20 de março de 2011

Cães que comeram os dedos de seus tutores: altruístas, ou simplesmente com fome?

Em agosto de 2010, um Jack Russell Terrier em Michigan, se destacou na imprensa norte americana por mastigar e comer um dos dedos do pé de seu tutor que encontrava-se desmaiado e bêbado. No hospital, na manhã seguinte, os médicos descobriram que o homem tinha diabetes, seu dedo estava completamente necrosado, e o ato de Kiko pode ter salvado a vida do seu tutor.

Uma história estranha na verdade, mas não tão estranha para que se repita. Semanas atrás em 2 de março, um homem de Oregon, E.U.A., também diabético, teve seu dedo mastigado por seu cão.  Os dedos estavam dormentes e com gangrena - desta vez, três deles - enquanto ele dormia. De acordo com Lee Bartolomeu, responsável pelo controle animal local, o cão estava "agindo em seu instinto para ajudar a remover o dedo com problemas."

Mas os cães realmente têm um instinto que lhes diz para amputar a carne necrosada ​​e prejudiciais de seus tutores? Ou, pelo contrário, são apenas oportunistas esperando pelo dia em que seu corpo e membros fiquem dormentes para que eles possam devorá-los como um petisco na calada da noite? Mais de 77 milhões de cães são mantidos como animais de estimação nos E.U.A., com certeza essa é uma questão para se perguntar.

"Eu tive um interesse por esse assunto há muito tempo", Nicholas Dodman, um importante veterinário comportamentalista e professor da Cummings School of Veterinary Medicine na Tufts University, falou com a Life's Little Mysteries.  Dodman tem cinco livros publicados sobre  comportamento de cães e gatos, incluindo o best-seller “If Only They Could Speak” (W.W. Norton & Co. 2002 "(Se eles pudessem falar).

"Às vezes, os cães parecem ser altruístas, mas é uma tarefa difícil de se provar . O fato principal é que a necrose dos dedos, provavelmente, tinha um cheiro atraente para o cão que naturalmente se alimenta de carne morta ", disse Dodman . Eu não acho que foi altruísta. O cão não sabia que estava necrosando e tentou ajudar o proprietário. Era só cheirar e comer. Um cão possui um sentido de olfato absolutamente extraordinário", disse Dodman. "Segundo alguns artigos os cães têm um bilhão de células olfativas no focinho , em comparação com os nossos 12 milhões. Cães sabujos têm ainda mais, e pode até mesmo sentir a diferença entre odores de gêmeos idênticos. Eles certamente sentem o cheiro quando há algo estranho, como um dedo necrosado ou um tumor. Este cão mastigou algo que cheirava diferente, mas afinal era a carne.”

"Não houve reação durante o ato, já que a pessoa estava praticamente em coma", acrescentou Dodman.  “Então, o cachorro continuou mastigando e comendo. Os cães não estavam se comportando mal de propósito na verdade, um estudo recente mostrou que os cães provavelmente não entendem o mau comportamento como um conceito separado de punição. Os cães nesse caso estavam comendo e não estavam sendo punidos, não estavam se sentindo culpados. Eles só estavam com fome”.

"Se alguém com um animal de estimação morre em sua casa, há uma chance razoável de que o cão irá comer parte dessa pessoa", disse Dodman.

Fonte: www.livescience.com

17 de março de 2011

Agressividade Canina

Primeiramente para que se possa compreender a agressividade canina é olhar para aquela “bolinha de pelo”, esteticamente linda e fofinha, e lembrarmos que na verdade se trata de um animal com suas características próprias, com um sistema de linguagem peculiar e, antes de tudo, um predador. Independente do porte do animal a agressividade está presente, logicamente que quanto maior o cão mais evidente ela se tornará. Entre um ataque de um Rotweiller e o de um York-Shire Terrier qual causará maiores danos? E logicamente a imprensa irá notificar um ataque de maior dano e ficamos com a impressão que os pequeninos não são perigosos quando se tornam agressivos. Será? Pesquisa nos E.U.A. identificam as crianças menores de 12 anos como 70% das vítimas de ataques de cães. Números bem significativos e alarmantes, pois nossos filhos são potencialmente um grupo de risco, e mesmo os menores dos cães podem infligir um ataque causando lesões sérias numa criança. Em pesquisa realizada nos E.U.A. sobre relatos de ataques de cães entres os anos de 1965 e 2001 há um caso de ataque seguido de morte provocado por um Lulu da Pomerânia em um bebê. Em nosso país tivemos um relato no ano de 2009 de uma criança de 10 anos que foi sujeita a uma complicada cirurgia de reconstituição do pênis, que foi mutilado pelo cão da família, um Poodle, quando o menino tinha apenas 6 meses de vida.

