1 de agosto de 2011

Rolamento Alpha - Vídeo

Dando continuação ao artigo publicado anteriormente http://artigoscao.blogspot.com/2011/07/devo-fazer-o-rolamento-alpha-no-meu-cao.html sobre se deve-se ou não executar o rolamento alpha em um cão.

"O rolamento alpha ficou famoso como forma de limitar os cães, e é amplamente divulgado em um famoso programa de TV. Consiste em forçar o cão a ficar com o dorso no chão e consequentemente com a barriga para cima. A função disso seria a de deixar claro para o cachorro que você o domina num sistema rígido de hierarquia, e assim o animal lhe enxergaria como o dominante na relação."

Cheguei a esse vídeo por indicação de uma página no Facebook, http://goo.gl/LNxND, onde em Baltimore, E.U.A., aparentemente um policial "treinador" de cães, tenta de todas as formas executar o rolamento alpha em um cão como forma de punição e assim demonstrar sua "superioridade hierárquica" para o pobre do cachorro.


Para maiores informações sobre essa "técnica" extremamente desatualizada e violenta, por favor, leia esse outro artigo: http://artigoscao.blogspot.com/2011/07/devo-fazer-o-rolamento-alpha-no-meu-cao.html


Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

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31 de julho de 2011

Reflexão I

Trecho retirado do livro: Lições de uma cachorro livre-pensante - Ted Kerasote:


..." Nosso controle sobre entrar e sair, comer, sobre água, eliminação e lazer - reduzimos nossos os cachorros a um estado de rendição silenciosa, uma versão mais branda de síndrome de Estocolmo, que recebeu esse nome pelo assalto a banco em Normalmstorg de 1973, durante o qual dois ex-prisioneiros mantiveram quatro bancários reféns por cinco dias. As vítimas ficaram emocionalmente ligadas a seus captores, e subconsequentemente os defenderam depois de serem liberadas. Duas das mulheres chegaram a ficar noivas de dois dos ladrões.

Esse incidente provocou muita pesquisa social para descobrir se a reação dos reféns foi um acidente aleatório e inesperado ou um exemplo de condição social difusa. Esta última provou ser a hipótese certa, e as características de síndrome - um indivíduo poderoso forçando um preso à submissão, e até a demonstração de afeto. Foram identificadas em casos de crianças dependentes, de esposas que sofrem violência doméstica, prostitutas, prisioneiros de guerra e vítimas de sequestros de aviões.

Obviamente, a maioria dos tutores de cães não pretendem maltratar seus animais, pelo contrário. Se os 15 bilhões de doláres que americanos gastaram apenas com alimentos para cachorro em 2004 servem como indicação, a maior parte deles faz o melhor para proporcionar vidas felizes de saudáveis a seus animais. Todavia, é difícil não concordar que virtualmente todos os cachorros são presos. De fato, as atividades que apreciam - passear, ver outros cães, e explorar odores interessantes - são constantemente frustradas pelas exigências da civilização moderna e por métodos de treinamento desenvolvidos para criar o que os treinadores de cães, repetindo a palavra de muitos outros, chamam de: inversão de milhões de anos de evolução e propensão genética. Assim, a lealdade que as pessoas recebem dos seus cães é verdadeira ou é entorpecida de presos aos seus captores?..."

Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

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25 de julho de 2011

Devo fazer o "rolamento alpha" no meu cão? Não!


Por Dr. Paulo Fernando Deslandes:

O rolamento alpha ficou famoso como forma de limitar os cães, e é amplamente divulgado em um programa de TV. Consiste em forçar o cão a ficar com o dorso no chão e consequentemente com a barriga para cima. A função disso seria a de deixar claro para o cachorro que você o domina num sistema rígido de hierarquia, e assim o animal lhe enxergaria como o dominante na relação. Há indicações que lobos selvagens fariam isso nas alcateias para deixar claro aos submissos que o mesmo é o dominante, mas hoje em dia há bastante controvérsia em relação a isso, principalmente se tratando de cães. A teoria da dominância está desatualizada, e em breve trataremos desse assunto nesse blog.

Se você não consegue executar o “rolamento alpha“ no seu cão, não se preocupe, pois não tem utilidade alguma no relacionamento cão e humano. Se você tem um cachorro e acha que ganharia “respeito” e reconhecimento por ser o dominante na relação executando o rolamento alpha, estudos atuais demonstram que a consequência disso seria desconfiança e medo por parte do cão. 

Na grande maioria dos casos, no dia a dia, as pessoas influenciadas na sua maioria pela mídia, pensam que forçando o cão a se deitar no chão, rolamento alfa, é o procedimento adequado após o animal apresentar agressividade e dessa maneira colocar o cachorro “no seu devido lugar”. 

Quando o cão é agressivo, de início normalmente avisa rosnando. E isso quer dizer que ele está desconfiado e desconfortável com alguma situação, quando o tutor entra com algum tipo de punição física nesse momento as suspeitas do cão são confirmadas e a desconfiança se torna maior ainda. 

