10 de abril de 2010

Os cães não oferecem proteção contra a solidão

Forte apego ao animal de estimação pode até mesmo aumentar o risco de causar depressão no ser - humano.

Um novo estudo canadense considera que os tutores de cães que vivem sozinhos, e têm pouco contato social humano, na verdade são tão solitários quanto seus colegas cães nas mesmas circunstâncias.

Talvez ainda mais surpreendente, os pesquisadores da Universidade de Carleton, em Ottawa fizeram uma constatação ainda mais surpreendente: essas pessoas que recorrem a cães ou gatos para amenizar esse sentimento correm mais risco de se sentirem sozinhas e desenvolverem depressão. Os autores do estudo explicaram que os animais não são pessoas, e não podem compensar a falta de relações humanas.

"A presença de um pet na vida das pessoas não é bem aquilo que pensávamos", disse o co-autor Timothy Pychyl, um professor associado de psicologia na universidade.

"Muitas pessoas vão dizer:" Se você está se sentindo só adquira um cachorro para te fazer companhia. Mas a pesquisa indica que os animais não irão resolver o problema de solidão, assim como acreditamos que eles fazem”. Se você não tem contato social humano, ainda sim vai ficar com sentimento de solidão.“

Entre 1941 e 2006, o percentual de pessoas que vivem sozinhas no Canadá subiu para 27 por cento a partir de seis por cento.

Na pesquisa, foram avaliados aqueles que viviam só e possuíam cães ou gatos, e os desacompanhados até de um animal de estimação. Os pesquisadores descobriram que quem tinha um animalzinho e também uma vida social ativa era realmente menos solitário em relação aos que moravam totalmente sozinhos. Já quem tinha a companhia de um pet, mas sofria a falta de uma rede social, era ainda mais propenso a se sentir solitário e depressivo, em comparação com as pessoas isoladas e que não tinham pets.

Portanto, mesmo sabendo que os animais sempre vão nos dar uma “pata amiga”, não podemos depender apenas deles. A pesquisa indicou que os pets não preenchem tanto esse vazio como nós pensávamos, e sem o apoio de outras pessoas vamos continuar nos sentindo incompletos.

Fonte: http://www.montrealgazette.com

7 de abril de 2010

Olhar de culpado do cão? Será?

Os tutores que pensam que seu cão tem um olhar de "culpado" quando fazem algo “errado” estão enganados, segundo um novo estudo.

Por Kate Devlin

As expressões de coitado, ou culpado que alguns acreditam podem detectar no rosto dos cães, principalmente depois de dar uma bronca nele é uma invenção da imaginação, segundo os cientistas.

Em um experimento, disseram aos tutores do animal de estimação, que os seus cães, eram culpados do comportamento inadequado por roubar guloseimas que tinham sido proibidas de serem consumidas.

Mesmo que os cães fossem inocentes as pessoas ainda sim identificavam o famoso “olhar de culpa” nos animais.

Os pesquisadores insistem em que não há base científica alguma na opinião dos tutores que dizem poder identificar através do olhar de seus cães que os mesmos foram os culpados.

“Essa interpretação é apenas uma projeção dos valores humanos para os animais”, eles disseram.

Alexandra Horowitz, um professora adjunta no Barnard College, em Nova York, que realizou a pesquisa, disse: "A descoberta de um alimento roubado, ou de qualquer outro ato que não é permitido, muitas vezes é seguido imediatamente por repreensões, seja gritando ou física. E não é surpreendente que os cães associem qualquer tom acusatório com esse evento, sendo ou não culpado. E desencadeia nesses animais um comportamento submisso preventivo. Que a grande maiorias das pessoas interpretam como um olhar de culpado.”


(minha opinião)

No meu dia a dia é comum escutar dos meus clientes as mais diversas interpretações do que acreditam que seus cães estão pensando e fazendo. Sempre escuto com muita atenção, mas na grande maioria das vezes são interpretações extremamentes humanizadas. As pessoas enxergam em seus cães um membro da família, o que não deixa de ser, mas não é legal interpretarmos as atitudes caninas dentro da nossa psicologia humana. Os cães são animais diferentes de nós e tem suas particularidades, mesmo com o convívio tão próximo que temos a tanto tempo.

