4 de abril de 2011

Reflexão

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes."
Albert Schweitzer (1875-1965)









Vamos ser sinceros...certas coisas fazem bem para os humanos ou para os cães?


1 de abril de 2011

Comportamento compulsivo dos cães

Baseado no texto escrito por Nicole Davis

Nova pesquisa sobre Dobermann revela um gene envolvido no comportamento compulsivo que poderia ajudar os cientistas a entender o distúrbio de comportamento em humanos.

A primeira vista, um cachorro correndo atrás do rabo parece inofensivo, mas para muitos cães e seus donos, o hábito tem um lado escuro, que significa horas intermináveis e energia gasta para a mesma tarefa. A causa, um tipo de transtorno compulsivo, pode resultar em falta de sono e até mesmo danos físicos.

Tais comportamentos compulsivos tendem a ocorrer em determinadas raças que exibem comportamentos característicos, por exemplo o Doberman e o Pincher geralmente lambem ou chupam seus flancos, muitas vezes até ao ponto de haver sangramentos e infecções de pele. Outras raças, como o Bull Terrier, têm um comportamento repetitivo de perseguir seu próprio rabo.

Esses comportamentos compulsivos (conhecidos como Transtorno Compulsivo Canino - TCC) mostram algumas semelhanças notáveis com o mesmo transtorno de comportamento nos humanos, chamado transtorno obsessivo-compulsivo. Assim, uma compreensão mais profunda da base genética da doença em cães pode levar a um quadro mais claro da condição em ambas as espécies.

Os investigadores exploraram a base genética da TCC a partir das raças Pincher e Doberman. As manifestações da TCC incluem chupar e/ou lamber o próprio flanco, não só são comuns na raça, mas também são facilmente distinguíveis em outros cães. Isso facilitou a tarefa dos pesquisadores de identificar os cães afetados, tornando possível a coleta de um número suficiente de amostras de DNA para estudo.

Com cerca de 150 cães afetados e não afetados, os pesquisadores analisaram amostras de DNA usando uma técnica conhecida como a associação do genoma, que analisa milhares de marcadores genéticos - chamados SNPs ou polimorfismos de nucleotídeo único - em todo o genoma para identificar aqueles que são mais comuns em serem afetados comparando com os que não são afetados. Esses marcadores de alta freqüência atuam como sinalizadores para os genes e outros importantes elementos funcionais do genoma que verificam o risco de um cão desenvolver o transtorno.

O gene em questão é chamado CDH2. Relativamente pouco se conhece sobre seu funcionamento, se sabe que o gene desempenha um papel importante no início do desenvolvimento embrionário, o que tornou difícil para os cientistas aprender sobre suas funções. O que se sabe é que o gene é parte de uma grande família conhecida como caderinas, e que parece agir no cérebro, especificamente nas junções entre neurônios conhecidos como sinapses.

Embora os novos dados indiquem um gene que atua no lugar certo para influenciar o comportamento, os pesquisadores reconhecem que ainda há muito trabalho a ser feito. No entanto, há esperança de que tais esforços levarão a uma melhor compreensão dos transtornos do comportamento tanto nos cães quanto em humanos.

Fonte: http://www.physorg.com


por Paulo Deslandes:

O fator genético tem a influência ainda não completamente comprovada, assim como indica o artigo acima, mas não podemos deixar passar outros fatores que são desencadeantes dos transtornos compulsivos nos cães. Esses fatores são muitas das vezes causados por desconhecimento das pessoas sobre as reais necessidades de um cão, e assim levando o animal a uma situação de estresse.

Entre os principais distúrbios compulsivos em cães estão: Abocanhar Moscas (morde “mosca imaginárias” no ar), Dermatite Acral por lambedura (o cão se lambe tanto que causa lesões), Perseguição de Cauda e Rodopio, Sucção de Flanco (chupa ou lambe a parte traseira a ponto de causar lesões) e etc.