Quando você “luta” com seu cão para executar o rolamento alpha existem caminhos que esse processo pode levar. O primeiro é que realmente você é mais forte que seu cão e ele vai desistir de lutar, mas com desconfiança, medo e ressentimentos. E o outro caminho é o cão recuar e ficar na defensiva entrando num estado de “matar ou morrer” e aí as pessoas podem se machucar seriamente.

Ambos os caminhos resultam em cenários de um cão com problemas de confiança. E como todos nós devemos saber, a confiança é a base de todo relacionamento saudável. 

Quando um cão rosnar se mostrando agressivo é melhor prestar atenção à advertência e recuar. Encontre uma distração para acalmar os ânimos e com segurança colocar o cão em um lugar seguro. Em seguida analise a situação com calma para saber com exatidão o que realmente aconteceu. 

Procure o porquê que o seu cão se sentiu ameaçado com sua presença, para que depois possa trabalhar de forma segura e evitar que o animal se sinta ameaçado novamente. Na grande maioria das vezes a agressividade está ligada a objetos ou locais. E tudo isso poderia ser evitado com um treinamento baseado em reforço positivo feito anteriormente. 

Sempre bom lembrar que violência gera mais violência.

Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

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9 de julho de 2011

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28 de junho de 2011

Cães e seus 5 sentidos

Por Dr. Paulo Fernando Deslandes

Nós, seres humanos, somos animais desprovidos de sentidos tão aguçados se comparando com outros animais. E isso nos limita a compreender, e até mesmo estudar, sentidos mais desenvolvidos e tão incompreendidos até os dias de hoje. Os sentidos caninos são os mesmos que os nossos, ou seja, eles são dotados de visão, paladar, olfato, audição e o tato. No entanto, a percepção dos cães nas diferentes funções de seus sentidos, não se assemelha aos dos seres humanos. O desenvolvimento dos sentidos destes animais está diretamente relacionado às suas heranças ancestrais. Vamos conhecer detalhadamente cada um deles?


Visão: essencialmente predatória

Por mais incrível que possa parecer, a visão no cão não é necessariamente tão importante quanto ela é para nós, pois nos cães elas suprem necessidades relativas à predação. No entanto, a visão noturna dos cães é muito melhor que a nossa. Isto acontece, pois suas células da retina têm a capacidade de concentrar mais informações luminosas que as nossas. A ótima visão crepuscular dos cães, representa uma adaptação do animal à caçada noturna, um dos hábitos herdados por seus ancestrais. 

Os cães também possuem menor capacidade de focalizar do que homem, o que indica uma tendência a terem hipermetropia, mas não interferem em nada na sua função principal que é de perceber presas em movimento. Além disso, cães têm a habilidade de perceber muito bem os movimentos à distância, embora distingam mal objetos fixos distantes, fenômeno que também se caracteriza a uma adaptação a caça a olho nu. 

Ao contrário do que muitos tutores pensam, a maioria dos cães não conseguem assistir televisão. Mesmo que o som e algum reconhecimento de formas por sua visão deficiente, se comparada ao ponto de vista humano, possam atraí-los de alguma forma. Estudos indicam que as oscilações de luz geradas pela televisão são demasiadamente lentas para se manter uma imagem completa para um cão. Já quando o assunto é a capacidade do cão em enxergar cores, existem trabalhos que apontam esta possibilidade, mas sua função no dia a dia ainda é assunto de debate. Confira artigo de outro especialista sobre o tema a seguir. 

Como sabemos, existem diferenças de visão entre as raças. O motivo? O ângulo de visão de um cão é adaptado em função ao trabalho que foi, supostamente, proporcionado ao animal. Por exemplo, cães de rebanho, como, por exemplo, o border collie, o old english sheepdog, o pastor de sheatland e, claro, o pastor alemão, precisam de um campo de visão largo. Já os cães de caça, como os sabujos, terriers e os hounds, por exemplo, são dotados de um campo de visão binocular restrito e direcionado. Sendo assim, seus olhos se posicionam na parte anterior da cabeça.


Paladar: sentido olfativo

Já no sentido da gustação nos cães, há evidências que seja semelhante ao nosso. No entanto, há indícios que a palatabilidade seja bem diferente. Na verdade os cães antes de provar eles cheiram primeiro, e muito, e isso sim é importante para avaliar o alimento numa visão canina. Ou seja, o paladar dos cães está diretamente ligado à olfação. O “gosto” dos cães se dá pelas papilas gustativas presentes nas mucosas da língua, do palato e da faringe. Se comparados aos nossos “captadores de sabor”, a capacidade do cão em sentir o gosto de um alimento é doze vezes menor que a nossa. Como as senção gustativas dos cães são bem enfraquecidas, ele pode consumir o mesmo alimento todos os dias, isto é, se tiver vontade. Cabe ao dono habituar seu animal com o mesmo tipo de alimentação, bem como impedir que ingira alimentos estragados ou substâncias que podem prejudicar sua saúde.


