria das raças de cães possuem características projetadas para uma finalidade específica, que poderia mantê-los engajados (por exemplo, cães esportistas, cães de trabalho). No entanto, cães domésticos sem a oportunidade de exercer esses papéis geralmente não se exercitam, podem possuir acesso a um quintal, que normalmente fornece os mesmos aromas e estímulos entediantes dia após dia.

Geralmente as pessoas passeiam com seus cães por 4 razões: 

1. Para o animal defecar e urinar.
2. Estimulação mental.
3. Exercício para os cães.
4. Exercício para as elas mesmas e levam o cão junto.



Bom começo


O tempo para "passear" é a primeira discussão quando se tem um filhote de cão. Antes de levar um filhote para o seu primeiro passeio, ele precisa ser vacinado contra as doenças transmissíveis. Depois de devidamente protegidos, o proprietário pode começar a levar o cachorro para fora de casa (por exemplo, caminhadas e aulas de treinamento).

Certifique-se que o cachorro é microchipado (realidade mais evidente nos E.U.A), que esteja com uma coleira de identificação e uma guia apropriada para melhor controle do animal. Evite enforcadores nos filhotes e guias extensíveis.

No início a preocupação é fazer o cão aceitar a coleira, o passeio portanto pode ser curto para que nem o tutor e nem o cachorro fiquem frustrados ou cansados. O tempo pode pode variar de 5 a 15 minutos, dependendo do cachorro. Passeios ajudam na socialização precoce, controle de tarefas para aprendizagem básica, permite a exploração do ambiente pelo animal e exercícios físico.



Cumprindo as Necessidades de cada cão


Um cão precisa de um local adequado para defecar e urinar, e que os tutores recolham as fezes que forem feitas durante os passeios externos.

Além disso, um cão, muitas vezes aproveita a possibilidade de farejar e investigar o meio ambiente:

  • Alguns cães são capazes de farejar e continuar caminhando, outros podem querer passar mais tempo investigando e, talvez, a marcar com a urina os outros cheiros interessantes que encontram.
  • Um estudo observou que fora da guia os cães farejam por períodos mais longos, quando comparado com cães andando com uma coleira. Naturalmente, o significado não é claro, mas talvez isso tenha a ver com a capacidade de farejar sem interrupções.
  • Dar ao cão a oportunidade para cheirar e marcar com urina em cada caminhada é uma boa idéia.

Em relação a quantidade e intensidade de exercícios variam de cão para cão, e de raça para raça:

  • O objetivo da caminhada não deve ser necessariamente a criação de um atleta, mas precisa de tempo suficiente para o cão se exercitar e para farejar. Um cão de raça grande pode necessitar de exercícios mais intensos, enquanto cães menores podem se contentar com passeios mais lentos, mas as exceções são muitas. Portanto, passeios devem ser adaptados às necessidades individuais de cada animal.
  • Se tiver um espaço protegido (ou seja, um quintal cercado) disponível, pode oferecer brincadeiras, e exercícios aeróbicos.
  • É necessário planejamento nos exercícios, as adaptações são necessárias conforme a idade, capacidade física e raça. Em cães propensos a claudicação (mancar), superaquecimento (cães como Pugs, Bulldogs...) e problemas cardíacos, é necessário evitar situações que possam agravar esses problemas.


Dever do cão


Me deparei com uma nova frase recentemente durante uma pesquisa para uma apresentação num Rotary Club local: Dever do cão(ou pelo menos um que era novo para mim). Esta frase e sua conotação foram instantaneamente familiar, com seus quase 13 anos de idade, meu cãozinho Jack Russell "Terrorista" Buster, estava sentado perto de mim, ansiosamente a espera de sua caminhada noturna. Ele foi deixando claro que era hora de eu cumprir esta obrigação diária.

Quando li esse artigo do Dr. Horwitz ficou claro que essa frase refletia sobre o lado humano de passear com o cão. Se eu não tivesse meu fiel amigo Buster, não haveria razão alguma para me aventurar a noite numa caminhada. Isso é bom para mim? Sim! Os benefícios para a saúde que um animal de estimação pode proporcionar ao ser humano são inúmeros, tais como: redução do colesterol, dos triglicerídeos, da pressão arterial e diminuição do estresse, são os mais conhecidos. Os benefícios que os tutores têm ao passear com seus cães, no entanto são bem menos divulgados. Caminhando com seu cão se tem um impacto positivo sobre a obesidade canina e humana e é bom para a socialização e interação, tanto humana quanto canina (todo mundo no bairro conhece o Buster). Assim, enquanto a caminhada é boa para o cão como o Dr. Horwitz assinala, neste artigo, é bom para as pessoas também.



