17 de junho de 2011

Crianças e cães

Saibam tomar decisões corretas ao escolherem trazer um cão para seus lares com a intenção de ser companheiro dos seus filhos. Raça ideal? Temperamento? Porte? Cuidados? Saibam mais lendo o artigo.

por Paulo Deslandes:

Observo a bastante tempo pessoas que tomam decisões erradas ao trazerem pra casa um cão, bem intencionadas na maioria das vezes, mas assim que o animal começa a causar qualquer tipo de problema não buscam auxílio. E logo pensam que doar, ou, infelizmente, abandonar o cão é a solução correta para se livrarem do "problema". 

Creio que umas das principais causas da desistência de uma família em conviver com um cachorro é a chegada de uma criança no lar, que se não houver uma preparação, conhecimentos e principalmente paciência pode se tornar um transtorno. Espero que esse artigo sirva como alerta para as famílias não tomarem decisões precipitadas ao trazerem um cão para o lar, e posteriormente se arrependerem cometendo ações prejudiciais ao bem-estar do animal. As vezes a melhor decisão é não ter um cão em casa.


INFORMAÇÃO IMPORTANTE PARA OS PAIS

Viver com um cão pode ser benéfico para as crianças. Os cães podem melhorar a auto-estima, ensiná-las a serem responsáveis e ajudá-las a compreender a empatia. No entanto, as crianças e os cães, nem sempre podem ter um relacionamento maravilhoso de forma espontânea. Os pais devem estar dispostos a ensinar ao cão e a criança limites aceitáveis de comportamento, com o objetivo de tornar as interações agradáveis e seguras.


Selecionando um cão 

Que idade é a melhor? Muitas pessoas têm uma imagem distorcida de um filhote e uma criança crescendo juntos. Se você tem uma criança e está pensando em adotar um filhote (menos de 1 ano de idade), há algumas coisas que precisa considerar:


Tempo e energia

Filhotes requerem uma grande quantidade de tempo, paciência, treinamento e supervisão. Eles também exigem socialização para se tornarem cães adultos bem ajustados. Isso significa que precisam ser apresentados e expostos a estímulos variados, como locais, objetos e pessoas diferentes. Se você tem uma criança que já exige uma grande quantidade de cuidado e tempo, será que terá tempo suficiente para cuidar de um cachorro?


Segurança

Os filhotes são criaturas frágeis. Um cãozinho pode ficar assustado, ou mesmo ferido por uma criança curiosa, mesmo que bem intencionada, que quer sempre abraçá-lo e explorar seu corpo, puxando o rabo ou as orelhas por exemplo. 


Brincadeira Violenta

Os filhotes têm dentes e garras afiadas com as quais podem, inadvertidamente, machucar uma criança pequena. Também tendem a pular em cima das crianças pequenas e derrubá-las. Todas as interações entre o cão e a criança terá que ser supervisionados de perto, a fim de minimizar as chances de lesões. 


Vantagens de ter um cão adulto

Os cães adultos necessitam de menos tempo e atenção, uma vez que tenham se adaptado a sua família e a rotina domiciliar, mas você ainda precisa de tempo ajudando o novo cão com a transição para seu novo lar.

Pode avaliar melhor o quanto será tolerante a energia imensa de uma criança, já podendo observar essa característica no abrigo antes de adotar um cão definitivamente, se houver histórico de cães que tenham previamente convivido com crianças melhor ainda.

Como regra geral, se seu filho está abaixo dos 6 anos de idade, é melhor adotar um cão que tenha mais de 2 anos. Mesmo os filhotes sendo mais divertidos, e os pais adorarem observar a criança e o cão crescerem juntos como amigos maravilhosos, eles exigem muito mais tempo para ensinar e supervisionar do que um cão adulto. 

Que raça é melhor?

  • Tamanho
Raças pequenas como poodles toy ou chihuahuas, podem não ser boas opções para uma criança pequena. Estes cães são frágeis e podem ser facilmente feridos ao serem manipulados. Também tendem a serem mais facilmente assustados por uma série de atividades e barulhos. Cães assustados e medrosos mordem a fim de se protegerem. Cães maiores e mais resistentes, como pugs ou beagles, muitas vezes são capazes de tolerar agitação, barulhos e brincadeiras mais duras que são normais e inevitáveis nas crianças.

