Mostrando postagens com marcador Comportamento Canino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comportamento Canino. Mostrar todas as postagens

20 de março de 2011

Cães que comeram os dedos de seus tutores: altruístas, ou simplesmente com fome?

Em agosto de 2010, um Jack Russell Terrier em Michigan, se destacou na imprensa norte americana por mastigar e comer um dos dedos do pé de seu tutor que encontrava-se desmaiado e bêbado. No hospital, na manhã seguinte, os médicos descobriram que o homem tinha diabetes, seu dedo estava completamente necrosado, e o ato de Kiko pode ter salvado a vida do seu tutor.

Uma história estranha na verdade, mas não tão estranha para que se repita. Semanas atrás em 2 de março, um homem de Oregon, E.U.A., também diabético, teve seu dedo mastigado por seu cão.  Os dedos estavam dormentes e com gangrena - desta vez, três deles - enquanto ele dormia. De acordo com Lee Bartolomeu, responsável pelo controle animal local, o cão estava "agindo em seu instinto para ajudar a remover o dedo com problemas."

Mas os cães realmente têm um instinto que lhes diz para amputar a carne necrosada ​​e prejudiciais de seus tutores? Ou, pelo contrário, são apenas oportunistas esperando pelo dia em que seu corpo e membros fiquem dormentes para que eles possam devorá-los como um petisco na calada da noite? Mais de 77 milhões de cães são mantidos como animais de estimação nos E.U.A., com certeza essa é uma questão para se perguntar.

"Eu tive um interesse por esse assunto há muito tempo", Nicholas Dodman, um importante veterinário comportamentalista e professor da Cummings School of Veterinary Medicine na Tufts University, falou com a Life's Little Mysteries.  Dodman tem cinco livros publicados sobre  comportamento de cães e gatos, incluindo o best-seller “If Only They Could Speak” (W.W. Norton & Co. 2002 "(Se eles pudessem falar).

"Às vezes, os cães parecem ser altruístas, mas é uma tarefa difícil de se provar . O fato principal é que a necrose dos dedos, provavelmente, tinha um cheiro atraente para o cão que naturalmente se alimenta de carne morta ", disse Dodman . Eu não acho que foi altruísta. O cão não sabia que estava necrosando e tentou ajudar o proprietário. Era só cheirar e comer. Um cão possui um sentido de olfato absolutamente extraordinário", disse Dodman. "Segundo alguns artigos os cães têm um bilhão de células olfativas no focinho , em comparação com os nossos 12 milhões. Cães sabujos têm ainda mais, e pode até mesmo sentir a diferença entre odores de gêmeos idênticos. Eles certamente sentem o cheiro quando há algo estranho, como um dedo necrosado ou um tumor. Este cão mastigou algo que cheirava diferente, mas afinal era a carne.”

"Não houve reação durante o ato, já que a pessoa estava praticamente em coma", acrescentou Dodman.  “Então, o cachorro continuou mastigando e comendo. Os cães não estavam se comportando mal de propósito na verdade, um estudo recente mostrou que os cães provavelmente não entendem o mau comportamento como um conceito separado de punição. Os cães nesse caso estavam comendo e não estavam sendo punidos, não estavam se sentindo culpados. Eles só estavam com fome”.

"Se alguém com um animal de estimação morre em sua casa, há uma chance razoável de que o cão irá comer parte dessa pessoa", disse Dodman.

Fonte: www.livescience.com

17 de março de 2011

Agressividade Canina

Primeiramente para que se possa compreender a agressividade canina é olhar para aquela “bolinha de pelo”, esteticamente linda e fofinha, e lembrarmos que na verdade se trata de um animal com suas características próprias, com um sistema de linguagem peculiar e, antes de tudo, um predador. Independente do porte do animal a agressividade está presente, logicamente que quanto maior o cão mais evidente ela se tornará. Entre um ataque de um Rotweiller e o de um York-Shire Terrier qual causará maiores danos? E logicamente a imprensa irá notificar um ataque de maior dano e ficamos com a impressão que os pequeninos não são perigosos quando se tornam agressivos. Será? Pesquisa nos E.U.A. identificam as crianças menores de 12 anos como 70% das vítimas de ataques de cães. Números bem significativos e alarmantes, pois nossos filhos são potencialmente um grupo de risco, e mesmo os menores dos cães podem infligir um ataque causando lesões sérias numa criança. Em pesquisa realizada nos E.U.A. sobre relatos de ataques de cães entres os anos de 1965 e 2001 há um caso de ataque seguido de morte provocado por um Lulu da Pomerânia em um bebê. Em nosso país tivemos um relato no ano de 2009 de uma criança de 10 anos que foi sujeita a uma complicada cirurgia de reconstituição do pênis, que foi mutilado pelo cão da família, um Poodle, quando o menino tinha apenas 6 meses de vida.

Raças Agressivas? Genética?

Podemos colocar a culpa somente na genética ou mesmo nas raças potencialmente mais perigosas? Segundo o pesquisador Joaquín Pérez-Guisado, veterinário e pesquisador da Universidade de Córdoba, na Espanha, não. Em um estudo realizado por ele e sua equipe, no ano de 2009, onde se avaliou quais motivos levam os cães a serem agressivos, os proprietários sem conhecimentos reais sobre comportamento canino são os maiores responsáveis. Ainda nesse estudo são identificados os fatores que levam o cão a ser agressivo: posse de um cão pela primeira vez; não procurar auxílio para submeter o cão a regras de obediência; mimos; não utilizar punições quando necessário; comprar um cão como presente; adquirir um cão de guarda; adquirir um cão por impulso; cães sem ou com pouca atividade física; deixar o cão com um fornecimento constante de alimentos. Pérez-Guisado ainda afirma: “Fatores característicos em cães agressivos como: raças específicas; machos; idade de 5 a 7 anos são de efeito mínimo sobre o comportamento agressivo do animal. Os fatores ligados as ações do proprietário é o mais influente.” 

Prevenção é a Solução

Existe já uma preocupação enorme na Europa e nos E.U.A. quanto à agressividade canina, pois já é reconhecido como um problema sério de saúde pública. E o Brasil não foge da regra. É preciso que se tenham algumas considerações antes de trazer pra casa um cãozinho. Basicamente é procurar auxílio profissional capacitado em comportamento canino, para que direcione e prepare a família, a prevenir futuros comportamentos indesejados no cão. Outra regra simples é a questão de tempo disponível para suprir as necessidades básicas do animal, e, a caminhada, está entre elas. Agora, se já possui um animal agressivo, é melhor procurar ajuda de um profissional habilitado a diagnosticar o tipo de agressão e posteriormente indicar o melhor tratamento e manejo. Em alguns casos não existe um tratamento funcional, e sim a educação das pessoas próximas à lidar com os riscos e assim apenas diminuir as chances de ataques trabalhando com regras de segurança. Os adultos, e principalmente as crianças, deveriam ser ensinados a lidar com os cães com o respeito devido, como, por exemplo, evitar contato visual e sempre deixá-los cheirar antes de qualquer interação. Orientar as crianças a não abordar um cão desconhecido deve ser uma regra, como também correr, gritar e brincar com qualquer cachorro, ao menos que estejam sobre estrita supervisão. Lembre-se que o maior número de ataques é de cães da própria família, e em alguns casos considerados pacíficos por pessoas próximas. Não perturbar um cão enquanto dorme, se alimenta e descansa, evita também acidentes. Independente do porte do animal, pequeno, médio ou grande há possibilidade da agressividade surgir, e mesmo um cãozinho mini é capaz de causar graves ferimentos.

Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)

7 de junho de 2010

Relatos dos tutores sobre problemas de comportamento dos seus cães

Resolvi postar o texto na integra no qual colaborei para a reportagem do Jornal A Gazeta de Vitória - ES, no domingo dia 6 de junho de 2010. Achei interessante pública-lo como forma de complementar a matéria, já que o espaço foi insuficiente para abordar o tema segundo minha visão profissional na integra.

A matéria consistiu no relato de leitores do jornal acompanhada de possíveis soluções abordadas por profissionais sobre problemas comportamentais de seus cães. O link para a reportagem no jornal:


A seguir o texto completo que enviei para a repórter do jornal:

Devido a dados insuficientes e o intuito de se fechar um diagnóstico comportamental, dentro de uma abordagem veterinária, de forma completa e assertiva, as análises e soluções aqui apresentadas são possibilidades baseadas no que foi descrito pelos tutores dos cães.

Relatos e análises:

Tutor 1: “...não come mais ração só quer aqueles salames de cachorros...”