Olfato: o sentido número 1

Agora o olfato... este sim é primordial para os cães. E a compreensão desse sentido para nós tem sido bastante difícil, já que nossas capacidades olfativas são deploráveis em relação às deles. Esse sentido é tão desenvolvido que nos tem auxiliado a bastante tempo. Cães são treinados para rastreio, detecção de drogas, localizações de vítimas soterradas, etc. A capacidade destes animais em identificar pessoas, em média, tem uma precisão de aproximadamente 75% de acerto. Esta “eficácia farejadora” dos cães se explica facilmente se compararmos com a nossa quantidade de células olfativas, cerca de 5 milhões, com a de um cão da raça basset hound, por exemplo, em que encontramos cerca de 125 milhões de células olfativas ou num pastor alemão que possui cerca de 200 milhões, ou seja, 40 vezes mais que no ser humano. Além disso, a superfície do receptor olfativo (ou células olfativas) que nos cães mede, em geral, 150cm², no homem esta superfície cai para 3cm². Claro que cada raça possui diferenças anatômicas que lhes conferem maior ou menor capacidade olfativa. Outra curiosidade é que cães farejadores, possuem as orelhas ‘ caídas’, como os beagle, por exemplo. Esta característica auxilia o cão no maior desenvolvimento do olfato, já que as orelhas impedem que o cão se concentre mais no farejar e não seja tão influenciado por outros ruídos. 

Assim, este sentido é importante tanto na caça, quanto para a comunicação interespecífica, o reconhecimento de algo e para indicar suas preferências alimentares, pois o cheirinho do alimento não agradar...com certeza ele não comerá!


Audição: alta sensibilidade

Amigos caninos ouvem sons quatro vezes mais distantes do que nós, além de ouvirem ultra-sons de até 60 KHz (quilohertz), inaudíveis para os homens, pois só escutamos até 20 KHz. Ao contrário da visão, a audição do cão é muito desenvolvida, fazendo com que perceba vibrações sonoras de altíssima frequência, que nosso ouvido humano não capta, além de ter a capacidade de diferenciar sons diversos, como por exemplo, identificar o ruído do automóvel do seu tutor entre outros veículos semelhantes. 

Caçadores que trazem cães em sua investida, possuem apitos especiais que emitem ultra-sons em que só os cães ouvem. Assim, conseguem trazê-los de volta sem assustar a caça com o som da voz humana. O cão também é capaz de discernir e reconhecer facilmente a voz e as palavras pronunciadas por seu dono, mesmo que leve em conta gestos e o seu tom de voz. Assim, quando chamar seu cão e ele não vier, significa que, ou está com problema de audição, ou o danado percebeu que seu tom de voz não está dos melhores e prefere nem aparecer!

Tato e sensibilidade: importância dos “bigodes”

O tato é primeiro sentido usado pelo cão ao nascer, junto com o olfato. Ele o coloca em relação com o mundo logo após o nascimento, já que os filhotes, ainda com os olhinhos fechados, se guiam através de sensações táteis até os mamilos da mãe. Aliás, o desenvolvimento do tato nesta fase da vida do cão é importante para protegê-lo, pois o contato físico de sua mãe proporciona um efeito tranquilizador para o filhote. 

O tato também é responsável pela sensibilidade do cão e sua orientação que se dá, principalmente, através de suas vibrícias, vulgarmente conhecidas como bigodes, que funcionam como um “radar”, principalmente quando se encontram em locais confinados e de baixa luminosidade, pois agem como orientadores espaciais para o cão. São seus bigodes que detectam os estímulos externos, informando o cão o que se passa nas imediações onde ele se encontra. 

Já as sensações térmicas, tácteis e dolorosas percebidas pela pele, são possíveis graças às terminações nervosas, distribuídas de forma irregular por todo o corpo, e que se formam como uma rede densa ligada à medula espinhal e ao cérebro do animal. Nos cães, as sensações de frio são mais intensas que as de calor e o animal reage de forma diferente para cada sensação. Como a pelagem é uma forma de regular sua temperatura, cuidado para não tosar seu animal durante o inverno, ele precisa desta proteção. 

Na base dos pelos, os cães apresentam o mesmo tipo de rede nervosa. No entanto, nem todos os pelos possuem a mesma sensibilidade. Ou seja, as vibrícias, os pelos longos do focinho, dos supercílios e do queixo, por exemplo, são regiões bem sensíveis, pois possuem terminações nervosas. 


Sexto sentido: ele existe?

Muitos donos de pet se questionam sobre a presença de uma sensibilidade a mais nos animais, o famoso sexto sentido. Uns acreditam que o animal sente a presença do sobrenatural ou percebe quando estamos passando por uma fase difícil, tudo atrelado ao mito do sexto sentido. E os “causos” deste tipo de experiência são incontáveis! Mesmo que este assunto ainda seja delicado e contraditório entre pesquisadores e amantes dos animais, alguns destes mistérios não são tão misteriosos assim. Mas isto já é papo para outro artigo! Aguardem as próximas edições.

Artigo publicado nas revista: Pequenos Cães - Grandes Amigos - edição 36 - jun/jul


Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino