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9 de julho de 2011

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28 de junho de 2011

Cães e seus 5 sentidos

Por Dr. Paulo Fernando Deslandes

Nós, seres humanos, somos animais desprovidos de sentidos tão aguçados se comparando com outros animais. E isso nos limita a compreender, e até mesmo estudar, sentidos mais desenvolvidos e tão incompreendidos até os dias de hoje. Os sentidos caninos são os mesmos que os nossos, ou seja, eles são dotados de visão, paladar, olfato, audição e o tato. No entanto, a percepção dos cães nas diferentes funções de seus sentidos, não se assemelha aos dos seres humanos. O desenvolvimento dos sentidos destes animais está diretamente relacionado às suas heranças ancestrais. Vamos conhecer detalhadamente cada um deles?


Visão: essencialmente predatória

Por mais incrível que possa parecer, a visão no cão não é necessariamente tão importante quanto ela é para nós, pois nos cães elas suprem necessidades relativas à predação. No entanto, a visão noturna dos cães é muito melhor que a nossa. Isto acontece, pois suas células da retina têm a capacidade de concentrar mais informações luminosas que as nossas. A ótima visão crepuscular dos cães, representa uma adaptação do animal à caçada noturna, um dos hábitos herdados por seus ancestrais. 

Os cães também possuem menor capacidade de focalizar do que homem, o que indica uma tendência a terem hipermetropia, mas não interferem em nada na sua função principal que é de perceber presas em movimento. Além disso, cães têm a habilidade de perceber muito bem os movimentos à distância, embora distingam mal objetos fixos distantes, fenômeno que também se caracteriza a uma adaptação a caça a olho nu. 

Ao contrário do que muitos tutores pensam, a maioria dos cães não conseguem assistir televisão. Mesmo que o som e algum reconhecimento de formas por sua visão deficiente, se comparada ao ponto de vista humano, possam atraí-los de alguma forma. Estudos indicam que as oscilações de luz geradas pela televisão são demasiadamente lentas para se manter uma imagem completa para um cão. Já quando o assunto é a capacidade do cão em enxergar cores, existem trabalhos que apontam esta possibilidade, mas sua função no dia a dia ainda é assunto de debate. Confira artigo de outro especialista sobre o tema a seguir. 

Como sabemos, existem diferenças de visão entre as raças. O motivo? O ângulo de visão de um cão é adaptado em função ao trabalho que foi, supostamente, proporcionado ao animal. Por exemplo, cães de rebanho, como, por exemplo, o border collie, o old english sheepdog, o pastor de sheatland e, claro, o pastor alemão, precisam de um campo de visão largo. Já os cães de caça, como os sabujos, terriers e os hounds, por exemplo, são dotados de um campo de visão binocular restrito e direcionado. Sendo assim, seus olhos se posicionam na parte anterior da cabeça.


Paladar: sentido olfativo

Já no sentido da gustação nos cães, há evidências que seja semelhante ao nosso. No entanto, há indícios que a palatabilidade seja bem diferente. Na verdade os cães antes de provar eles cheiram primeiro, e muito, e isso sim é importante para avaliar o alimento numa visão canina. Ou seja, o paladar dos cães está diretamente ligado à olfação. O “gosto” dos cães se dá pelas papilas gustativas presentes nas mucosas da língua, do palato e da faringe. Se comparados aos nossos “captadores de sabor”, a capacidade do cão em sentir o gosto de um alimento é doze vezes menor que a nossa. Como as senção gustativas dos cães são bem enfraquecidas, ele pode consumir o mesmo alimento todos os dias, isto é, se tiver vontade. Cabe ao dono habituar seu animal com o mesmo tipo de alimentação, bem como impedir que ingira alimentos estragados ou substâncias que podem prejudicar sua saúde.


Olfato: o sentido número 1

Agora o olfato... este sim é primordial para os cães. E a compreensão desse sentido para nós tem sido bastante difícil, já que nossas capacidades olfativas são deploráveis em relação às deles. Esse sentido é tão desenvolvido que nos tem auxiliado a bastante tempo. Cães são treinados para rastreio, detecção de drogas, localizações de vítimas soterradas, etc. A capacidade destes animais em identificar pessoas, em média, tem uma precisão de aproximadamente 75% de acerto. Esta “eficácia farejadora” dos cães se explica facilmente se compararmos com a nossa quantidade de células olfativas, cerca de 5 milhões, com a de um cão da raça basset hound, por exemplo, em que encontramos cerca de 125 milhões de células olfativas ou num pastor alemão que possui cerca de 200 milhões, ou seja, 40 vezes mais que no ser humano. Além disso, a superfície do receptor olfativo (ou células olfativas) que nos cães mede, em geral, 150cm², no homem esta superfície cai para 3cm². Claro que cada raça possui diferenças anatômicas que lhes conferem maior ou menor capacidade olfativa. Outra curiosidade é que cães farejadores, possuem as orelhas ‘ caídas’, como os beagle, por exemplo. Esta característica auxilia o cão no maior desenvolvimento do olfato, já que as orelhas impedem que o cão se concentre mais no farejar e não seja tão influenciado por outros ruídos. 

Assim, este sentido é importante tanto na caça, quanto para a comunicação interespecífica, o reconhecimento de algo e para indicar suas preferências alimentares, pois o cheirinho do alimento não agradar...com certeza ele não comerá!


Audição: alta sensibilidade

Amigos caninos ouvem sons quatro vezes mais distantes do que nós, além de ouvirem ultra-sons de até 60 KHz (quilohertz), inaudíveis para os homens, pois só escutamos até 20 KHz. Ao contrário da visão, a audição do cão é muito desenvolvida, fazendo com que perceba vibrações sonoras de altíssima frequência, que nosso ouvido humano não capta, além de ter a capacidade de diferenciar sons diversos, como por exemplo, identificar o ruído do automóvel do seu tutor entre outros veículos semelhantes. 

Caçadores que trazem cães em sua investida, possuem apitos especiais que emitem ultra-sons em que só os cães ouvem. Assim, conseguem trazê-los de volta sem assustar a caça com o som da voz humana. O cão também é capaz de discernir e reconhecer facilmente a voz e as palavras pronunciadas por seu dono, mesmo que leve em conta gestos e o seu tom de voz. Assim, quando chamar seu cão e ele não vier, significa que, ou está com problema de audição, ou o danado percebeu que seu tom de voz não está dos melhores e prefere nem aparecer!

Tato e sensibilidade: importância dos “bigodes”

O tato é primeiro sentido usado pelo cão ao nascer, junto com o olfato. Ele o coloca em relação com o mundo logo após o nascimento, já que os filhotes, ainda com os olhinhos fechados, se guiam através de sensações táteis até os mamilos da mãe. Aliás, o desenvolvimento do tato nesta fase da vida do cão é importante para protegê-lo, pois o contato físico de sua mãe proporciona um efeito tranquilizador para o filhote. 

O tato também é responsável pela sensibilidade do cão e sua orientação que se dá, principalmente, através de suas vibrícias, vulgarmente conhecidas como bigodes, que funcionam como um “radar”, principalmente quando se encontram em locais confinados e de baixa luminosidade, pois agem como orientadores espaciais para o cão. São seus bigodes que detectam os estímulos externos, informando o cão o que se passa nas imediações onde ele se encontra. 

Já as sensações térmicas, tácteis e dolorosas percebidas pela pele, são possíveis graças às terminações nervosas, distribuídas de forma irregular por todo o corpo, e que se formam como uma rede densa ligada à medula espinhal e ao cérebro do animal. Nos cães, as sensações de frio são mais intensas que as de calor e o animal reage de forma diferente para cada sensação. Como a pelagem é uma forma de regular sua temperatura, cuidado para não tosar seu animal durante o inverno, ele precisa desta proteção. 

Na base dos pelos, os cães apresentam o mesmo tipo de rede nervosa. No entanto, nem todos os pelos possuem a mesma sensibilidade. Ou seja, as vibrícias, os pelos longos do focinho, dos supercílios e do queixo, por exemplo, são regiões bem sensíveis, pois possuem terminações nervosas. 


Sexto sentido: ele existe?

Muitos donos de pet se questionam sobre a presença de uma sensibilidade a mais nos animais, o famoso sexto sentido. Uns acreditam que o animal sente a presença do sobrenatural ou percebe quando estamos passando por uma fase difícil, tudo atrelado ao mito do sexto sentido. E os “causos” deste tipo de experiência são incontáveis! Mesmo que este assunto ainda seja delicado e contraditório entre pesquisadores e amantes dos animais, alguns destes mistérios não são tão misteriosos assim. Mas isto já é papo para outro artigo! Aguardem as próximas edições.

Artigo publicado nas revista: Pequenos Cães - Grandes Amigos - edição 36 - jun/jul


Dr. Paulo F. de O. Deslandes
Etologia Clínica - Médico Veterinário especializado em Comportamento Canino e Felino

20 de março de 2011

Cães que comeram os dedos de seus tutores: altruístas, ou simplesmente com fome?