  • Tipos de Raça
Algumas das raças desportivas, como labradores e golden retrievers, podem ser bons animais de estimação para famílias com crianças. As raças que foram selecionadas para proteção e guarda, como chows-chows e rottweilers, geralmente não são recomendadas. Às vezes é difícil para este tipo de cão tolerar confortavelmente a agitação das crianças e seus amigos brincando, e podem confundi-los com intrusos no território. 

Raças de pastoreio, como o border collies e pastores, são inclinados a perseguir as crianças, por vezes, “beliscando” seus calcanhares. 


Temperamento 

Apesar de generalizações poderem ser feitas, com alguma cautela, sobre as raças específicas, é muito importante considerar o temperamento individual de cada animal. A personalidade de um cão é formada por experiências passadas e genética.


Quem vai cuidar do cachorro?

É irreal esperar que uma criança, independentemente da idade, terá responsabilidade de cuidar de um cão. Os cães precisam de coisas básicas como comida, água e abrigo, mas eles também precisam de interações rotineiras, com exercícios e treinamentos consistentes. Ensinar um cão as regras da casa e ajudá-lo a tornar-se um bom companheiro é muita responsabilidade para uma criança. Enquanto os adolescentes podem ser responsáveis ao executar tal tarefa, mas também podem não estar dispostos a gastar uma quantidade adequada de tempo com um cão, já que seu desejo de estar com os amigos geralmente assume bastante importância nessa faixa etária. Se você adotar um cão "para as crianças", você deve estar preparado e disposto a ser o principal responsável em cuidar do animal. 


Bom começo

Abaixo estão algumas diretrizes para ajudar você a começar com o pé direito. Lembre-se que as crianças nunca devem ser deixadas sozinhas com um cão adulto ou um filhote sem a supervisão de adultos: 

  • É mais seguro tanto para a criança quanto para o cachorro, que se seu filho esteja sempre sentado quando quiser colocar o filhote no colo. Os filhotes são difíceis de segurar devido ao alto grau de agitação, e ao se movimentarem inconsequentemente podem facilmente cair dos braços de uma criança e se machucarem. Com isso o filhote pode ficar assustado e da próxima vez tentar se defender quando houver tentativa de pegá-lo no colo.
  • Sempre que seu filho for acariciar o cão ofereça um brinquedo apropriado para o filhote mastigar. Filhotes na fase de desenvolvimento dentário tendem a mastigar tudo, inclusive mãos e braços, quando se oferece um brinquedo a tendência é que desvie a atenção para o objeto e não para seu filho. Um benefício adicional é que o cachorro associará experiências positivas ao ser manipulado pelas crianças.
  • Para cães maiores, o seu filho pode sentar em seu colo e dessa forma pode controlar melhor o seu filho assim não permitindo que ele se empolgue com os mimos mais incisivos. Você também terá a oportunidade de ensinar o cão novo a tratar seu filho com suavidade.

Aprendendo a dar carinho

Crianças querem frequentemente abraçar os cães ao redor do pescoço, e esse gesto pode ser interpretado como uma ameaça, e ao invés de responder afetuosamente o cão pode reagir com um rosnado, ou até mesmo uma mordida. Deve ensinar a criança a fazer carinho no cão de baixo do queixo em vez de abraçá-lo. Também deve ensinar a seu filho a evitar olhar diretamente nos olhos dos cães, pois isso pode também ser interpretado como ameça pelo animal.


Supervisionar as brincadeiras

 Crianças correm o tempo todo, movimentam-se bastante e possuem vozes de alta-frequência. Essas ações são altamente provocadoras para um cachorro. E devido a esses fatores o seu cão pode reagir perseguindo ou pulando sobre o seu filho, e consequentemente causar um acidente.

Incentive seu filho a brincar tranquilamente perto do novo cão até que ambos se sintam mais confortáveis um com o outro. O cão também precisa saber quais comportamentos são adequados e quais não são, e para isso é indicado auxílio profissional quando não se tem conhecimento suficiente para lidar com essa situação. Um comando de “solta”, por exemplo, pode ser bastante útil quando as brincadeiras ficam mais incisivas.