Alimentamos falsas expectativas em relação ao comportamento canino quando achamos que os cães são “pessoinhas peludinhas”, e ficamos frustrados quando surge algum comportamento incompatível com a rotina da família. E não duvidem que uma das maiores causas de abandono de animais na ruas é devido a esse desconhecimento que as pessoas possuem sobre o que é o comportamento normal de um cachorro. O desconhecimento do comportamento normal canino leva muita das vezes as pessoas a criarem verdadeiros “monstrinhos” de quatro patas. E qual é a solução quando o comportamento fica insuportável? Abandonar o cão na rua ou doar para algum conhecido corajoso que goste muito de animais. Sendo que a melhor solução seria a pessoa buscar conhecimento prévio do animal que está adquirindo através de literaturas confiáveis, ou contratar um profissional qualificado, e principalmente atualizado, que a oriente sobre educação canina.

Os reforços positivos indevidos em horas impróprias, na minha opinião, são umas das maiores causas de problemas de comportamento no cão. Para evitarmos isso vamos buscar conhecimento sobre nossos amigos peludos. Não se deixem atingir pela força da comodidade. Se gostarem realmente de cães informe-se, busquem ajuda profissional. Tenho certeza que nossos amigos cães ficarão agradecidos se nos esforçamos para entendê-los realmente como eles são, e não interpretarmos eles do jeito que achamos que é.

Interpretações humanizadas do comportamento canino podem levar nossos amigos peludos a terem uma vida infeliz.

6 de abril de 2010

Por que vestimos animais como gente?

Quantas vezes você teve que ver as fotos do Chihuahua da sua tia vestido com roupinhas de gente? Uniformes de policial, vestidos, fantasias? Agora você pode finalmente entender porque vestimos animais como gente.

Segundo psicólogos, sabemos o que nos torna um ser humano nos termos biológicos, mas psicologicamente, ficamos confusos. De acordo com uma pesquisa recente, não atribuímos características humanas somente por que alguma coisa age como uma pessoa, mas para nos sentirmos em controle do ambiente que nos cerca.

Por anos, especialistas estudaram o que é conhecido como antropomorfismo: será que é certo achar que o Pinscher de sua tia tem mais qualidades humanas do que um outro bichinho qualquer ou, até mesmo, do que a torradeira?

O estudo pedia que voluntários descrevessem objetos com qualidades humanas e que outros voluntários falassem dos mesmos objetos com características específicas e frias. Depois uma análise foi observado que aqueles que descreviam o objeto como “humano” o entediam melhor do que aquelas que faziam uma descrição superficial.

Daí a conclusão que o antropomorfismo acontece para que tenhamos uma maior compreensão do mundo que nos cerca.

A solidão é outra causa do antropomorfismo. Temos a necessidade de nos conectar com outros humanos. Quando isso não acontece formamos conexões com não-humanos mesmo, sejam animais (como aquelas pessoas que chamam seus animais de filhos) ou a TV. Infelizmente o oposto também é verdadeiro. Quando as pessoas têm muitas conexões com os próprios humanos elas tendem a “desumanizar” animais e não tratá-los tão bem.

Fonte: http://www.livescience.com

1 de abril de 2010

Adestramento: existe idade ideal?

Por Alexandre Rossi (Dr. Pet)

Muita gente me pergunta se há uma idade certa para adestrar os cães. Existe um mito que diz que é preciso esperar o filhote completar seis meses para começar a adestrar, mas os cachorros não começam aprender só nesse período… Eles podem ser adestrados já a partir dos 50 dias de vida. O fato mais importante é que os cães aprendem o tempo todo, independentemente da idade! Com ou sem a ajuda de um profissional, é preciso ensiná-los sempre.

Uma outra questão bem comum: cães mais velhinhos podem aprender? A resposta correta é: sim! Independente da idade, os cachorros podem ser ensinados! É exatamente igual a nós, seres humanos, que podemos aprender coisas novas, mesmo sendo idosos.

Agora que vocês já sabem mais essa curiosidade, não deixem de ensinar seu bichinho!