Mantendo os Humanos Felizes


Ser puxado pelo cão durante o passeio é indesejável, e pode desestimular os tutores a passear com os cães. A caminhada deve ser feita com uma guia, sem pressão, e se houver dificuldades a ajuda de um profissional é recomendada. 

Talvez os tutores terão que abandonar suas caminhadas regulares enquanto o cão aprende a caminhar corretamente, mas a recompensa de um cão bem treinado vai valer a pena o esforço.



Obstáculos para o Sucesso


  • Apesar dos melhores esforços, muitos tutores encontram dificuldades para caminhar com um cão. As queixas comuns incluem a puxar demais a guia, se excitar e latir demais para outros cães e ou pessoas. Nesse caso, como mencionado anteriormente, a ajuda profissional pode ajudar.
  • Ao invés de optar por apenas longas caminhadas, acrescente passeios mais curtos deixando a opção para o animal farejar mais durante uns 10 a 20 minutos de 1 a 3 vezes por semana pode fazer a diferença.
  • Para problemas extremos, a referência de um profissional que utiliza reforço positivo pode ser necessário e pode ajudar na seleção de produtos para o controle adequado durante os passeios.


Resumo


  • Caminhar com os cães incentivam o exercício físico e estímulo mental, tanto dos humanos quanto do animal.
  • Utilização de equipamento adequado para cada tipo de cão faz com que os passeios se tornem mais agradáveis.
  • Deixar animal defecar e urinar (sempre lembrando de recolher as fezes) antes de começar a caminhada permite flexibilidade na duração do passeio.
  • Distâncias e tempos variáveis durante a semana revezando em caminhadas curtas deixando os cães cheirarem bastante, e as longas com maior intensidade físicas oferecem variedade e interação com o ambiente.
  • Maior intensidade de exercícios dependem do próprio cão, e de oferecer condicionamento físico ao animal.

11 de abril de 2011

Por que tantos cães com problemas comportamentais?

PROBLEMAS CONTEMPORÂNEOS COMPORTAMENTAIS CANINOS

por Paulo Deslandes:

É extremamente comum, em minhas consultas comportamentais, os tutores, não compreenderem o porquê dos cães desenvolverem comportamentos estranhos já que os mesmos recebem muito amor e carinho. O conhecimento sobre comportamento dos cães necessita urgentemente que seja esclarecido a todos as pessoas que tem companhia desses animais em sua residência. Nossos amigos de quatro patas possuem necessidades muito além de apenas amor e carinho. Classificações como “cães ideais para apartamento” levam as pessoas acreditarem que um animal confinado dentro de uma casa, ou apartamento, somado com muitas regalias “ideais” dentro de uma visão humana são mais que suficientes para o bem estar canino. Dentro de nossas residências temos um bom livro para ler, acesso a internet, jogos, televisão e mesmo assim essa rotina se torna desagradável se não sairmos desse ambiente. E os amigos caninos? O que eles têm pra fazer? O que realmente eles necessitam para se tornarem verdadeiramente felizes?

 Para começarmos a compreender, primeiramente, temos que nos abdicar de sermos humanos e tentar ao máximo entender a visão do cão. Desvios de comportamentos ligados ao estresse são, talvez, relativamente novos nos cães. A falta de tempo para lidar com um animal de características sociais é o primeiro erro que cometemos. Se não tivermos horas do dia reservado a se dedicar ao amigo canino, por mais mimos que possa dar, o seu animal vai ser infeliz, e conseqüentemente desenvolverá comportamentos anormais. Existem vários comportamentos ligados ao estresse: agressividade, ansiedade generalizada, ansiedade de separação, comportamentos destrutivos, coprofagia, fobias, transtornos compulsivos diversos. E todos eles poderiam ter sido evitados com uma imposição de rotina na vida do animal. Cães amam rotinas!

Programem seu dia levando em conta as necessidades dos cães. Reserve tempo para caminhar com seu amigo, socialize-os o quanto puder com os outros cães, aprenda técnicas de enriquecimento ambiental para deixar o seu lar agradável para eles também. Se nos preocuparmos em impor na rotina canina esses elementos básicos, diariamente, desde filhotinhos, dificilmente desenvolverão desvios de comportamentos. Agora se não houver possibilidade no seu dia a dia de suprir essas necessidades é melhor pensar se realmente está apto a dividir seu lar com um cão.

Artigo publicado nas Revista Pequenos Cães, 2010.
(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)

4 de abril de 2011

Reflexão

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes."
Albert Schweitzer (1875-1965)









Vamos ser sinceros...certas coisas fazem bem para os humanos ou para os cães?