Assim como nos humanos, os cães têm preferências alimentares, e quando se apresenta algo mais palatável do que a ração, de forma não restrita, há enormes possibilidades de que o cão tenha maior preferência pelo alimento mais saboroso. Outra possibilidade é o consumo calórico diário ser preenchido por outros itens alimentares, portanto na hora de comer a ração o animal está saciado. Isso é prejudicial para o animal, já que a ração de boa qualidade possui todos nutrientes essenciais para manutenção da sua saúde. Uma das soluções seria a de diminuir os petiscos de forma drástica, e introduzi-los somente misturados com a ração. E bem lentamente ir retirando até que se chegue à ração pura ou com uma proporção menor de petisco relacionado ao alimento principal.

          “...se sento no sofá ela pede para subir se deito na cama ela pede, e se não pegar ela fica latindo e eu claro cedo as suas chantagens, dorme comigo ou com minha filha...”

Cães são animais de hábitos sociais, e conhecem seus tutores mais do que se pode imaginar, com isso percebem oportunidades de estabelecerem comunicação com as pessoas, e conforme há sucesso nas tentativas agregam esse comportamento. No caso descrito a Pincher percebeu, inteligentemente, que ao latir tem o que deseja. Então utiliza o latido como forma de expressar suas vontades, e quando não são atendidas insiste pois certamente sempre obteve sucesso dessa forma. Deve-se ignorar os latidos completamente, e quando o cão desistir substituí-lo por outro comportamento como, por exemplo, ensiná-lo a sentar sempre antes de fazer suas vontades. Esta seria uma solução eficiente a longo prazo.

Tutor 2: “...passa o dia e a noite catando tudo que acha pela casa e carregando pra outro lugar...”

Normalmente o cão acompanha a rotina da casa, ativo durante o dia e dormindo a noite. Quando há atividade noturna exagerada, e comportamentos que se tornam compulsivos ou repetitivos, como o da Milla, há indicativo de baixo nível de atividades físicas e mentais na rotina do animal. Pode estar ocorrendo também um comportamento de busca de atenção, em que o cão percebeu algum tipo de interação com os tutores, mesmo que seja uma bronca. Atividades físicas ao ar livre diárias, como uma boa caminhada, e fornecimento de brinquedos inteligentes para cães ajudariam a auxiliar o problema a primeira vista.

Tutor 3: “...chora horrores quando estamos a mesa almoçando pedindo comida e quando saímos de casa.”

Mais um caso em que o cão encontra um meio de comunicação com os tutores, nesse caso foi ensinado inadvertidamente para o Sansão que ao “chorar” sua vontade será prontamente atendida. Não ceder suas vontades durante as refeições na mesa e fornecer brinquedos liberadores de petiscos somente nesses momentos, talvez ajudasse a distraí-lo e resolveria ou diminuiria a intensidade do comportamento com o tempo.

Baseado no relato em específico, a princípio, o ato do cão “chorar” quando se encontra sozinho é indicativo de insegurança. Um diagnóstico mais detalhado talvez indicasse Ansiedade por Separação, que é um transtorno ligado a um estado de ansiedade extrema ao ato de ficar sozinho, às vezes, inclusive, sendo necessário intervenção farmacológica. Nesse caso não seria prudente indicar uma possível solução sem mais detalhes relacionado ao histórico do animal.

Tutor 4: ...”Ghaia literalmente roeu, seis cadeiras de madeira da sala, um sofa de couro, um poltrona tambem de couro, um puff...”

O cão, quando filhote, possui comportamento exploratório normal devido a sua curiosidade extrema, e como não tem mãos ele utiliza a boca como ferramenta exploratória. A mastigação indevida está ligada a esse comportamento normal, e ainda tem como aliado o fato do desenvolvimento dentário ocasionar incômodo no filhote que se alivia direcionando seus dentes aos nossos preciosos objetos. Nesse caso devemos monitorar o cão sempre durante essa fase, e quando não puder dar 100% de atenção isolá-lo em uma ambiente seguro. Brinquedos mastigáveis de longa duração devem ser fornecidos aos montes nessa fase, com os tutores sempre indicando que ficam satisfeitos quando a “voracidade” é direcionada para eles. Preparação do ambiente com substâncias de sabor aversivo, encontradas em lojas especializadas, aplicadas sobre itens proibidos auxilia no condicionamento. Atividades físicas e mentais devem ser incluídas na rotina diária do animal, ou o levará ao estresse e a desenvolver compulsões, e entre eles inclui a mastigação exagerada.

Tutor 5: “...sempre pulam desesperadamente sobre mim, meu marido ou qualquer pessoa que entre em casa."

O comportamento de salto do cão é normal, pois é uma forma de cumprimento canino. Mas as pessoas, inadvertidamente, reforçam esse comportamento através de indicações positivas. E então o cão aumenta a intensidade e números de saltos, pois entende que quando salta em alguém existe a possibilidade de ganhar carinho. Ignorar o cão durante interações que o mesmo salte é o primeiro passo. O outro é a substituição do comportamento de saltar gradativamente por outro, como, por exemplo, ensinar seu cão a sentar para interagir tanto com os tutores quanto as visitas. Desconfiem em metodologias que podem levar o cão a se sentir desconfortável, o que normalmente aumenta a ansiedade do animal.

          “...Também nos arrastam quando os levamos pra passear.”

Comportamento ligado a falta de condicionamento do animal durante os passeios externos. Necessário a intervenção de um profissional especializado em comportamento canino para que indique os equipamentos e metodologia ideal para o caso, assim como condicionar o animal. Prestem atenção em metodologias baseadas em punições, existem técnicas gentis e mais eficientes do seu cão aprender a caminhar corretamente.

Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

6 de maio de 2010

O perigo da humanização do cão

A humanização dos animais é algo muito perigoso, pois tem a tendência de tornar o relacionamento unilateral, assim trazendo benefícios apenas para o ser humano. Pessoas adquirem animais de estimação sem se preocuparem com as reais exigências e responsabilidades que o bicho em questão necessita. Seguem tendências de modismo, impulsos consumistas e acabam esquecendo que estão lidando com seres vivos de características próprias.

Percebo os tutores, em sua grande maioria, tratando seus animais como se fossem eternas crianças humanas, ou pior, não se preocupam em buscar informações de como é a real exigência do animal, e os mimam em excesso. O resultado disso são animais extremamente estressados, e os pobres dos cães são as principais vítimas devido sua popularidade maior como animal de estimação.

O que é melhor? Seu cão ser presenteado com uma roupinha da moda ou levá-lo em um local onde possa correr livre pela natureza? Esses tipos de questões deveriam ser mais refletidas, pois talvez levassem as pessoas a enxergarem seus cães como animais predadores que são, e não como”bibelôs” ou criancinhas.

As pessoas deveriam fazer outro seguinte questionamento: Gosto de cão? Gosto. Então antes de me responsabilizar por esse ser vivo vou estudar suas reais necessidades e se tenho condições de respeitá-las. Nos E.U.A. existem estudos que apontam os problemas comportamentais como o maior motivo que levam as pessoas a abandonarem animais, seja em abrigos ou nas ruas. E isso é devido ao desconhecimento e as falsas expectativas em relação ao comportamento do animal.


Transtornos Comportamentais


A grande maioria dos transtornos comportamentais estão ligados a humanização, já que nossos animais de estimação não são humanos. Denominá-los de filho, neto, afilhado, ou outro tratamento humanizado qualquer não tem problema, a questão é respeitá-los levando em conta seus instintos e reais necessidades.

Posso citar os transtornos de comportamentos mais comuns nos cães humanizados de uma forma muito resumida e generalizada: agressividade, distúrbios compulsivos diversos, ansiedade generalizada, comportamentos de chamar atenção, vocalizações excessivas, medos diversos, entre outros. Destaco o transtorno denominado Ansiedade de Separação, esse é um dos principais distúrbios que tenho atendido. Se caracteriza por o cão ter um forte apego ao tutor, por reforços inadvertidos do próprio, mas a pessoa não tem tempo suficiente para suprir esse vínculo social, então o animal não consegue ficar sozinho e faz tudo para ir atrás do tutor. Late e uiva exageradamente como forma de comunicação, comportamentos de fuga o levando a risco de vida, destruição de portas e janelas com intuito de fuga, salivação excessiva entre outros.


Um Fenômeno Recente


Quanto a humanização, acredito que seja um fenômeno recente devido aos nossos espaços físicos cada vez menores, pois estamos nos verticalizando e morando em espaços progressivamente reduzidos. Com isso o “cão do quintal” e o cão de trabalho de décadas atrás está se tornando um membro da família. A proximidade entre o cão e o humano aumentou bastante com isso, e com certeza contribui para a humanização. Outro fator é a nossa distância cada vez maior da natureza, pois estamos cada vez mais urbanos, e acredito que seja um fator contribuinte já que trazemos os cães para essa realidade. Importante destacar a falta de tempo também, não temos tempo nem para nós mesmos, e então resolvemos trazer para nossos lares um animal, como o cão, que possui características sociais, por exemplo.