Punir o seu cão por se comportar inadequadamente não vai ajudar. Existe uma grande chance de ele perceber, que sempre acontece “coisas ruins” quando têm crianças por perto, e pode adotar uma postura defensiva em relação a seu filho.


Brinquedos

Seu cão não sabe a diferença entre os brinquedos que podem brincar e os brinquedos de seu filho até que você possa ensiná-lo.

Seu filho deve assumir a responsabilidade de manter seus brinquedos fora de alcance do cão. 

Não dê objetos pessoais (meias, sapatos velhos, roupas...) para seu cão brincar, pois pode causar confusão no animal do que pode e o que não pode brincar.
Os cães podem não dircenir os brinquedos das crianças que se assemelham itens que são permitidos brincarem. 


Cachorros podem ser possessivos com a comida, brinquedos e espaço. Embora seja normal alguns cães a rosnarem e serem agressivos para proteger estes itens, não é aceitável. Ao mesmo tempo as crianças precisam aprender a respeitar seu cão como ser vivo que possuem atitudes peculiares e as vezes precisam de tempo para eles mesmos.

Se seu cão for agressivo e rosnar para seu filho, por qualquer motivo, essa situação precisa de atenção imediata. Puni-lo nessas situações é bem provável que piore as coisas. Por favor, não deixe de procurar auxílio profissional, e busque informações sobre o tipo de metodologia que o mesmo utiliza, já que técnicas baseadas em punição tendem a piorar o problema.


Fonte: AVSAB

5 de junho de 2011

Caminhar com os Cães: Porque isso pode fazer a diferença.

Por Debra Horwitz, Médica Veterinária, DVM, consultora em comportamento animal, St. Louis, Missouri.


Traduzido e adaptado por Paulo Deslandes.




Exercícios e estímulos mentais são importantes para os cães. Como posso convencer os tutores que levar seu cão para uma caminhada é uma boa idéia?


Proporcionar exercício e estímulo mental para os animais de estimação são extremamente importantes e nada faz melhor esse trabalho do que uma boa caminhada. A maioria das raças de cães possuem características projetadas para uma finalidade específica, que poderia mantê-los engajados (por exemplo, cães esportistas, cães de trabalho). No entanto, cães domésticos sem a oportunidade de exercer esses papéis geralmente não se exercitam, podem possuir acesso a um quintal, que normalmente fornece os mesmos aromas e estímulos entediantes dia após dia.

Geralmente as pessoas passeiam com seus cães por 4 razões: 

1. Para o animal defecar e urinar.
2. Estimulação mental.
3. Exercício para os cães.
4. Exercício para as elas mesmas e levam o cão junto.



Bom começo


O tempo para "passear" é a primeira discussão quando se tem um filhote de cão. Antes de levar um filhote para o seu primeiro passeio, ele precisa ser vacinado contra as doenças transmissíveis. Depois de devidamente protegidos, o proprietário pode começar a levar o cachorro para fora de casa (por exemplo, caminhadas e aulas de treinamento).

Certifique-se que o cachorro é microchipado (realidade mais evidente nos E.U.A), que esteja com uma coleira de identificação e uma guia apropriada para melhor controle do animal. Evite enforcadores nos filhotes e guias extensíveis.

No início a preocupação é fazer o cão aceitar a coleira, o passeio portanto pode ser curto para que nem o tutor e nem o cachorro fiquem frustrados ou cansados. O tempo pode pode variar de 5 a 15 minutos, dependendo do cachorro. Passeios ajudam na socialização precoce, controle de tarefas para aprendizagem básica, permite a exploração do ambiente pelo animal e exercícios físico.



Cumprindo as Necessidades de cada cão


Um cão precisa de um local adequado para defecar e urinar, e que os tutores recolham as fezes que forem feitas durante os passeios externos.