Segundo HORWITZ e NEILSON 2007, foram identificados os seguintes fatores contribuintes para comportamento compulsivos: 

- Qualquer situação que cause estresse, conflito ou frustração pode contribuir. Ou seja, o animal pode ser motivado a exibir certo comportamento, mas é impedido de fazer, causando frustração. O estresse pode surgir de ambientes imprevisíveis ou de transtornos que causem desconforto ou ansiedade, como Ansiedade de Separação (cão que não quer ficar sozinho) e medos em geral;

- Mudanças importantes na rotina e/ou composição do lar;

- Treinamentos baseados em punições impróprias e inconsistentes;

- Situação frustrantes, como defesa territorial evitada por alguma barreira; 

- Ambiente empobrecido (sem estímulos físico e mental);

- Exercício físico insuficiente para energia do cão;

- Comportamento de busca de atenção reforçado pelos proprietários;

- Doenças: neurológicas, dermatológicas, metabólicas, infecciosas, degenerativas, parasitárias;

- Traumatismo de Cauda.

Se o seu cãozinho tem algum indicativo de distúrbios compulsivos procure ajuda de um Médico Veterinário que seja especializado em Comportamento Canino, que será o profissional que auxiliará no diagnóstico diferencial entre tantas causas possíveis, desde a patológica até a comportamental, e realizará o tratamento específico.

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)

29 de março de 2011

Seu cachorro não gosta de ficar sozinho?

ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

Seu cão lhe segue o tempo todo? Cumprimenta exageradamente assim que você retorna para casa? Não consegue ficar sozinho sem que fique desesperado? Ele me ama muito! Pensa alguns “felizes” tutores. Será? Esse tipo de comportamento, aliado a outros sintomas, caracteriza um transtorno comportamental denominado Ansiedade de Separação. Que é outro entre tantos transtornos de comportamento canino que tem surgido devido ao tratamento humanizado perante os cães.

O que é?

É um comportamento de ansiedade excessiva que os cães experimentam quando separados da pessoa, ou pessoas, a quem são apegados. E esse mal estar pode gerar sérios problemas ligados ao comportamento do cão e até mesmo a sua saúde física, já que o animal vive intensos episódios de estresse.

Sintomas

Entre os sintomas da ansiedade de separação, que acontecem na ausência do tutor, estão incluídos: vocalização excessiva (uivos, choros ou latidos em excesso), comportamento destrutivo (roer ou arranhar objetos pessoais da figura de vínculo ou as possíveis rotas de acesso a essa figura), micção e defecação em locais inapropriados e freqüentemente em locais ou objetos que sejam referência à figura de vínculo. Pode estar incluídos também, a perda de apetite, salivação em excesso e comportamentos compulsivos diversos.

Freqüência

Estudos nos EUA indicam que a ocorrência desses problemas podem acometer cerca de 40% dos cães e, há dados, na renomada Clínica de Comportamento Animal da Universidade de Cornell, que é o terceiro problema de comportamento mais freqüente.

Prevenção

A primeira coisa a se considerar é na hora que resolve adquirir um cão como animal de companhia. Os cachorros são animais de hábitos sociais, portanto apreciam a presença dos membros da família. Se irão ficar sozinhos por um período maior que 4 horas, é melhor que se considere outro pet mais adequado para seu ritmo de vida.

Reforços inadvertidos de tutores perante as saudações efusivas dos cães durante o retorno ao lar contribuem para o agravamento da ansiedade canina, pois os cães solitários aguardam esse momento do reencontro de uma forma nada saudável. Então, obviamente, um dos procedimentos seria de ignorar o cão até que se acalme, e então de uma forma calma e ponderada direcionar a atenção para o mesmo.

Partidas relacionadas a se “despedir do cão” também são fatores contribuintes, já que se cria um momento de vínculo com o animal e logo após o tutor sai o deixando para trás. Portanto ignorar o cão momentos antes das partidas deve ser regra dentro de uma rotina de prevenção.

Preparar o ambiente para o animal se distrair durante a ausência das pessoas é uma ótima maneira de distraí-lo nos momentos de solidão. Existem hoje no mercado variados tipos de brinquedos que liberam petiscos de forma gradual, conforme a interação do cão, e, ainda há alimentos de longa duração que os entretêm.