Saúde Afetada Pela Humanização


Quando o animal chega ao ponto de desenvolver distúrbios de comportamento o estresse geralmente está envolvido. E já se sabe que o animal estressado tem a imunidade afetada e se torna suscetível a doenças diversas. Existem distúrbios compulsivos entre os cães que os levam a auto-mutilação, e nesse caso a humanização também está envolvida. Outro fator é oferecer alimentos utilizados na alimentação humana para os animais de estimação. O argumento dos tutores sempre é o da expressão irresistível que eles fazem quando querem algo. Penso que nesses casos as pessoas deveriam refletir antes sobre o que é amar. Quem ama cuida. Cuidar nesse caso significa se interessar sobre a saúde do animal e os cuidados que o envolve. Toda clínica veterinária sabe o quanto os consultórios ficam lotados na páscoa com cães intoxicados por ingerirem chocolate, e não acredito na falta de informação hoje em dia, e sim no descaso.


Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)


4 de maio de 2010

Como entender o seu cão




Reavaliando seu cão

Pare de pensar que você sabe quem é seu cão. Olhe para ele como se fosse um animal desconhecido que entrou em sua casa, e realmente observe o que ele faz, porque eles são grandes observadores do que nós fazemos. Estão nos assistindo na maioria das vezes. Aprendem nossos hábitos, mas não o vemos da mesma maneira. Torne-se um cientista em sua casa observando os seus hábitos e como eles tentam obter a sua atenção.

Cheiros Fortes

Seja cauteloso com os odores que você tem em sua casa. Limite o número de perfumes que você usa, porque se você colocar em um novo perfume pode mascarar sua identidade perante o cão. Se você acha que seu cão está “fedendo” a cachorro, não coloque perfume sobre ele, pois irá mascarar sua identidade para outros cães. Ao levar seu cão para caminhar você tem que ser paciente e deixá-lo parar e cheirar o que ele quer. Cheirar é uma rica experiência para eles, e evitando o ato é como puxar o seu filho para longe da janela logo assim que ele avistar algo interessante. Satisface-os de vez em quando.

Tratar cães como cães

Nós subestimamos a complexidade de seu mundo, porque não sabemos o que é ter um mundo tão rico em odores, assim como o nosso é rico visualmente. Mas não superestime suas habilidades, eles compartilham muito com a gente, mas não há nenhuma boa razão para pensar que são apenas simplesmente “pequenos seres humanos”.

Entenda o mau comportamento

Nenhuma raça tem que ser agressiva ou mal educada, isso normalmente significa que eles não tiveram direito a socialização adequada quando eram jovens, ou foram abusados. A solução é cuidadosa e controlada socialização com os estímulos que o levam a agredir, cães ou pessoas. A maioria dos cães que são agressivos podem ter um futuro melhor. É preciso muita atenção e a ajuda de um profissional especializado em comportamento canino para auxiliar.

Hora de ir ao veterinário

Se seu cão está doente vai mostrar sinais semelhantes ao que nós fazemos. Fique atento para qualquer mudança de hábito: se ele parar de comer ou de repente começa a comer obsessivamente, se ele costumava dormir muito e agora passou a dormir pouco, ou qualquer comportamento estereotipado como lamber ou morder a si mesmo de forma exagerada.

Fonte: Trechos do livro: “Inside of a Dog: What Dogs See, Smell and Know” (Simon & Schuster), por Alexandra Horowitz.

24 de abril de 2010

Inteligência canina é equivalente a de uma criança de 2 anos

Renomado pesquisador coloca lado a lado a inteligência canina e a de uma criança humana de 2 anos de idade.

Os cães podem compreender mais de 150 palavras e intencionalmente enganar outros cães e pessoas, de acordo com o psicólogo e pesquisador Stanley Coren, PhD, da University of British Columbia.

Coren, autor dos livros mais populares sobre comportamento canino, revisou vários estudos para concluir que os cães têm a capacidade de resolver problemas complexos e são mais parecidos com os humanos e outros primatas do que se pensava anteriormente.

Segundo Coren, as habilidades mentais dos cães estão perto a de uma criança humana de 2 a 2 anos e meio de idade.

Há diferenças na inteligência entre os vários tipos de cães, e a raça determina algumas destas diferenças, diz Coren: "Há três tipos de inteligência do cão: instintiva (o que o cão é adestrado para fazer), adaptação (como o cão aprende a partir de seu ambiente a resolver problemas) e de trabalho e obediência (o equivalente a aprendizagem escolar)."

Dados de 208 juízes ligados a provas de obediência nos Estados Unidos e no Canadá mostraram as diferenças no trabalho e inteligência entre as raças de cães. "Border Collies são o número um; Poodles estão em segundo, seguido pelos Pastores Alemães. Quarto na lista é os Golden Retrievers, o quinto, Dobermans, sexta Shetland, e, finalmente, Labrador Retrievers", disse Coren.

O cão de média inteligência pode aprender 165 palavras, incluindo sinais, e os cães "super" (aqueles que estão entre os 20 no ranking de inteligência) podem aprender 250 palavras, diz Coren. "O limite máximo da capacidade dos cães de aprender palavras e gestos é parcialmente baseado em um estudo de um Border Collie chamado Rico, que mostrou conhecimento de 200 palavras e demonstrou o que os cientistas acreditavam que só poderia ser encontrado nos seres humanos e em alguns primatas", disse Coren.

Segundo Coren, os cães também podem contar até quatro ou cinco. E eles têm uma compreensão básica da aritmética e vai notar erros em cálculos simples, como 1 +1 = 1 ou 1 +1 = 3.

Através da observação, Coren disse: “Os cães podem aprender a localização de itens variados, as vias de melhor acesso em um ambiente (o caminho mais rápido para chegar em uma cadeira), como operar os mecanismos (tais como fechos e máquinas simples) e do significado das palavras e conceitos simbólicos (às vezes simplesmente por ouvir as pessoas falarem e vendo suas ações).”

Durante o jogo proposto na pesquisa, observou-se que os cães são capazes de tentar enganar outros cães e pessoas a fim de receber recompensas. Coren afirmou: "Os cães são tão bem sucedidos em enganar os seres humanos assim quanto os seres humanos estão em enganar eles."

Fonte: American Psychological Association

7 de abril de 2010

Olhar de culpado do cão? Será?

Os tutores que pensam que seu cão tem um olhar de "culpado" quando fazem algo “errado” estão enganados, segundo um novo estudo.

Por Kate Devlin

As expressões de coitado, ou culpado que alguns acreditam podem detectar no rosto dos cães, principalmente depois de dar uma bronca nele é uma invenção da imaginação, segundo os cientistas.

Em um experimento, disseram aos tutores do animal de estimação, que os seus cães, eram culpados do comportamento inadequado por roubar guloseimas que tinham sido proibidas de serem consumidas.

Mesmo que os cães fossem inocentes as pessoas ainda sim identificavam o famoso “olhar de culpa” nos animais.

Os pesquisadores insistem em que não há base científica alguma na opinião dos tutores que dizem poder identificar através do olhar de seus cães que os mesmos foram os culpados.

“Essa interpretação é apenas uma projeção dos valores humanos para os animais”, eles disseram.

Alexandra Horowitz, um professora adjunta no Barnard College, em Nova York, que realizou a pesquisa, disse: "A descoberta de um alimento roubado, ou de qualquer outro ato que não é permitido, muitas vezes é seguido imediatamente por repreensões, seja gritando ou física. E não é surpreendente que os cães associem qualquer tom acusatório com esse evento, sendo ou não culpado. E desencadeia nesses animais um comportamento submisso preventivo. Que a grande maiorias das pessoas interpretam como um olhar de culpado.”


(minha opinião)

No meu dia a dia é comum escutar dos meus clientes as mais diversas interpretações do que acreditam que seus cães estão pensando e fazendo. Sempre escuto com muita atenção, mas na grande maioria das vezes são interpretações extremamentes humanizadas. As pessoas enxergam em seus cães um membro da família, o que não deixa de ser, mas não é legal interpretarmos as atitudes caninas dentro da nossa psicologia humana. Os cães são animais diferentes de nós e tem suas particularidades, mesmo com o convívio tão próximo que temos a tanto tempo.

Alimentamos falsas expectativas em relação ao comportamento canino quando achamos que os cães são “pessoinhas peludinhas”, e ficamos frustrados quando surge algum comportamento incompatível com a rotina da família. E não duvidem que uma das maiores causas de abandono de animais na ruas é devido a esse desconhecimento que as pessoas possuem sobre o que é o comportamento normal de um cachorro. O desconhecimento do comportamento normal canino leva muita das vezes as pessoas a criarem verdadeiros “monstrinhos” de quatro patas. E qual é a solução quando o comportamento fica insuportável? Abandonar o cão na rua ou doar para algum conhecido corajoso que goste muito de animais. Sendo que a melhor solução seria a pessoa buscar conhecimento prévio do animal que está adquirindo através de literaturas confiáveis, ou contratar um profissional qualificado, e principalmente atualizado, que a oriente sobre educação canina.