Raças Agressivas? Genética?

Podemos colocar a culpa somente na genética ou mesmo nas raças potencialmente mais perigosas? Segundo o pesquisador Joaquín Pérez-Guisado, veterinário e pesquisador da Universidade de Córdoba, na Espanha, não. Em um estudo realizado por ele e sua equipe, no ano de 2009, onde se avaliou quais motivos levam os cães a serem agressivos, os proprietários sem conhecimentos reais sobre comportamento canino são os maiores responsáveis. Ainda nesse estudo são identificados os fatores que levam o cão a ser agressivo: posse de um cão pela primeira vez; não procurar auxílio para submeter o cão a regras de obediência; mimos; não utilizar punições quando necessário; comprar um cão como presente; adquirir um cão de guarda; adquirir um cão por impulso; cães sem ou com pouca atividade física; deixar o cão com um fornecimento constante de alimentos. Pérez-Guisado ainda afirma: “Fatores característicos em cães agressivos como: raças específicas; machos; idade de 5 a 7 anos são de efeito mínimo sobre o comportamento agressivo do animal. Os fatores ligados as ações do proprietário é o mais influente.” 

Prevenção é a Solução

Existe já uma preocupação enorme na Europa e nos E.U.A. quanto à agressividade canina, pois já é reconhecido como um problema sério de saúde pública. E o Brasil não foge da regra. É preciso que se tenham algumas considerações antes de trazer pra casa um cãozinho. Basicamente é procurar auxílio profissional capacitado em comportamento canino, para que direcione e prepare a família, a prevenir futuros comportamentos indesejados no cão. Outra regra simples é a questão de tempo disponível para suprir as necessidades básicas do animal, e, a caminhada, está entre elas. Agora, se já possui um animal agressivo, é melhor procurar ajuda de um profissional habilitado a diagnosticar o tipo de agressão e posteriormente indicar o melhor tratamento e manejo. Em alguns casos não existe um tratamento funcional, e sim a educação das pessoas próximas à lidar com os riscos e assim apenas diminuir as chances de ataques trabalhando com regras de segurança. Os adultos, e principalmente as crianças, deveriam ser ensinados a lidar com os cães com o respeito devido, como, por exemplo, evitar contato visual e sempre deixá-los cheirar antes de qualquer interação. Orientar as crianças a não abordar um cão desconhecido deve ser uma regra, como também correr, gritar e brincar com qualquer cachorro, ao menos que estejam sobre estrita supervisão. Lembre-se que o maior número de ataques é de cães da própria família, e em alguns casos considerados pacíficos por pessoas próximas. Não perturbar um cão enquanto dorme, se alimenta e descansa, evita também acidentes. Independente do porte do animal, pequeno, médio ou grande há possibilidade da agressividade surgir, e mesmo um cãozinho mini é capaz de causar graves ferimentos.

Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)

7 de junho de 2010

Relatos dos tutores sobre problemas de comportamento dos seus cães

Resolvi postar o texto na integra no qual colaborei para a reportagem do Jornal A Gazeta de Vitória - ES, no domingo dia 6 de junho de 2010. Achei interessante pública-lo como forma de complementar a matéria, já que o espaço foi insuficiente para abordar o tema segundo minha visão profissional na integra.

A matéria consistiu no relato de leitores do jornal acompanhada de possíveis soluções abordadas por profissionais sobre problemas comportamentais de seus cães. O link para a reportagem no jornal:


A seguir o texto completo que enviei para a repórter do jornal:

Devido a dados insuficientes e o intuito de se fechar um diagnóstico comportamental, dentro de uma abordagem veterinária, de forma completa e assertiva, as análises e soluções aqui apresentadas são possibilidades baseadas no que foi descrito pelos tutores dos cães.