Além disso, um cão, muitas vezes aproveita a possibilidade de farejar e investigar o meio ambiente:

  • Alguns cães são capazes de farejar e continuar caminhando, outros podem querer passar mais tempo investigando e, talvez, a marcar com a urina os outros cheiros interessantes que encontram.
  • Um estudo observou que fora da guia os cães farejam por períodos mais longos, quando comparado com cães andando com uma coleira. Naturalmente, o significado não é claro, mas talvez isso tenha a ver com a capacidade de farejar sem interrupções.
  • Dar ao cão a oportunidade para cheirar e marcar com urina em cada caminhada é uma boa idéia.

Em relação a quantidade e intensidade de exercícios variam de cão para cão, e de raça para raça:

  • O objetivo da caminhada não deve ser necessariamente a criação de um atleta, mas precisa de tempo suficiente para o cão se exercitar e para farejar. Um cão de raça grande pode necessitar de exercícios mais intensos, enquanto cães menores podem se contentar com passeios mais lentos, mas as exceções são muitas. Portanto, passeios devem ser adaptados às necessidades individuais de cada animal.
  • Se tiver um espaço protegido (ou seja, um quintal cercado) disponível, pode oferecer brincadeiras, e exercícios aeróbicos.
  • É necessário planejamento nos exercícios, as adaptações são necessárias conforme a idade, capacidade física e raça. Em cães propensos a claudicação (mancar), superaquecimento (cães como Pugs, Bulldogs...) e problemas cardíacos, é necessário evitar situações que possam agravar esses problemas.


Dever do cão


Me deparei com uma nova frase recentemente durante uma pesquisa para uma apresentação num Rotary Club local: Dever do cão(ou pelo menos um que era novo para mim). Esta frase e sua conotação foram instantaneamente familiar, com seus quase 13 anos de idade, meu cãozinho Jack Russell "Terrorista" Buster, estava sentado perto de mim, ansiosamente a espera de sua caminhada noturna. Ele foi deixando claro que era hora de eu cumprir esta obrigação diária.

Quando li esse artigo do Dr. Horwitz ficou claro que essa frase refletia sobre o lado humano de passear com o cão. Se eu não tivesse meu fiel amigo Buster, não haveria razão alguma para me aventurar a noite numa caminhada. Isso é bom para mim? Sim! Os benefícios para a saúde que um animal de estimação pode proporcionar ao ser humano são inúmeros, tais como: redução do colesterol, dos triglicerídeos, da pressão arterial e diminuição do estresse, são os mais conhecidos. Os benefícios que os tutores têm ao passear com seus cães, no entanto são bem menos divulgados. Caminhando com seu cão se tem um impacto positivo sobre a obesidade canina e humana e é bom para a socialização e interação, tanto humana quanto canina (todo mundo no bairro conhece o Buster). Assim, enquanto a caminhada é boa para o cão como o Dr. Horwitz assinala, neste artigo, é bom para as pessoas também.



Mantendo os Humanos Felizes


Ser puxado pelo cão durante o passeio é indesejável, e pode desestimular os tutores a passear com os cães. A caminhada deve ser feita com uma guia, sem pressão, e se houver dificuldades a ajuda de um profissional é recomendada. 

Talvez os tutores terão que abandonar suas caminhadas regulares enquanto o cão aprende a caminhar corretamente, mas a recompensa de um cão bem treinado vai valer a pena o esforço.



Obstáculos para o Sucesso


  • Apesar dos melhores esforços, muitos tutores encontram dificuldades para caminhar com um cão. As queixas comuns incluem a puxar demais a guia, se excitar e latir demais para outros cães e ou pessoas. Nesse caso, como mencionado anteriormente, a ajuda profissional pode ajudar.
  • Ao invés de optar por apenas longas caminhadas, acrescente passeios mais curtos deixando a opção para o animal farejar mais durante uns 10 a 20 minutos de 1 a 3 vezes por semana pode fazer a diferença.
  • Para problemas extremos, a referência de um profissional que utiliza reforço positivo pode ser necessário e pode ajudar na seleção de produtos para o controle adequado durante os passeios.