Exercícios físicos como uma boa caminhada ao ar livre, diariamente, é obrigação para todos os cães, já que os exercícios físicos liberam hormônios ligados ao bem estar, assim os deixando mais relaxados e felizes.

O que não fazer

Punições não são eficazes para o tratamento de ansiedade de separação e pode piorar a situação. A destruição, vocalizações excessivas, e a sujeira da casa, que muitas vezes ocorre com a ansiedade de separação, não é a vingança do seu cão para ficar sozinho e sim parte de uma resposta de pânico.

Adquirir um outro cão como companheiro não costuma ajudar um animal ansioso, porque a ansiedade é o resultado da separação do tutor, e não apenas o resultado de estar se sentindo sozinho.

Adestramento de Obediência não é indicado, já que ansiedade de separação não é o resultado de desobediência ou falta de treinamento e, portanto, não vai ajudar nesta questão em particular.

Tratamento

Um diagnóstico primeiramente tem que ser fechado por um veterinário especializado em comportamento canino, para que se prescreva um tratamento adequado. Nos casos mais severos é necessário a intervenção farmacológica como forma de auxílio, e não de cura. Muitas vezes o sucesso do tratamento é duvidoso devido a não colaboração dos tutores, já que faz parte do programa, a diminuição do vínculo relacionado às pessoas e o cão, e muitos não aceitam isso. Outro problema é a disciplina devido ao longo período do tratamento, que requer muita paciência e colaboração de todos envolvidos. Sempre bom lembrar que um cão ansioso é um cão estressado, e o estresse deixa a imunidade baixa levando o animal a ficar suscetível a doenças diversas.

Fonte: Dr. Paulo F. de O. Deslandes - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino; Artigo publicado na revista Pequenos Cães ed.32 - 2010

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)

23 de março de 2011

AVSAB alerta sobre os perigos de uma criança durante a interação com os animais

Artigo para quem encara os cães como eternos bebês dotados de enorme compaixão e amor. Quem ama respeita, e respeitar nesse caso é buscar informações sobre como realmente é o comportamento canino:

A Associação Americana Veterinária de Comportamento Animal (AVSAB) alerta sobre os perigos de uma criança durante a interação com os animais demonstrada de forma perigosa em um livro infantil.

Enquanto as crianças são freqüentemente apontadas como tendo uma ligação especial com os animais de estimação, paralelamente, crianças menores de 10 anos de idade estão entre as mais atacadas pelos cães.

Muitos fatores podem contribuir para o ataque de cão em crianças, e um desses fatores são os abraços e beijos que todos amam, mas os cães podem ter interpretações diferentes. Conseqüentemente, a (AVSAB) aconselha que os pais evitem comprar o livro infantil lançado recentemente denominado: "Smooch Your Pooch for their kids" (Smooch seu cão para seus filhos). O livro recomenda que as crianças, para demonstrarem que se importam com os cães, devem lhe dar um abraço em qualquer momento. E esta informação pode causar acidentes de ataques dos cães nas crianças.

Diz um membro AVSAB, Dr. Ilana Reisner, cuja área de pesquisa é a de mordidas de cães em crianças, "Apesar de alguns cães não serem reativos ao serem beijados e abraçados, estes tipos de interações são potencialmente provocadoras numa visão canina, levando a acidentes por mordedura."

Em um estudo publicado pela Reisner e seus colegas na University of Pennsylvania School of Veterinary Medicine, analisou-se 111 mordidas de cães em crianças. E Reisner comenta: "Nós olhamos os cães nas famílias em que as crianças foram mordidas e se constatou que a maioria das crianças tinha sido mordidas por cães que não tinham histórico de agressividade. O mais importante aqui ", diz Reisner," as crianças foram mordidas por cães familiares, com mais freqüência nos contextos de "amigáveis" interações, como beijos e abraços nos seus próprios cães ou gatos. "

O estudo também descobriu que, além de morder durante abraços e beijos, o ato de agachar e o de simplesmente acariciar os cães podem levar a acidentes por mordeduras. Situações como abordar o cão, tocá-los enquanto descansam, chegar perto quando estão com algo que consideram de "enorme valor" (alimentos, brinquedos, um cobertor favorito, ou até mesmo um membro da família) , quando estão feridos ou com medo, podem causar episódios de agressividade com mordeduras. Estes são os tipos de situações em que as crianças que leram o livro infantil citado, podem procurar para interagir com os seus cães.

AVSAB recomenda que as crianças brinquem com cães de uma forma mais produtiva, tais como truques de jogar e trazer bolinhas. Recomendamos também que as crianças evitem aproximar-se ou interagir com os cães que estão deitados, descansando ou dormindo. As crianças, ao invés disso, devem interagir com o cão apenas quando o cão se aproxima de bom grado. Famílias com crianças devem incentivar os cães a serem treinados a ganharem recompensas sempre que houver qualquer tipo de aproximação.

20 de março de 2011

Cães que comeram os dedos de seus tutores: altruístas, ou simplesmente com fome?

Em agosto de 2010, um Jack Russell Terrier em Michigan, se destacou na imprensa norte americana por mastigar e comer um dos dedos do pé de seu tutor que encontrava-se desmaiado e bêbado. No hospital, na manhã seguinte, os médicos descobriram que o homem tinha diabetes, seu dedo estava completamente necrosado, e o ato de Kiko pode ter salvado a vida do seu tutor.

Uma história estranha na verdade, mas não tão estranha para que se repita. Semanas atrás em 2 de março, um homem de Oregon, E.U.A., também diabético, teve seu dedo mastigado por seu cão.  Os dedos estavam dormentes e com gangrena - desta vez, três deles - enquanto ele dormia. De acordo com Lee Bartolomeu, responsável pelo controle animal local, o cão estava "agindo em seu instinto para ajudar a remover o dedo com problemas."

Mas os cães realmente têm um instinto que lhes diz para amputar a carne necrosada ​​e prejudiciais de seus tutores? Ou, pelo contrário, são apenas oportunistas esperando pelo dia em que seu corpo e membros fiquem dormentes para que eles possam devorá-los como um petisco na calada da noite? Mais de 77 milhões de cães são mantidos como animais de estimação nos E.U.A., com certeza essa é uma questão para se perguntar.

"Eu tive um interesse por esse assunto há muito tempo", Nicholas Dodman, um importante veterinário comportamentalista e professor da Cummings School of Veterinary Medicine na Tufts University, falou com a Life's Little Mysteries.  Dodman tem cinco livros publicados sobre  comportamento de cães e gatos, incluindo o best-seller “If Only They Could Speak” (W.W. Norton & Co. 2002 "(Se eles pudessem falar).

"Às vezes, os cães parecem ser altruístas, mas é uma tarefa difícil de se provar . O fato principal é que a necrose dos dedos, provavelmente, tinha um cheiro atraente para o cão que naturalmente se alimenta de carne morta ", disse Dodman . Eu não acho que foi altruísta. O cão não sabia que estava necrosando e tentou ajudar o proprietário. Era só cheirar e comer. Um cão possui um sentido de olfato absolutamente extraordinário", disse Dodman. "Segundo alguns artigos os cães têm um bilhão de células olfativas no focinho , em comparação com os nossos 12 milhões. Cães sabujos têm ainda mais, e pode até mesmo sentir a diferença entre odores de gêmeos idênticos. Eles certamente sentem o cheiro quando há algo estranho, como um dedo necrosado ou um tumor. Este cão mastigou algo que cheirava diferente, mas afinal era a carne.”

"Não houve reação durante o ato, já que a pessoa estava praticamente em coma", acrescentou Dodman.  “Então, o cachorro continuou mastigando e comendo. Os cães não estavam se comportando mal de propósito na verdade, um estudo recente mostrou que os cães provavelmente não entendem o mau comportamento como um conceito separado de punição. Os cães nesse caso estavam comendo e não estavam sendo punidos, não estavam se sentindo culpados. Eles só estavam com fome”.

"Se alguém com um animal de estimação morre em sua casa, há uma chance razoável de que o cão irá comer parte dessa pessoa", disse Dodman.

Fonte: www.livescience.com