Relatos e análises:

Tutor 1: “...não come mais ração só quer aqueles salames de cachorros...”

Assim como nos humanos, os cães têm preferências alimentares, e quando se apresenta algo mais palatável do que a ração, de forma não restrita, há enormes possibilidades de que o cão tenha maior preferência pelo alimento mais saboroso. Outra possibilidade é o consumo calórico diário ser preenchido por outros itens alimentares, portanto na hora de comer a ração o animal está saciado. Isso é prejudicial para o animal, já que a ração de boa qualidade possui todos nutrientes essenciais para manutenção da sua saúde. Uma das soluções seria a de diminuir os petiscos de forma drástica, e introduzi-los somente misturados com a ração. E bem lentamente ir retirando até que se chegue à ração pura ou com uma proporção menor de petisco relacionado ao alimento principal.

          “...se sento no sofá ela pede para subir se deito na cama ela pede, e se não pegar ela fica latindo e eu claro cedo as suas chantagens, dorme comigo ou com minha filha...”

Cães são animais de hábitos sociais, e conhecem seus tutores mais do que se pode imaginar, com isso percebem oportunidades de estabelecerem comunicação com as pessoas, e conforme há sucesso nas tentativas agregam esse comportamento. No caso descrito a Pincher percebeu, inteligentemente, que ao latir tem o que deseja. Então utiliza o latido como forma de expressar suas vontades, e quando não são atendidas insiste pois certamente sempre obteve sucesso dessa forma. Deve-se ignorar os latidos completamente, e quando o cão desistir substituí-lo por outro comportamento como, por exemplo, ensiná-lo a sentar sempre antes de fazer suas vontades. Esta seria uma solução eficiente a longo prazo.

Tutor 2: “...passa o dia e a noite catando tudo que acha pela casa e carregando pra outro lugar...”

Normalmente o cão acompanha a rotina da casa, ativo durante o dia e dormindo a noite. Quando há atividade noturna exagerada, e comportamentos que se tornam compulsivos ou repetitivos, como o da Milla, há indicativo de baixo nível de atividades físicas e mentais na rotina do animal. Pode estar ocorrendo também um comportamento de busca de atenção, em que o cão percebeu algum tipo de interação com os tutores, mesmo que seja uma bronca. Atividades físicas ao ar livre diárias, como uma boa caminhada, e fornecimento de brinquedos inteligentes para cães ajudariam a auxiliar o problema a primeira vista.

Tutor 3: “...chora horrores quando estamos a mesa almoçando pedindo comida e quando saímos de casa.”

Mais um caso em que o cão encontra um meio de comunicação com os tutores, nesse caso foi ensinado inadvertidamente para o Sansão que ao “chorar” sua vontade será prontamente atendida. Não ceder suas vontades durante as refeições na mesa e fornecer brinquedos liberadores de petiscos somente nesses momentos, talvez ajudasse a distraí-lo e resolveria ou diminuiria a intensidade do comportamento com o tempo.

Baseado no relato em específico, a princípio, o ato do cão “chorar” quando se encontra sozinho é indicativo de insegurança. Um diagnóstico mais detalhado talvez indicasse Ansiedade por Separação, que é um transtorno ligado a um estado de ansiedade extrema ao ato de ficar sozinho, às vezes, inclusive, sendo necessário intervenção farmacológica. Nesse caso não seria prudente indicar uma possível solução sem mais detalhes relacionado ao histórico do animal.

Tutor 4: ...”Ghaia literalmente roeu, seis cadeiras de madeira da sala, um sofa de couro, um poltrona tambem de couro, um puff...”

O cão, quando filhote, possui comportamento exploratório normal devido a sua curiosidade extrema, e como não tem mãos ele utiliza a boca como ferramenta exploratória. A mastigação indevida está ligada a esse comportamento normal, e ainda tem como aliado o fato do desenvolvimento dentário ocasionar incômodo no filhote que se alivia direcionando seus dentes aos nossos preciosos objetos. Nesse caso devemos monitorar o cão sempre durante essa fase, e quando não puder dar 100% de atenção isolá-lo em uma ambiente seguro. Brinquedos mastigáveis de longa duração devem ser fornecidos aos montes nessa fase, com os tutores sempre indicando que ficam satisfeitos quando a “voracidade” é direcionada para eles. Preparação do ambiente com substâncias de sabor aversivo, encontradas em lojas especializadas, aplicadas sobre itens proibidos auxilia no condicionamento. Atividades físicas e mentais devem ser incluídas na rotina diária do animal, ou o levará ao estresse e a desenvolver compulsões, e entre eles inclui a mastigação exagerada.