Os reforços positivos indevidos em horas impróprias, na minha opinião, são umas das maiores causas de problemas de comportamento no cão. Para evitarmos isso vamos buscar conhecimento sobre nossos amigos peludos. Não se deixem atingir pela força da comodidade. Se gostarem realmente de cães informe-se, busquem ajuda profissional. Tenho certeza que nossos amigos cães ficarão agradecidos se nos esforçamos para entendê-los realmente como eles são, e não interpretarmos eles do jeito que achamos que é.

Interpretações humanizadas do comportamento canino podem levar nossos amigos peludos a terem uma vida infeliz.

1 de abril de 2010

Adestramento: existe idade ideal?

Por Alexandre Rossi (Dr. Pet)

Muita gente me pergunta se há uma idade certa para adestrar os cães. Existe um mito que diz que é preciso esperar o filhote completar seis meses para começar a adestrar, mas os cachorros não começam aprender só nesse período… Eles podem ser adestrados já a partir dos 50 dias de vida. O fato mais importante é que os cães aprendem o tempo todo, independentemente da idade! Com ou sem a ajuda de um profissional, é preciso ensiná-los sempre.

Uma outra questão bem comum: cães mais velhinhos podem aprender? A resposta correta é: sim! Independente da idade, os cachorros podem ser ensinados! É exatamente igual a nós, seres humanos, que podemos aprender coisas novas, mesmo sendo idosos.

Agora que vocês já sabem mais essa curiosidade, não deixem de ensinar seu bichinho!


(minha opinião)

Em todos os meios que lidam e dependem de atualizações constantes dos profissionais, infelizmente, a grande maioria é daqueles que se sentem confortáveis em ficar parados no tempo.

A ciência está sempre avançando e fazendo descobertas, e devemos estar sempre atentos às mudanças. Principalmente dentro de uma área que envolva vida e saúde o profissional deve constantemente manter a cabeça aberta para as novas idéias e teorias que surgem todos os dias.

Vejo todos os dias as pessoas tão mecanizadas e confortáveis em continuar a fazer o que fazem há anos que realmente esquecem que estamos em um mundo de descobertas e mudanças.

Portanto para responder uma das questões mais polêmicas no meio de quem trabalha com comportamento canino, adestramento ou qualquer outra vertente resolvi humildemente acrescentar ao texto assertivo do excelente profissional Alexandre Rossi, algumas referências de estudos seriamente envolvidos com comportamento canino. Assim nos indicando um caminho, segundo a ciência, que deveríamos seguir quando lidamos com aprendizado dos cães.

A seguir os textos retirados e a referência bibliográfica:

“O aprendizado estável começa com 8-9 semanas de idade nos cãezinhos, que é seu período mais sensível. A capacidade de aprendizado básica se desenvolve aos 3 meses de idade, mas capacidades motoras fracas, uma extensão de atenção curta e uma excitabilidade emocional podem tornar métodos tradicionais inefetivos. Se os cãezinhos forem colocados em isolamento nessa idade, ocorrerá uma deteriorização na sua capacidade de aprender comportamentos novos e uma diminuição na retenção de algum comportamento anteriormente aprendido. Os ambientes enriquecidos proporcionam um crescimento emocional melhor do que os restritos. Com 4 meses de idade, a velocidade de formação dos reflexos condicionados começa a diminuir, talvez porque o aprendizado anterior começa a interferir no aprendizado novo. O treinamento de obediência tradicional é freqüentemente adiado até os 6 meses de idade ou mais. Os cãezinhos são capazes de aprender lições curtas e focalizadas antes disso, mas as técnicas padronizadas são baseadas em um manual de adestramento da I Guerra Mundial que utiliza uma técnica de enforcador e corrente que não é apropriada para cãezinhos mais jovens.”

Fonte: Canine Behavior: A Guide for Veterinarians – Bonnie V. Beaver, DVM, MS, Dipl ACVB – Professor e Chief of Medicine Departement of Small Animal Medicine and Sugery College of Veterinary Meidcine Texas A&M University College Station, Texas

No meu trabalho, constantemente, converso e conscientizo proprietários a agirem na prevenção de futuros problemas comportamentais, pois dessa forma se evita dores de cabeça ao longo do desenvolvimento canino. O cãozinho com 50 dias está com o cérebro apto ao aprendizado, se esperar até os 6 meses de idade muita coisa já foi absorvida e inserida em seu comportamento, tanto coisas ruins quanto boas. E prevenir um problema é muito mais simples e inteligente do que esperar pra depois ver o que fazer. O tratamento e o descondicionamento de um mau hábito é muito mais trabalhoso.

Portanto ao adquirir um filhote tenham em mente que o aprendizado do cão começa cedo, procurem informações em literaturas confiáveis ou procurem um profissional especializado e atualizado.E não um com técnicas da época da I Guerra Mundial, que não é adequada nos dia de hoje de forma alguma. Dessa maneira, o profissional atualizado, poderá orientar de forma assertiva de como proceder na educação do seu amigo.

25 de março de 2010

A realidade sobre adestramento de ataque, defesa e proteção

O negócio de treinamento de ataque, defesa e guarda é mais ou menos assim:

Na primeira fase: o cão aprende a defesa.

Ou seja, ele só irá demonstrar sinais de agressividade quando ele ou seu dono forem ameaçados. É quando o cão fica ao lado do dono, na guia, e o cobaia (aquele cara corajoso que veste aquela roupa esquisita) ameaça bater no cão ou no dono. Aí o dono incentiva o cachorro a atacar o coitado do cobaia.

Segunda fase: treinamento de ataque.

O cão é incentivado a atacar, sob comando, mesmo que não haja nenhuma ameaça aparente. Exatamente como os cães da policia fazem quando não podem ver o suspeito e o policial manda o cão mesmo assim. O cachorro acha o fugitivo, encurrala o fulano e se for possível dá umas mordidinhas (os cachorros adoram dar essas mordidinhas).

Terceira fase: treinamento de guarda.

O cão vai atacar qualquer um que tentar invadir a sua propriedade ou que tente chegar perto de um objeto a ser guardado. Nesta fase o cão não precisa mais que o dono esteja por perto ou que seja dado um comando para ele executar o trabalho.

Qual é o mais indicado? Nenhum! Não acredito que qualquer cachorro possa ser treinado para nenhuma destas funções. Não é qualquer treinador que é bom o bastante para avaliar e treinar o cachorro propriamente e, principalmente, não é qualquer dono que pode ter um cão treinado para defesa, ataque ou guarda. Vale lembrar que cães da polícia e cães de competição são treinados PERMANENTEMENTE por profissionais.

Sempre que lemos as várias notícias trágicas de cachorros que atacaram pessoas e crianças, com mortes e mutilações, não nos ocorre que muitas pessoas que possuem cães para a guarda não estão cientes da responsabilidade e do perigo que é ter um animal destes em casa. Como treinadora profissional, tive a oportunidade de observar vários tipos de cães. Alguns mansos, outros agressivos, alguns neuróticos, outros inteligentes, alguns brincalhões, outros sérios, e poucos realmente equilibrados. Também tive a grande sorte de ter aprendido esta profissão num estado dos Estados Unidos onde as leis sobre cachorros que atacam pessoas é rigorosíssima, e onde estão os melhores cães policiais de todos os Estados Unidos. E a maioria das pessoas quando pensa num cão de guarda, pensa logo nos cães da polícia: cachorros muito bem treinados, precisos no ataque de bandidos e sob controle total de seu dono.

Mas no Brasil, muitos daqueles que possuem "cães de guarda" nunca procuraram um treinador profissional, nunca trabalharam com seus cachorros, nunca socializaram estes animais. Poucos se preocuparam com a índole do animal antes de comprá-lo e partem do pressuposto de que cachorro de guarda tem que ser muito bravo. Acreditam que o cão deve ficar preso o dia todo e só ser solto durante a noite que é para não ficar amigo de estranhos.

Pode parecer estranho, mas os cachorros escolhidos para o policiamento não são aqueles que apresentam propensão para a agressividade. Muito pelo contrário. Os melhores cães para a polícia são os que apresentam maior poder concentração e vontade de brincar. Para estes cães, não existe motivo algum para temer ou odiar pessoas estranhas. Para que sejam confiáveis e úteis na segurança da população, eles, os cães da polícia, têm que ser dóceis e mansos quando andando no meio das pessoas. Numa rua cheia, eles devem se manter sempre do lado esquerdo de seus companheiros policiais e aceitar com prazer os carinhos das crianças que nunca se cansam de admirar tão belo animal.

O ataque para estes cachorros não é pessoal, ou seja, eles não são treinados para ter raiva, ou perseguir nenhum grupo de pessoas específico, nem tampouco para serem agressivos ou arredios com estranhos. Estes cães são treinados para gostar de um jogo, uma brincadeira muito excitante que é pegar o cara mau. Isso mesmo, para o cachorro tudo não passa de uma brincadeira, que ele gosta muito, de imobilizar e morder uma pessoa que seu dono mandou pegar. O cão nunca vai iniciar uma perseguição ou um ataque sem que ele tenha sido comandado. Claro que este comando não precisa ser unicamente verbal. Um movimento brusco por parte da pessoa que está sendo investigada, ou a tentativa de fuga desta pessoa pode ser a "deixa" para uma imobilização.