Resumo


  • Caminhar com os cães incentivam o exercício físico e estímulo mental, tanto dos humanos quanto do animal.
  • Utilização de equipamento adequado para cada tipo de cão faz com que os passeios se tornem mais agradáveis.
  • Deixar animal defecar e urinar (sempre lembrando de recolher as fezes) antes de começar a caminhada permite flexibilidade na duração do passeio.
  • Distâncias e tempos variáveis durante a semana revezando em caminhadas curtas deixando os cães cheirarem bastante, e as longas com maior intensidade físicas oferecem variedade e interação com o ambiente.
  • Maior intensidade de exercícios dependem do próprio cão, e de oferecer condicionamento físico ao animal.

11 de abril de 2011

Por que tantos cães com problemas comportamentais?

PROBLEMAS CONTEMPORÂNEOS COMPORTAMENTAIS CANINOS

por Paulo Deslandes:

É extremamente comum, em minhas consultas comportamentais, os tutores, não compreenderem o porquê dos cães desenvolverem comportamentos estranhos já que os mesmos recebem muito amor e carinho. O conhecimento sobre comportamento dos cães necessita urgentemente que seja esclarecido a todos as pessoas que tem companhia desses animais em sua residência. Nossos amigos de quatro patas possuem necessidades muito além de apenas amor e carinho. Classificações como “cães ideais para apartamento” levam as pessoas acreditarem que um animal confinado dentro de uma casa, ou apartamento, somado com muitas regalias “ideais” dentro de uma visão humana são mais que suficientes para o bem estar canino. Dentro de nossas residências temos um bom livro para ler, acesso a internet, jogos, televisão e mesmo assim essa rotina se torna desagradável se não sairmos desse ambiente. E os amigos caninos? O que eles têm pra fazer? O que realmente eles necessitam para se tornarem verdadeiramente felizes?

 Para começarmos a compreender, primeiramente, temos que nos abdicar de sermos humanos e tentar ao máximo entender a visão do cão. Desvios de comportamentos ligados ao estresse são, talvez, relativamente novos nos cães. A falta de tempo para lidar com um animal de características sociais é o primeiro erro que cometemos. Se não tivermos horas do dia reservado a se dedicar ao amigo canino, por mais mimos que possa dar, o seu animal vai ser infeliz, e conseqüentemente desenvolverá comportamentos anormais. Existem vários comportamentos ligados ao estresse: agressividade, ansiedade generalizada, ansiedade de separação, comportamentos destrutivos, coprofagia, fobias, transtornos compulsivos diversos. E todos eles poderiam ter sido evitados com uma imposição de rotina na vida do animal. Cães amam rotinas!

Programem seu dia levando em conta as necessidades dos cães. Reserve tempo para caminhar com seu amigo, socialize-os o quanto puder com os outros cães, aprenda técnicas de enriquecimento ambiental para deixar o seu lar agradável para eles também. Se nos preocuparmos em impor na rotina canina esses elementos básicos, diariamente, desde filhotinhos, dificilmente desenvolverão desvios de comportamentos. Agora se não houver possibilidade no seu dia a dia de suprir essas necessidades é melhor pensar se realmente está apto a dividir seu lar com um cão.

Artigo publicado nas Revista Pequenos Cães, 2010.
(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)

4 de abril de 2011

Reflexão

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes."
Albert Schweitzer (1875-1965)









Vamos ser sinceros...certas coisas fazem bem para os humanos ou para os cães?


1 de abril de 2011

Comportamento compulsivo dos cães

Baseado no texto escrito por Nicole Davis

Nova pesquisa sobre Dobermann revela um gene envolvido no comportamento compulsivo que poderia ajudar os cientistas a entender o distúrbio de comportamento em humanos.

A primeira vista, um cachorro correndo atrás do rabo parece inofensivo, mas para muitos cães e seus donos, o hábito tem um lado escuro, que significa horas intermináveis e energia gasta para a mesma tarefa. A causa, um tipo de transtorno compulsivo, pode resultar em falta de sono e até mesmo danos físicos.

Tais comportamentos compulsivos tendem a ocorrer em determinadas raças que exibem comportamentos característicos, por exemplo o Doberman e o Pincher geralmente lambem ou chupam seus flancos, muitas vezes até ao ponto de haver sangramentos e infecções de pele. Outras raças, como o Bull Terrier, têm um comportamento repetitivo de perseguir seu próprio rabo.