Tutor 5: “...sempre pulam desesperadamente sobre mim, meu marido ou qualquer pessoa que entre em casa."

O comportamento de salto do cão é normal, pois é uma forma de cumprimento canino. Mas as pessoas, inadvertidamente, reforçam esse comportamento através de indicações positivas. E então o cão aumenta a intensidade e números de saltos, pois entende que quando salta em alguém existe a possibilidade de ganhar carinho. Ignorar o cão durante interações que o mesmo salte é o primeiro passo. O outro é a substituição do comportamento de saltar gradativamente por outro, como, por exemplo, ensinar seu cão a sentar para interagir tanto com os tutores quanto as visitas. Desconfiem em metodologias que podem levar o cão a se sentir desconfortável, o que normalmente aumenta a ansiedade do animal.

          “...Também nos arrastam quando os levamos pra passear.”

Comportamento ligado a falta de condicionamento do animal durante os passeios externos. Necessário a intervenção de um profissional especializado em comportamento canino para que indique os equipamentos e metodologia ideal para o caso, assim como condicionar o animal. Prestem atenção em metodologias baseadas em punições, existem técnicas gentis e mais eficientes do seu cão aprender a caminhar corretamente.

Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

6 de maio de 2010

O perigo da humanização do cão

A humanização dos animais é algo muito perigoso, pois tem a tendência de tornar o relacionamento unilateral, assim trazendo benefícios apenas para o ser humano. Pessoas adquirem animais de estimação sem se preocuparem com as reais exigências e responsabilidades que o bicho em questão necessita. Seguem tendências de modismo, impulsos consumistas e acabam esquecendo que estão lidando com seres vivos de características próprias.

Percebo os tutores, em sua grande maioria, tratando seus animais como se fossem eternas crianças humanas, ou pior, não se preocupam em buscar informações de como é a real exigência do animal, e os mimam em excesso. O resultado disso são animais extremamente estressados, e os pobres dos cães são as principais vítimas devido sua popularidade maior como animal de estimação.

O que é melhor? Seu cão ser presenteado com uma roupinha da moda ou levá-lo em um local onde possa correr livre pela natureza? Esses tipos de questões deveriam ser mais refletidas, pois talvez levassem as pessoas a enxergarem seus cães como animais predadores que são, e não como”bibelôs” ou criancinhas.

As pessoas deveriam fazer outro seguinte questionamento: Gosto de cão? Gosto. Então antes de me responsabilizar por esse ser vivo vou estudar suas reais necessidades e se tenho condições de respeitá-las. Nos E.U.A. existem estudos que apontam os problemas comportamentais como o maior motivo que levam as pessoas a abandonarem animais, seja em abrigos ou nas ruas. E isso é devido ao desconhecimento e as falsas expectativas em relação ao comportamento do animal.


Transtornos Comportamentais


A grande maioria dos transtornos comportamentais estão ligados a humanização, já que nossos animais de estimação não são humanos. Denominá-los de filho, neto, afilhado, ou outro tratamento humanizado qualquer não tem problema, a questão é respeitá-los levando em conta seus instintos e reais necessidades.

Posso citar os transtornos de comportamentos mais comuns nos cães humanizados de uma forma muito resumida e generalizada: agressividade, distúrbios compulsivos diversos, ansiedade generalizada, comportamentos de chamar atenção, vocalizações excessivas, medos diversos, entre outros. Destaco o transtorno denominado Ansiedade de Separação, esse é um dos principais distúrbios que tenho atendido. Se caracteriza por o cão ter um forte apego ao tutor, por reforços inadvertidos do próprio, mas a pessoa não tem tempo suficiente para suprir esse vínculo social, então o animal não consegue ficar sozinho e faz tudo para ir atrás do tutor. Late e uiva exageradamente como forma de comunicação, comportamentos de fuga o levando a risco de vida, destruição de portas e janelas com intuito de fuga, salivação excessiva entre outros.