A visão de uma arma, a agressão ao dono por parte do suspeito, ou um discreto comando físico pode ser suficiente para o cão iniciar um ataque. Os cães escolhidos para se tornar um cão de guarda devem fazer parte da família deles. Conviver com as crianças, brincar no quintal e ser companheiro inseparável de seus donos.

Qualquer pessoa que deseja ter um cão de guarda deveria ter os mesmos cuidados que a polícia. Escolher a raça mais adequada. Investigar o temperamento dos pais do filhote e evitar qualquer animal que apresente sinais de agressividade excessiva ou medo e desconfiança de pessoas estranhas. Socializar o filhote e educá-lo com amor e paciência para que ele cresça confiante e tranqüilo. Fazer com que este animal participe da vida da família, fortalecendo os laços de amizade entre cão e humanos. Procurar um treinador profissional competente e capaz e solicitar uma avaliação do animal, aceitando se o parecer deste treinador for contrário ao treinamento do cachorro para guarda. Participar ativamente das seções de treinamento do cachorro. Prover alimentação e cuidados veterinários adequados. E, principalmente, ser responsável pelo animal e pela segurança das pessoas que trabalham ou visitam a sua residência.

Para evitar tantas tragédias como as que aparecem nos jornais todos os anos é preciso lembrar que um cachorro não é capaz de distinguir a diferença entre um atleta fazendo jogging ou um ladrão correndo em disparada; entre um bandido escondido num beco ou uma criança brincando de esconde-esconde; entre um ladrão atacando seu dono, ou apenas um amigo mais espalhafatoso.

Em última análise, um bom cão de guarda só precisa dar o alarme, latindo, na hora em que uma pessoa estranha se aproximar da casa para que o dono possa tomar as medidas necessárias para a proteção de seu patrimônio. Mesmo que o cachorro seja super-treinado, se um ladrão resolver invadir uma residência quando o dono não estiver presente, ele, o ladrão, vai invadir.

A FALSA SEGURANÇA QUE AS PESSOAS SENTEM QUANDO POSSUEM UM CACHORRO FEROZ EM CASA PODE SER FATAL PARA OS DONOS, PARA PESSOAS DE BEM E PRINCIPALMENTE PARA CRIANÇAS CURIOSAS E INDEFESAS DIANTE DE TAMANHA FÚRIA.

Fonte: Claudia Pizzolatto

Treinadora e Especialista em Comportamento Canino, diplomada em Psicologia Canina e Treinamento de Cães pela NDTA – National Dog Trainers Association dos Estados Unidos, e também classificada como “Professional Dog Trainer” pela mesma NDTA, consultora em comportamento canino da revista especializada Cães & Cia, com vários artigos publicados em jornais e revistas, e várias palestras realizadas, é dona da Lord Cão – Treinamento de Cães Ltda., empresa especializada em resolver problemas comportamentais em cães, situada no Rio de Janeiro.

23 de março de 2010

“Prozac” para pets é aprovado na Inglaterra

As diversas semelhanças entre os seres humanos e animais têm promovido um modo de vida muito parecido para os pets também. Atualmente, há uma infinidade de serviços para os amados bichinhos como salões de cabeleireiro, hotéis, grifes de roupas e joalherias. O problema é que até mesmo as doenças do dono também estão acometendo os peludos, como obesidade, hipertensão e até mesmo depressão.

Relativamente nova, a descoberta de que cerca de 8% da população de pets sofre de desorientações mentais, fez com que o governo da Grã-Bretanha resolvesse tomar providências, aprovando a utilização do famoso Prozac, só que para cães e gatos.

De acordo com o site do jornal Daily Mail o anti-depressivo foi adaptado para os peludos mais tristonhos, e tem um gosto mais palatável, sabor bife. O medicamento foi lançado nos Estados Unidos há 3 anos, e recentemente foi aprovado para a venda na Europa, prometendo servir para o tratamento de animais com comportamento compulsivo e ansiosos.

Chamado de Reconcile, o produto aumenta os níveis de serotonina no cérebro dos bichos, promovendo a sensação de bem-estar nos animais. O tratamento com o medicamento é indicado principalmente para os pets que sofrem com a ausência de seus donos, gerando um quadro de depressão.

Segundo os especialistas, os sintomas de um animal depressivo são: morder e destruir objetos e a mobília em casa, latidos excessivos, choro, urina e fezes fora dos locais apropriados, salivação excessiva, vômitos e tremedeiras. Esses sinais indicam o quadro de ansiedade, gerado principalmente com a separação dos donos por muito tempo, quando saem para trabalhar, por exemplo.

Ainda segundo a publicação, estima-se que existam 10 milhões de animais com o quadro nos Estados Unidos, mas a cura é possível. Um experimento realizado com 660 animais com desorientações mentais na Europa e Estados Unidos revelou que houve melhora após oito semanas de tratamento com o Reconcile. O fabricante adverte, no entanto, que a medicação deve ser administrada por animais acima de seis meses de vida e sob supervisão de um veterinário.

Fonte: http://petmag.uol.com.br

(minha opinião)

O ser humano destrói sua vida através de comportamentos fúteis e exagerados, muitas das vezes levando a um quadro de distúrbios psicológicos e infelicidade. Se afasta da natureza levando uma vida extremamente urbana e estressante, esquecendo da beleza e energia inesgotável que a mãe natureza nos proporciona. E agora isso tudo é direcionado de uma forma egoísta para os animais, principalmente para os cães.

Cachorro tem vaidade? Ou a vaidade é do humano? É uma pergunta que se deveria responder antes de gastar rios de dinheiro num suposto bem estar animal.

Deveríamos nos preocupar em buscar informações das quais são as reais necessidades de um cão. Quem é mais feliz? Um cachorro solto nas ruas sem regalias ou um cachorro preso em um apartamento cheio de regalias? Pode parecer estranho para muitos, mas provavelmente o cão da rua é o mais feliz. Atividades físicas e mentais sendo desafiadas todos os dias, lutar pela sobrevivência, cães extremamente socializados com tudo que há, faz com que estes animais apresentem comportamento próximo do que tinham na natureza. Lógico que existe a parte da saúde precária e maus tratos, novamente causados pelos humanos, colocando em questão a felicidade destes animais. Mas ainda não o deixa mais infeliz que o cãozinho preso no apartamento, com idas a tosa e banho toda semana, com roupinhas próprias, sem desafios, sem exercícios suficientes ou nenhum, sem socialização... enfim.

Deveríamos nos questionar o porquê de surgirem fármacos como esse da reportagem. Deveríamos buscar a causa primária do distúrbio e assim nos adequarmos a entender o cão e proporcionar uma vida melhor para eles, mas é claro que dentro dos padrões caninos. O medicamento é uma “muleta” da real causa. Auxilia, mas não cura.

Se questionem sobre seus cães, abram suas mentes a novas informações, e principalmente amem seus cães proporcionando reais necessidades a suas vidas.

17 de maio de 2009

O sono dos cachorros

Sono, é o período de repouso para o corpo e a mente, em que a consciência esta em ativa parcialmente ou completa. É caracterizado tanto no ser humano como em animais superiores, pela suspensão temporária da atividade perceptivas, sensoriais e motoras voluntárias.


Sono dos cães


Assim como as pessoas, os cães também precisam dormir. No período de sono, o cão pode descansar e o sistema imunológico pode atingir seu melhor índice de atividade e funcionamento.

Os cães apresentam 2 etapas distintas que ocorrem durante período de sono:


Sono Superficial:


Durante esse estágio o cão fica quieto porém alerta, tem uma respiração profunda e ritmada, sua pressão sanguínea, seu metabolismo e sua atividade cerebral diminuem. O estágio superficial dura de 10 a 20 minutos e basta um pequeno estímulo para acordá-lo.



Estágio REM:


Durante esse segundo estágio do sono, as pálpebras do cão se movem. A respiração torna-se irregular, rápida e superficial ou às vezes o cão parece não respirar, é um sono profundo. Também ocorrem movimentos nas patas, músculos da face e orelhas e pode até mesmo rosnar e latir. Esse estágio inicia logo após o período de sono superficial.


Duração do sono

Os cães dormem muito, em média 9 horas diárias, mas esse tempo pode se estender se ficam muito sozinhos, sem a companhia do dono, longe de agito e do convívio com outros animais ou pessoas.

Sonho dos cães

Foi constatado cientificamente que algumas atividades cerebrais caninas durante o sono são semelhantes as de quando uma pessoa está sonhando. Assim, e quase certo que os cães também sonham, porém oque nossos amigos caninos sonham é praticamente um mistério.