Esses comportamentos compulsivos (conhecidos como Transtorno Compulsivo Canino - TCC) mostram algumas semelhanças notáveis com o mesmo transtorno de comportamento nos humanos, chamado transtorno obsessivo-compulsivo. Assim, uma compreensão mais profunda da base genética da doença em cães pode levar a um quadro mais claro da condição em ambas as espécies.

Os investigadores exploraram a base genética da TCC a partir das raças Pincher e Doberman. As manifestações da TCC incluem chupar e/ou lamber o próprio flanco, não só são comuns na raça, mas também são facilmente distinguíveis em outros cães. Isso facilitou a tarefa dos pesquisadores de identificar os cães afetados, tornando possível a coleta de um número suficiente de amostras de DNA para estudo.

Com cerca de 150 cães afetados e não afetados, os pesquisadores analisaram amostras de DNA usando uma técnica conhecida como a associação do genoma, que analisa milhares de marcadores genéticos - chamados SNPs ou polimorfismos de nucleotídeo único - em todo o genoma para identificar aqueles que são mais comuns em serem afetados comparando com os que não são afetados. Esses marcadores de alta freqüência atuam como sinalizadores para os genes e outros importantes elementos funcionais do genoma que verificam o risco de um cão desenvolver o transtorno.

O gene em questão é chamado CDH2. Relativamente pouco se conhece sobre seu funcionamento, se sabe que o gene desempenha um papel importante no início do desenvolvimento embrionário, o que tornou difícil para os cientistas aprender sobre suas funções. O que se sabe é que o gene é parte de uma grande família conhecida como caderinas, e que parece agir no cérebro, especificamente nas junções entre neurônios conhecidos como sinapses.

Embora os novos dados indiquem um gene que atua no lugar certo para influenciar o comportamento, os pesquisadores reconhecem que ainda há muito trabalho a ser feito. No entanto, há esperança de que tais esforços levarão a uma melhor compreensão dos transtornos do comportamento tanto nos cães quanto em humanos.

Fonte: http://www.physorg.com


por Paulo Deslandes:

O fator genético tem a influência ainda não completamente comprovada, assim como indica o artigo acima, mas não podemos deixar passar outros fatores que são desencadeantes dos transtornos compulsivos nos cães. Esses fatores são muitas das vezes causados por desconhecimento das pessoas sobre as reais necessidades de um cão, e assim levando o animal a uma situação de estresse.

Entre os principais distúrbios compulsivos em cães estão: Abocanhar Moscas (morde “mosca imaginárias” no ar), Dermatite Acral por lambedura (o cão se lambe tanto que causa lesões), Perseguição de Cauda e Rodopio, Sucção de Flanco (chupa ou lambe a parte traseira a ponto de causar lesões) e etc.

Segundo HORWITZ e NEILSON 2007, foram identificados os seguintes fatores contribuintes para comportamento compulsivos: 

- Qualquer situação que cause estresse, conflito ou frustração pode contribuir. Ou seja, o animal pode ser motivado a exibir certo comportamento, mas é impedido de fazer, causando frustração. O estresse pode surgir de ambientes imprevisíveis ou de transtornos que causem desconforto ou ansiedade, como Ansiedade de Separação (cão que não quer ficar sozinho) e medos em geral;

- Mudanças importantes na rotina e/ou composição do lar;

- Treinamentos baseados em punições impróprias e inconsistentes;

- Situação frustrantes, como defesa territorial evitada por alguma barreira; 

- Ambiente empobrecido (sem estímulos físico e mental);

- Exercício físico insuficiente para energia do cão;

- Comportamento de busca de atenção reforçado pelos proprietários;

- Doenças: neurológicas, dermatológicas, metabólicas, infecciosas, degenerativas, parasitárias;

- Traumatismo de Cauda.

Se o seu cãozinho tem algum indicativo de distúrbios compulsivos procure ajuda de um Médico Veterinário que seja especializado em Comportamento Canino, que será o profissional que auxiliará no diagnóstico diferencial entre tantas causas possíveis, desde a patológica até a comportamental, e realizará o tratamento específico.

(Direitos autorais: O texto somente poderá ser reproduzido com a autorização do autor)