Um Fenômeno Recente


Quanto a humanização, acredito que seja um fenômeno recente devido aos nossos espaços físicos cada vez menores, pois estamos nos verticalizando e morando em espaços progressivamente reduzidos. Com isso o “cão do quintal” e o cão de trabalho de décadas atrás está se tornando um membro da família. A proximidade entre o cão e o humano aumentou bastante com isso, e com certeza contribui para a humanização. Outro fator é a nossa distância cada vez maior da natureza, pois estamos cada vez mais urbanos, e acredito que seja um fator contribuinte já que trazemos os cães para essa realidade. Importante destacar a falta de tempo também, não temos tempo nem para nós mesmos, e então resolvemos trazer para nossos lares um animal, como o cão, que possui características sociais, por exemplo.


Saúde Afetada Pela Humanização


Quando o animal chega ao ponto de desenvolver distúrbios de comportamento o estresse geralmente está envolvido. E já se sabe que o animal estressado tem a imunidade afetada e se torna suscetível a doenças diversas. Existem distúrbios compulsivos entre os cães que os levam a auto-mutilação, e nesse caso a humanização também está envolvida. Outro fator é oferecer alimentos utilizados na alimentação humana para os animais de estimação. O argumento dos tutores sempre é o da expressão irresistível que eles fazem quando querem algo. Penso que nesses casos as pessoas deveriam refletir antes sobre o que é amar. Quem ama cuida. Cuidar nesse caso significa se interessar sobre a saúde do animal e os cuidados que o envolve. Toda clínica veterinária sabe o quanto os consultórios ficam lotados na páscoa com cães intoxicados por ingerirem chocolate, e não acredito na falta de informação hoje em dia, e sim no descaso.


Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)


4 de maio de 2010

Como entender o seu cão




Reavaliando seu cão

Pare de pensar que você sabe quem é seu cão. Olhe para ele como se fosse um animal desconhecido que entrou em sua casa, e realmente observe o que ele faz, porque eles são grandes observadores do que nós fazemos. Estão nos assistindo na maioria das vezes. Aprendem nossos hábitos, mas não o vemos da mesma maneira. Torne-se um cientista em sua casa observando os seus hábitos e como eles tentam obter a sua atenção.

Cheiros Fortes

Seja cauteloso com os odores que você tem em sua casa. Limite o número de perfumes que você usa, porque se você colocar em um novo perfume pode mascarar sua identidade perante o cão. Se você acha que seu cão está “fedendo” a cachorro, não coloque perfume sobre ele, pois irá mascarar sua identidade para outros cães. Ao levar seu cão para caminhar você tem que ser paciente e deixá-lo parar e cheirar o que ele quer. Cheirar é uma rica experiência para eles, e evitando o ato é como puxar o seu filho para longe da janela logo assim que ele avistar algo interessante. Satisface-os de vez em quando.

Tratar cães como cães

Nós subestimamos a complexidade de seu mundo, porque não sabemos o que é ter um mundo tão rico em odores, assim como o nosso é rico visualmente. Mas não superestime suas habilidades, eles compartilham muito com a gente, mas não há nenhuma boa razão para pensar que são apenas simplesmente “pequenos seres humanos”.

Entenda o mau comportamento

Nenhuma raça tem que ser agressiva ou mal educada, isso normalmente significa que eles não tiveram direito a socialização adequada quando eram jovens, ou foram abusados. A solução é cuidadosa e controlada socialização com os estímulos que o levam a agredir, cães ou pessoas. A maioria dos cães que são agressivos podem ter um futuro melhor. É preciso muita atenção e a ajuda de um profissional especializado em comportamento canino para auxiliar.

Hora de ir ao veterinário

Se seu cão está doente vai mostrar sinais semelhantes ao que nós fazemos. Fique atento para qualquer mudança de hábito: se ele parar de comer ou de repente começa a comer obsessivamente, se ele costumava dormir muito e agora passou a dormir pouco, ou qualquer comportamento estereotipado como lamber ou morder a si mesmo de forma exagerada.

Fonte: Trechos do livro: “Inside of a Dog: What Dogs See, Smell and Know” (Simon & Schuster), por Alexandra Horowitz.