Uma hipótese, seria a maneira de se relacionar com o mundo, com pessoas e outros cães.


Distúrbios do sono


Os cães também podem apresentar alguns distúrbios de sono, como a apneia, que é uma parada respiratória devido a obstrução das vias respiratórias, comum em cães da raça Boxer e Buldogue, devido aos seus focinhos achatados.

A narcolepsia, também pode ser lembrada como um distúrbio, uma vez que o cão repentinamente entra em um estado de sono profundo. Esse mal é bastante comum em cães da raça Dobermann, Labrador, Poodle, Beagle e Dachshound, porem esses distúrbios podem controlados através de medicamentos.


Fonte: http://www.maniacanina.com.br

11 de maio de 2009

Cão também é gente, mas nem tanto

Por Ayrton Mugnaini Jr.

"Cachorro é um ser humano como outro qualquer. "Foi com esta frase que determinado político entrou para a História do Brasil ao utilizar um carro oficial para levar sua cadela ao veterinário. Realmente, como político, ele foi excelente dono de bicho. E não é preciso ser político para se amar um animal como se fosse "um de nós", o filho ou irmão que não temos, ou o companheiro sempre bem-vindo, mesmo se for encontrado na rua, ou, talvez melhor dizendo, se ele nos encontrar.

Não há nada errado em dar ao cão nome de gente, vesti-lo com uma roupinha de gente (ainda mais se ele tiver pelo curto e o clima estiver frio) ou conversar com ele como se fosse gente. Afinal, o cão também é um ser vivo, também gosta de ser bem tratado e acarinhado, também tem prazeres e sentimentos, e está provado que sua inteligência equivale a uma criança humana de dois anos e meio de idade. Agora, devemos ter sempre em mente o outro lado da moeda: assim como crianças humanas não devem ser mimadas, excesso de paparico pode ser prejudicial ao cão. Se cuidar de menos é ruim, cuidar demais também é. Ou, como resume o verso de Erasmo Carlos: "proteção desprotege e carinho demais faz arrepender".

Muita gente traz o filhotinho para casa e adora quando ele sobe na cama para dar bom dia. Adora até perceber que... um ano depois o filhotinho já virou adulto e se transformou num "homenzarrão" ou "mulherona" de quase vinte quilos que se recusa a não subir e mais ainda a descer da cama, afinal, sigamos o raciocínio canino: sempre o deixaram, por que proibir agora? Tem também as festas de aniversário quando, de repente, lá vem o "pidão" com aquele olhar de quem não come há meses, e ganha um pedaço de bolo aqui, um brigadeiro acolá, e, possivelmente, um problema digestivo ou circulatório que pode ser até fatal. Surge então a queixa inevitável a respeito do que poderia ter sido evitado: "Ah, o cachorro pediu tanto que eu não resisti, eu nem sabia que estava fazendo mal para ele..."

Há vários motivos pelos quais os cães devem comer ração especial para eles. Nossa comida pode lhes causar mau hálito e, por sujar mais facilmente os dentes, maior dificuldade na higiene bucal (cães são menos sujeitos a cáries, mas não a tártaro e infecção nas gengivas), sem falar que vinagre, sal, açúcar e outros temperos podem lhes fazer mal à saúde (cães também estão sujeitos a males como diabetes e colesterol). Além disso, as rações têm antioxidantes que beneficiam algo que os cães têm em quantidade bem maior que os humanos: o pelo. E os dejetos resultantes são mais consistentes, menos fétidos e mais fáceis de limpar. "Rações para cães têm fibras, proteínas, aminoácidos, tudo o que o cão precisa na quantidade balanceada", explica o veterinário Alex Luciano Fernandes. "Quem dá comida caseira para o cão, por exemplo, arroz, carne, cenoura, torna mais difícil balancear os nutrientes de que o bicho precisa. O excesso de proteínas, por exemplo, resseca as fezes." Comer ração implica em outros benefícios: "O cachorro come menos porque a ração atende melhor às suas necessidades alimentares, e por isso ele faz também menos cocô."

Obviamente, educar o cão implica em recompensá-lo quando ele se comportar bem, e isso inclui dar-lhe petiscos, mas aqueles especiais, não dos nossos. (Por sinal, os seres humanos fariam bem em observar melhor os próprios alimentos, temperos e petiscos.) Chocolate, nem pensar: o cacau contém teobromina, que a partir de certa quantidade é fatal a cães e vários mamíferos (lembramos por exemplo a atriz Elizabeth Taylor, cujo esquilo de estimação simplesmente morreu após devorar meio ovo de Páscoa sozinho. "Quando eu o vi morto, eu mesma quase morri", lembrou Liz anos mais tarde. "Chocolate é perigoso não só para cachorros, mas para todos os tipos de animais"). Felizmente, hoje existem chocolates especiais para cães.

Se o cão vier filar bóia durante nosso almoço ou café, nada de lhe dar o que não deve comer, por coração mole ou para que ele nos deixe em paz, muito menos castigá-lo, afinal, pedir comida não é crime, pelo contrário, faz parte do instinto de conservação, e pedido não é roubado. Devemos conversar com ele, negando-lhe nossa comida de maneira firme, porém afetuosa, e recompensá-lo por esperar pacientemente que lhe demos um petisco adequado. O mesmo vale para ensinarmos onde o cão pode e não pode dormir, brincar, fazer o número um e o número dois e passear.

Em resumo: não queremos o melhor para nossos filhos? Pois façamos o melhor (conscientes de que é o melhor mesmo) também para nossos cães, eternas crianças de dois anos e meio, sempre prontas a retribuir o prazer e alegria que damos para eles. E o único cachorro que come comida humana (ou melhor, tranqueiras humanas) à vontade e passa muito bem é aquele dogue alemão maluco do desenho animado que passa na TV, o tão conhecido Scooby-Doo.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com

5 de maio de 2009

Educação do cão depende de seu dono

Há muitos anos, o zootecnista Alexandre Rossi leva a vida entre animais. Ele treina cães, gatos, macacos e até hipopótamos e borboletas! Claro que não é mágica. "É preciso observar o comportamento de cada animal", fala o especialista no assunto. Hoje, Alexandre é conhecido como doutor Pet, por causa do quadro que comanda no programa "Domingo Espetacular", da Record, em que ajuda os donos a ter um cão mais obediente. "Mas isso é o que faço na vida real", conta. Para Alexandre, que também é mestre em Psicologia, o sucesso no adestramento do cão depende do dono. "Não consigo resultados mudando o cachorro, mas, sim, educando o dono", diz Alexandre.


Fonte: http://www.bemparana.com.br


28 de abril de 2009

Por que cachorros abanam o rabo?

É muito comum ouvir dizer que se um cachorro está abanando o rabo não há nada com o que se preocupar porque ele está feliz e amigável. Bem, isso nem sempre é verdade.

Cachorros abanam o rabo porque estão em conflito. Eles querem ficar e sair de perto ao mesmo tempo. Eles estão felizes e nervosos ou apreensivos. Estão curiosos e com medo.

Para podermos entender como isso ocorre, vamos ver alguns exemplos observados no encontro de cachorros com cachorros e de cachorros com humanos.

Quando filhotinhos estão mamando na mãe e começam a abanar o rabo como loucos, o conflito de sentimentos reside no fato de que eles querem (e precisam) ficar grudados a teta da mãe e ao mesmo tempo estão muito próximos dos irmãos, que sendo "competidores" no acesso ao alimento lhes causa medo.

Fome x Medo = Rabo Abanando.

Quando um cachorro avista outro cachorro e fica excitado, ele começa a abanar o rabo. O conflito está na curiosidade em investigar o outro e a apreensão por uma possível agressividade. Reparem que quando um cachorro é mais submisso, seu abanar de rabo será feito com movimentos largos e o rabo em si não estará totalmente em pé. Quanto maior o medo do cachorro, mais baixo ele manterá seu rabo. Ao contrário, cachorros agressivos abanam seus rabos em movimentos curtos e rápidos, quase parados e totalmente eretos.

Quando um cachorro abana o rabo pela volta de seu dono ao lar, novamente ele demonstra um conflito entre a alegria e excitamento em rever o dono e uma pontinha de apreensão já que eles nos vêm como os líderes do grupo, do qual a sobrevivência deles depende.

Outro aspecto no fato dos cachorros abanarem o rabo é a mensagem olfativa que eles estão enviando. Os cachorros possuem glândulas anais que são capazes de emanar odores muitas vezes imperceptíveis aos nossos narizes, mas sem dúvida nenhuma bastante significante para os cachorros e seus mecanismos de comunicação. Um abanar de rabo na posição ereta irá aumentar de forma dramática a liberação destes odores, exatamente como fazem os cachorros que são confiantes.