(minha opinião)

Em todos os meios que lidam e dependem de atualizações constantes dos profissionais, infelizmente, a grande maioria é daqueles que se sentem confortáveis em ficar parados no tempo.

A ciência está sempre avançando e fazendo descobertas, e devemos estar sempre atentos às mudanças. Principalmente dentro de uma área que envolva vida e saúde o profissional deve constantemente manter a cabeça aberta para as novas idéias e teorias que surgem todos os dias.

Vejo todos os dias as pessoas tão mecanizadas e confortáveis em continuar a fazer o que fazem há anos que realmente esquecem que estamos em um mundo de descobertas e mudanças.

Portanto para responder uma das questões mais polêmicas no meio de quem trabalha com comportamento canino, adestramento ou qualquer outra vertente resolvi humildemente acrescentar ao texto assertivo do excelente profissional Alexandre Rossi, algumas referências de estudos seriamente envolvidos com comportamento canino. Assim nos indicando um caminho, segundo a ciência, que deveríamos seguir quando lidamos com aprendizado dos cães.

A seguir os textos retirados e a referência bibliográfica:

“O aprendizado estável começa com 8-9 semanas de idade nos cãezinhos, que é seu período mais sensível. A capacidade de aprendizado básica se desenvolve aos 3 meses de idade, mas capacidades motoras fracas, uma extensão de atenção curta e uma excitabilidade emocional podem tornar métodos tradicionais inefetivos. Se os cãezinhos forem colocados em isolamento nessa idade, ocorrerá uma deteriorização na sua capacidade de aprender comportamentos novos e uma diminuição na retenção de algum comportamento anteriormente aprendido. Os ambientes enriquecidos proporcionam um crescimento emocional melhor do que os restritos. Com 4 meses de idade, a velocidade de formação dos reflexos condicionados começa a diminuir, talvez porque o aprendizado anterior começa a interferir no aprendizado novo. O treinamento de obediência tradicional é freqüentemente adiado até os 6 meses de idade ou mais. Os cãezinhos são capazes de aprender lições curtas e focalizadas antes disso, mas as técnicas padronizadas são baseadas em um manual de adestramento da I Guerra Mundial que utiliza uma técnica de enforcador e corrente que não é apropriada para cãezinhos mais jovens.”

Fonte: Canine Behavior: A Guide for Veterinarians – Bonnie V. Beaver, DVM, MS, Dipl ACVB – Professor e Chief of Medicine Departement of Small Animal Medicine and Sugery College of Veterinary Meidcine Texas A&M University College Station, Texas

No meu trabalho, constantemente, converso e conscientizo proprietários a agirem na prevenção de futuros problemas comportamentais, pois dessa forma se evita dores de cabeça ao longo do desenvolvimento canino. O cãozinho com 50 dias está com o cérebro apto ao aprendizado, se esperar até os 6 meses de idade muita coisa já foi absorvida e inserida em seu comportamento, tanto coisas ruins quanto boas. E prevenir um problema é muito mais simples e inteligente do que esperar pra depois ver o que fazer. O tratamento e o descondicionamento de um mau hábito é muito mais trabalhoso.

Portanto ao adquirir um filhote tenham em mente que o aprendizado do cão começa cedo, procurem informações em literaturas confiáveis ou procurem um profissional especializado e atualizado.E não um com técnicas da época da I Guerra Mundial, que não é adequada nos dia de hoje de forma alguma. Dessa maneira, o profissional atualizado, poderá orientar de forma assertiva de como proceder na educação do seu amigo.

28 de março de 2010

Excesso de peso faz mal a cães e gatos

Karina Klinger;  free-lance para a Folha

Considerada epidêmica entre os homens, a obesidade está começando a se tornar preocupante também no reino animal pelo menos entre os cães e gatos urbanos de estimação. Segundo relatório com mais de 400 páginas do Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, divulgado no mês passado, um quarto dos cães e gatos do mundo ocidental carregam quilos extras. Estima-se que 40% dos cães americanos e 20% dos brasileiros estejam com sobrepeso.

A obesidade animal é semelhante à humana em causas, consequências eles também correm um risco maior de sofrer de problemas cardíacos e articulares, colesterol alto, diabetes e câncer, por exemplo e tratamento. A grande diferença é que os cachorros e os bichanos não escolhem seu estilo de vida. Tornam-se sedentários e comem de maneira errada por causa de seus donos.

Como na obesidade humana, os distúrbios hormonais são exceção entre os cães e gatos com excesso de peso --apenas 5% dos casos, diz a veterinária Viviani di Marco. A maioria é causada por uma alimentação desbalanceada. Ela já atendeu cães com mais de 10 kg de sobrepeso que consumiam bolos e refrigerantes. Segundo Marco, muitos donos excedem na alimentação por falta de conhecimento. "Poucos sabem que a ração atende às necessidades nutricionais do animal."

Para a veterinária Marcia Jericó, coordenadora do Obezoo, grupo que estuda a obesidade em cães na Universidade Santo Amaro (SP), petiscar é um dos maus hábitos dos animais obesos. "Um biscoito canino, por exemplo, pode ter 100 cal, o que corresponde a 1/3 das necessidades diárias de um cão com até 5 kg.

Tanto em cães como em gatos, a gordura costuma concentrar-se no pescoço, ao longo das costelas e nas costas. Eles perdem a cintura e tornam-se roliços. "Visto de cima, o corpo do cão perde o formato de uma ampulheta, e as costelas desaparecem no meio da gordura", afirma Jericó.

Um exame clínico geralmente é suficiente para diagnosticar a obesidade. "Usamos uma técnica de apalpação do corpo do animal", explica o professor Aulus Carciofi, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Jaboticabal.

Tratamento

Existem tabelas de peso para as várias raças felinas e caninas, mas as variações dentro de uma mesma raça impedem que se estabeleçam padrões rígidos de consumo calórico. Por isso cada animal precisa de uma dieta sob medida, que pode incluir ração light ou especial para obesos.

A não ser que alguém esqueça um pacote de biscoitos ou uma lasanha ao alcance do animal, cães e gatos não têm como fugir da dieta. O sucesso do tratamento, portanto, depende das pessoas que convivem com o animal.

A dona-de-casa Hilda Amano não resistia ao olhar "pidão" de Picaxu, um vira-lata de quatro anos. Resultado: o cão, que deveria pesar 15 kg, chegou a ter 28 kg. "Além de ração, ele sempre comeu o que nós comíamos: macarrão, bolo de chocolate, pães e até refrigerante", diz ela.


Uma bronca do veterinário fez Amano adotar uma dieta para o cachorro. Apesar de já ter emagrecido 8 kg, ele continua de regime e come só ração para cães obesos e salada.

Diferentemente de Amano, os pais do corretor de imóveis Antonio Escobar Filho não conseguem deixar de paparicar Gordo, 11, descendente de boxer e weimaraner. O cão foi morar com eles depois que Escobar, seu dono, mudou para um apartamento. "A gente até tenta mantê-lo em dieta, mas meu pai não resiste."

A tendência à obesidade se manifestou cedo: o cão ganhou esse nome porque mamava demais quando era filhote. Hoje, ele pesa 50 kg, 20 kg a mais do que deveria e continua comendo tudo que a família consome. Gordo pode, pelo menos, correr pelo quintal, mas muitos gatos não têm essa sorte. É da natureza dos felinos dar escapadinhas sem coleira.

Uma das formas de protegê-los de maus-tratos e acidentes é mantê-los dentro de casa. Associado a dietas inadequadas, o sedentarismo estimula o ganho de peso.

Zé Billy e Paco Mio, ambos com quatro anos, pesam, respectivamente, 5,3 kg e 6,6 kg, mas não deveriam ultrapassar os 4 kg cada um. "Já tentei de tudo, mas é difícil. Eles não gostaram da ração light", diz a aposentada Guida Petronilho, que, além da ração convencional, dá a eles requeijão pela manhã, fatias de peito de peru ou presunto ao longo do dia e patê especial para gatos à noite. Uma vez por semana, os bichanos são presenteados com sardinha, atum ou frango. Eles continuam saudáveis, mas já começaram a perder a agilidade.