19 de abril de 2009

Tutores agressivos geram animais agressivos

Donos agressivos geram bichos agressivos. Essa é a conclusão de um estudo feito recentemente pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que acompanhou 140 cães com problemas de comportamento. Ao investigar a origem da agressividade animal por meio de entrevistas com os donos, os pesquisadores descobriram que a maioria dos bichos havia sido "educada" com gritos, chutes, espancamento ou brincadeiras hostis, como tomar à forca objetos da boca. A meta do estudo é mostrar os efeitos comportamentais e os riscos dos treinamentos baseados em punição."Fazer com que o bicho sinta medo pode levá-lo a direcionar a agressão contra o dono", afirma a veterinária Meghan Herron, que coordenou a pesquisa.

Fonte: Revista Cláudia


(minha opinião)

Já se sabe que os amigos caninos agem por imitação, e dentre as várias classificações de agressividade existe a chamada: Agressividade por Imitação, ou seja, um cão direcionando o ato violento imposto a ele para outro ser vivo. Por exemplo, uma pessoa que sempre "educou" um Rottweiler com violência desde de novinho, e essa pessoa tem filhos ou pessoas idosas na casa, um dia esse animal direciona toda a agressividade que recebeu na sua "pseudo-educação" para um filho do educador violento. E o cão machuca gravemente essa criança, inclusive o levando a falecer posteriormente devido a gravidade dos ferimentos. Culpa do cão?

6 de abril de 2009

Apesar de mais belos, cães estão ficando cada vez menos inteligentes

A seleção de animais com base na beleza estão substituindo aqueles feitos com base na inteligência. O resultado são cães cada vez mais bonitos e menos inteligentes


Vítima da beleza


A busca por animais cada vez mais belos fez com que o collie de pelo curto perdesse parte de sua habilidades de cão pastor.

A busca por cachorros cada vez mais bonitos pode estar deixando as raças menos inteligentes, afirma um estudo realizado pela Universidade de Estocolmo, na Suécia.

Liderados pelo biólogo Kenth Svartberg, os pesquisadores notaram que a preferência por cachorros com uma bela pelagem em detrimento daqueles mais espertos provocou uma mudança em diversas raças em apenas poucas gerações.

“As tendências de cruzamento modernas estão afetando o comportamento, as habilidades mentais e a estrutura física das raças de pedigree”, afirma Svartberg.

O cientista explica que, no século 19, o cruzamento era feito entre os cães com mais força e inteligência. Eram animais criados para proteger os seus lares e serem capazes de caçar presas nos quintais e nas fazendas.

Hoje em dia, os cruzamentos das chamadas raças puras prezam principalmente pela docilidade e pelo visual. O uso dos cães também mudou: antes treinados para guardar o lar, hoje eles são criados para exibições em shows ou para viver calmos dentro de casas e apartamentos.

O resultado, segundo os pesquisadores, são cachorros com deficiência de atenção e menos capazes de responder a comandos. Para chegar a essa conclusão, a equipe de Svartberg avaliou características como sociabilidade e curiosidade de aproximadamente 13 mil cães de 31 raças diferentes.

A tendência pode ser observada na popularidade das pequenas raças, como os chiuauas e yorkshires. Como são cachorros pequenos, podem ser carregados como se fossem bolsas e mais se parecem assessórios de moda do que bichos de estimação.

Outra percepção é de que a aparência atraente dos animais está ligada frequentemente à introversão e à personalidade apagada. “Os genes por trás da beleza podem também estar ligados àqueles que fazem o cão ser medroso”, afirma o sueco.

De todas as raças estudadas, as que mais sofreram com a seleção baseada na beleza foram os collie de pelo curto, que são cães pastores, e os Rhodesian ridgebacks, raça sul-africana pouco conhecida no Brasil, que eram usados em caçadas há 100 anos atrás.


Fonte: Revista Época

26 de março de 2009

Cães. Rivais humanos para a satisfação emocional ?

Quem precisa de uma criança se um cachorro pode fornecer uma experiência emocional semelhante? Depois de brincar com os seus animais de estimação, são ativados nos humanos, hormônios ligados ao cuidado infantil, a oxitocina.

Apelidado de o "cuddle chemical" (em português: chamego químico) ou "love drug" (em português: droga do amor), o hormônio oxitocina tem entre suas funções a diminuição do stress,e o combate a depressão. Estudos em cobaias também apontam para o papel da oxitocina no relacionamento social.

Por esta razão, os biólogos Miho Nagasawa e Takefumi Kikusui, da Universidade do Japão, perguntavam-se se o contato social entre duas espécies diferentes poderiam aumentar os níveis de oxitocina.

"Miho e eu somos grandes amantes dos cães e alguma coisa muda em nossos organismos quando olhamos para nossos cãezinhos," Kikusui disse.

Olhar do amor

Eles recrutaram 55 cães e seus proprietários para a pesquisa. Ao chegarem, os proprietários, forneceram uma amostra da urina para medir os níveis de oxitocina, em seguida, brincaram com seus cães por meia hora. E após a brincadeira outra amostra de urina foi recolhida. Outro grupo ficou em uma sala com seus cães, e foram aconselhados a evitar completamente olhar para seus animais.

Como base na análise, os pesquisadores dividiram os proprietários com seus cães, que foram autorizados a brincarem em dois grupos: os de "Longo Contato Visual ", que fixavam os olhos por em média de 2,5 minutos, durante a sessão de brincadeira, e os de "Curto Contato Visual", que fizeram contato visual com menos de 45 segundos, em média. Eles descobriram que essas atividades se refletiram em alterações nos níveis de oxitocina dos proprietários.

Nos participantes que gastaram um bom tempo fazendo contato visual,os níveis de oxitocina subiram mais de 20% durante a sessão de brincadeiras, em média. No grupo que ficou numa sala evitando o olhar para seus animais, os níveis de oxitocina decresceram.

Kikusui pensa que o contato visual é uma boa ponte de ligação entre o dono e o cão. O longo contato visual teve resultados mais satisfatórios do que o curto contato visual. Uma inundação de oxitocina poderia explicar por que brincar com cães pode levantar humor, e até mesmo melhorar os sintomas de ansiedade e depressão, Kikusui disse.

A oxitocina pode ter desempenhado um papel na domesticação de lobos (cães de hoje em dia), cerca de 15.000 anos atrás. "Talvez durante o processo evolutivo, os seres humanos e cães, compartilharam os mesmos trejeitos sociais", tais como o contato visual e gestos manuais, Kikusui diz. "É por isso que cães podem adaptar-se a sociedade humana."

Ainda assim, ele acha que a oxitocina poderia explicar porque alguns proprietários parecem mais dedicados aos seus cães do que as suas famílias.

Fonte: http://www.newscientist.com


(minha opinião)

Já acompanhamos rotineiramente no meio cientifíco, e até no dia a dia, os animais de estimação sendo utilizados no tratamento de vários distúrbios psicológicos entre os humanos também sendo utilizados em pacientes de doenças terminais. Já era de se suspeitar o envolvimento de hormônios ligados ao bem estar. E a felicidade, como já está sendo amplamente discutido no meio médico, é um fator excepcional na cura. Acreditem, nossos animais são grandes aliados em qualquer tratamento de saúde.

25 de março de 2009

Cão assassino? Ou não sabemos lidar com ele?

Qual é o cão mais feroz do mundo? Pensou nas raças pitt bull ou rottweiller?

Então errou. De acordo com uma pesquisa feita pela publicação científica Applied Animal Behavior Science, e divulgada pela BBC, o cão mais feroz do mundo é o dachshund, mais conhecido como "cão salsicha".

Segundo a pesquisa, um entre cinco "salsichas" já tentou atacar ou atacou estranhos, e um entre 12, já avançou nos próprios donos.

O levantamento, feito com 6 mil donos de 30 raças de cães direfentes, constatou que as raças com mais tendência a atacar humanos são dachshund e chihuahua. Já os cachorros menos agressivos são os das raças golden retrievers, labradores, são bernardos, britanny spaniels e greyhounds.

As raças mais temidas, comos os pitt bulls e rottweillers, ficaram na média de agressividade canina contra estranhos. A má fama destas raças se dá ao fato de os ataques destes cães causam ferimentos mais graves, dizem os especialistas.

E apesar de toda imponência das raças maiores, os pequenos cães costumam ser os mais agressivos.

O que diferencia a pesquisa publicada pela Applied Animal Behavior Science das demais, é que ela não associa a agressividade canina necessariamente à mordida, informou a BBC.

Confira as dez raças mais ferozes:

1. Dachshund
2. Chihuahua
3. Jack Russell terrier
4. Akita
5. Pastor australiano
6. Pit bull
7. Beagle
8. Springer spaniel inglês
9. Border collie
10. Pastor alemão

Fonte: Applied Animal Behavior Science


(minha opinião)

Observo todos os dias as pessoas lidando com seus cães, tanto na rua quanto no meu trabalho. É muito triste constatar que na grande maioria dos casos a pessoas não compreendem em nada seu cão. Criam verdadeiros cão mimados. Cães que vão ao pet toda semana, tomam banhos com os melhores produtos, são escovados diariamente, as vezes a pessoas não deixam nem o cãozinho colocar a pata na rua, só andam no colo. Esses cães geralmente tomam conta da casa, suas vontades são todas prontamente atendidas, por exemplo, deitam no belo sofá e não deixam ninguém sentar, se tentar tirar ele do conforto pode ter certeza que vai tomar uma "dentada". Verdadeiro "generais" das casas, animais que as vezes não pesam nem 5kg dominando um grupo inteiro de seres humanos. E muita gente acha isso normal, e pior, reforçam o comportamento agressivo. Tentam acalmar o cachorrinho fazendo carinho enquanto ele rosna a ponto de morder quem chegue perto. Meus amigos, a psicologia canina é diferente, na cabeça do cãozinho quando ele rosna e você faz carinho pra tentar acalmá-lo, pra ele, é como se você estivesse dizendo que é muito legal esse comportamento. E conforme a repetição desse "adestramento" é feita, a situação só piora. E isso é só um dos inúmeros exemplos de atitudes a não serem tomadas. Cães vivem necessitam de limitações, precisam sentir que são os convidados nas nossas casas, e não o anfitrião. E existem animais que trazem na sua bagagem genética o comportamento de dominante, que podem se tornar perigosos quando não se tem limites desde de filhote. Se a pessoa não compreender nada de psicologia canina, não souber como funciona a cabeça do cão pode ter certeza que irá ter problemas, não tenho dúvidas. Procure um profissional qualificado que realmente entenda de comportamento canino, para que te oriente no sentido de adquirir um cãozinho para sua realidade, ou de orientar no caso de já ter um cão em casa e o mesmo estiver causando problemas. Tenho certeza absoluta que sua visão em relação aos cães irá se modificar bastante, e conseqüentemente o relacionamento entre você e o seu melhor amigo irá melhorar e muito.

24 de março de 2009

Raça do Scooby-Doo é a que mais estraga a casa, diz pesquisa

Os cães da raça dogue alemão – conhecidos pela estatura alta - são os mais destrutivos, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira em Londres.

A sondagem, realizada pela empresa de seguros esure, entrevistou 3 mil donos de cachorros para identificar qual raça causava mais estragos em casa.

Os cães da raça dogue alemão, também conhecida como dinamarquês, apareceram em primeiro lugar no ranking dos mais destrutivos, e a estimativa é que os donos de cães dessa raça gastem cerca de £669 (R$2 mil) durante a vida do animal em reparos na casa.

Curiosamente, a raça chihuahua – a menor do mundo – apareceu em segundo lugar, com uma estimativa de gastos de £638 (R$1910) com os estragos causados pelos cães.

“O mais surpreendente é que o pequeno chihuahua ficou na segunda posição. É impressionante que a menor das raças pequenas possa causar tanta destruição”, disse Mike Pickard, chefe de risco e subscrição da esure.

Em terceiro e quarto lugar apareceram, respectivamente, as raças mastiff e basset hound. Em quinto ficaram os cães da raça whippet.

Estragos

De acordo com a pesquisa, os estragos mais comuns provocados pelos dogues alemães são arranhões nas portas e rasgos nos sofás e poltronas.

Já os chihuahuas estragam a casa ao mastigar pedaços de sofás e almofadas, enquanto os mastiffs e os basset hounds mastigam pedaços da porta.

A sondagem identificou ainda os estragos mais comuns entre as diversas raças são arranhões nas portas, manchas em carpetes e roupas destruídas.

Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados afirmaram que seus cães causaram a maior parte dos estragos enquanto ainda eram filhotes, mas 14% declararam que tiveram que lidar com os estragos durante a vida adulta do cão.

Pickard afirma que há algumas formas de reduzir o comportamento destrutivo dos cachorros.

“Para ajudar a minimizar o comportamento destrutivo dos cães, os donos devem lembrar de treinar os animais desde quando são filhotes, manter a boa saúde através de consultas ao veterinário e fazê-los praticar bastante exercício. Um cachorro entediado é quase sempre um cachorro destrutivo”, disse.

Fonte: www.bbc.com.uk


(minha opnião)

Destaque para o último parágrafo. O treinamento com os cães, para maior eficiência, deve ser o de forma profilática, ou seja, prevenir comportamentos indesejáveis no futuro. De que forma?

1° - Certificar-se que o nível de energia da raça seja compátivel com seu tempo disponível, para se dedicar aos exercícios e educação do cão. Se não tiver tempo disponível para o cão é melhor escolher outro animal de estimação que não necessite de tanta interação.

2° - Ao trazer o cãozinho pra casa, a partir dos 2 meses, contratar um profissional habilitado para lidar com Comportamento Canino, que difere do adestramento de truques. Esse profissional irá trabalhar de maneira que se possa prevenir problemas futuros.

3° - E principalmente oferecer muito exercício ao seu amigo! Lógico que cada animal tem uma energia diferente, e ainda devemos respeitar os horários em que o sol está muito forte. Os cães na natureza percorriam vários quilômetros todos os dias. Esse animais tem na sua genética a necessidade de caminhar. E não pensem que um quintal enorme é suficiente para eles. Necessitam de estímulos novos, de locais diferentes dos que já conhecem rotineiramente. Lembre-se: Cão feliz é cão cansado!

23 de março de 2009

Cães podem 'ler emoções' como humanos, diz estudo

A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Lincoln, na Inglaterra, e publicado na revista acadêmica Animal Cognition.

Segundo a reportagem da New Scientist, quando olhamos para um rosto que vemos pela primeira vez, temos a tendência de olhar primeiro à esquerda, para o lado direito do rosto da pessoa.

Isso só acontece quando olhamos para o rosto humano, e não para outros objetos. A revista diz que não há ainda uma explicação definitiva para isso, mas uma teoria é que o lado direito do rosto expressa melhor as emoções humanas.

Agora, o estudo dos pesquisadores britânicos afirma que os cães também têm o mesmo comportamento.


Rosto invertido


A equipe mostrou a 17 cães imagens de faces humanas, de cães e de macacos e também objetos inanimados.

Ao filmar os movimentos dos olhos e das cabeças dos animais, a equipe descobriu que, quando olhavam para o rosto humano, os cães também direcionavam o olhar à esquerda, para o lado direito da face.

O mesmo comportamento não foi verificado quando os cães olhavam para as outras imagens.

Segundo a reportagem, os pesquisadores sugerem que, depois de milhares de gerações de associação com os homens, os cães podem ter desenvolvido o comportamento como uma forma de identificar as emoções humanas.

No entanto, quando os cães olharam para um rosto invertido, com a testa para baixo, os animais ainda assim olhavam à esquerda. Já os seres humanos abandonam o comportamento quando estão diante da imagem de um rosto invertido.

Segundo a reportagem da New Scientist, os pesquisadores afirmam que isso não descarta a teoria de que os cães estão lendo as emoções humanas.

A explicação estaria no fato de que o lado direito do cérebro do cachorro - que processa informação do campo visual esquerdo - está melhor adaptado para interpretar a face humana e que os animais não teriam como adaptar isso.


Mistério


Ainda segundo a reportagem da New Scientist, trabalhos complementares realizados pelos pesquisadores britânicos concluíram que a tendência de olhar à esquerda entre os cães é muito mais forte quando se deparam com um rosto aparentemente bravo do que com um neutro ou feliz.

Mas nem todos pesquisadores estão convencidos de que o novo estudo oferece provas suficientes de que os cachorros podem, de fato, "ler" as emoções humanas.

O especialista Adam Miklosi, da Universidade Eotvos Loránd, em Budapeste, na Hungria, diz que o trabalho é interessante, mas que ainda é um mistério como os cães "entendem" o rosto humano.

"Os cães podem ser capazes de reconhecer o rosto do dono, mas não há evidência de que podem reconhecer a emoção facial humana", disse Miklosi à New Scientist.


Fonte: http:\\www.bbc.com.uk


(minha opinião)

Os cães estão evoluindo e se adaptando a sobreviverem na nossa sociedade já a milhares de anos. Então muito natural que dentro da grandiosidade inteligência da mãe natureza, no que diz respeito a evolução, os cães criem mecanismos de adaptações que os levam a terem maior capacidade de sobreviver com a realidade que nós humanos de uma certa forma impomos. Portanto não vamos confundir que o cão está "virando gente", pois a realidade deles é bem diferente. Os cães são animais com necessidades diferentes das nossas, enxergam o mundo de uma maneira peculiar. E quando impomos realidades para nossos amigos para simplesmente satisfazermos nossos enormes egos estamos desreispeitando esses animais. Cão não é humano. Devemos nos informar o máximo possível sobre comportamento canino, e assim, dessa maneira, podermos oferecer para nossos amigos uma vida saudável dentro da sua realidade, e não dentro da nossa. Isso é amor.