Em agosto de 2010, um Jack Russell Terrier em Michigan, se destacou na imprensa norte americana por mastigar e comer um dos dedos do pé de seu tutor que encontrava-se desmaiado e bêbado. No hospital, na manhã seguinte, os médicos descobriram que o homem tinha diabetes, seu dedo estava completamente necrosado, e o ato de Kiko pode ter salvado a vida do seu tutor.

Uma história estranha na verdade, mas não tão estranha para que se repita. Semanas atrás em 2 de março, um homem de Oregon, E.U.A., também diabético, teve seu dedo mastigado por seu cão.  Os dedos estavam dormentes e com gangrena - desta vez, três deles - enquanto ele dormia. De acordo com Lee Bartolomeu, responsável pelo controle animal local, o cão estava "agindo em seu instinto para ajudar a remover o dedo com problemas."

Mas os cães realmente têm um instinto que lhes diz para amputar a carne necrosada ​​e prejudiciais de seus tutores? Ou, pelo contrário, são apenas oportunistas esperando pelo dia em que seu corpo e membros fiquem dormentes para que eles possam devorá-los como um petisco na calada da noite? Mais de 77 milhões de cães são mantidos como animais de estimação nos E.U.A., com certeza essa é uma questão para se perguntar.

"Eu tive um interesse por esse assunto há muito tempo", Nicholas Dodman, um importante veterinário comportamentalista e professor da Cummings School of Veterinary Medicine na Tufts University, falou com a Life's Little Mysteries.  Dodman tem cinco livros publicados sobre  comportamento de cães e gatos, incluindo o best-seller “If Only They Could Speak” (W.W. Norton & Co. 2002 "(Se eles pudessem falar).

"Às vezes, os cães parecem ser altruístas, mas é uma tarefa difícil de se provar . O fato principal é que a necrose dos dedos, provavelmente, tinha um cheiro atraente para o cão que naturalmente se alimenta de carne morta ", disse Dodman . Eu não acho que foi altruísta. O cão não sabia que estava necrosando e tentou ajudar o proprietário. Era só cheirar e comer. Um cão possui um sentido de olfato absolutamente extraordinário", disse Dodman. "Segundo alguns artigos os cães têm um bilhão de células olfativas no focinho , em comparação com os nossos 12 milhões. Cães sabujos têm ainda mais, e pode até mesmo sentir a diferença entre odores de gêmeos idênticos. Eles certamente sentem o cheiro quando há algo estranho, como um dedo necrosado ou um tumor. Este cão mastigou algo que cheirava diferente, mas afinal era a carne.”

"Não houve reação durante o ato, já que a pessoa estava praticamente em coma", acrescentou Dodman.  “Então, o cachorro continuou mastigando e comendo. Os cães não estavam se comportando mal de propósito na verdade, um estudo recente mostrou que os cães provavelmente não entendem o mau comportamento como um conceito separado de punição. Os cães nesse caso estavam comendo e não estavam sendo punidos, não estavam se sentindo culpados. Eles só estavam com fome”.

"Se alguém com um animal de estimação morre em sua casa, há uma chance razoável de que o cão irá comer parte dessa pessoa", disse Dodman.

Fonte: www.livescience.com

28 de março de 2009

Estética castiga cães de pedigree com doença genética

Na Grã-Bretanha, cães de raça pura, os chamados cães de pedigree, estão sofrendo de doenças genéticas em conseqüência de anos de cruzamentos, mostrou um documentário da BBC.

Segundo o programa Pedigree Dogs Exposed (algo como 'Cães de pedigree expostos', na tradução livre), as doenças refletem a cultura de priorizar a aparência dos animais usados em shows em detrimento da sua saúde. O documentário exibiu cavaliers King Charles spaniel com cérebros maiores que os crânios, boxers portadores de epilepsia e uma fêmea buldogue que não podia dar à luz sem assistência. Mesmo com saúde debilitada, os cães são autorizados a participar de competições. Além disso, o Kennel Club do país aceita registrar animais nascidos de cruzamentos entre mãe e filho ou irmãos e irmãs. A prática é comum como forma de manter o padrão estético apreciado como "puro" no meio. Três em cada quatro dos 7 milhões de cães que vivem na Grã-Bretanha têm pedigree, gerando para seus donos um custo anual de cerca de 10 milhões de libras esterlinas (mais de R$ 31 milhões) só com veterinário.

Preço terrível

Uma pesquisa recente realizada pelo Imperial College de Londres mostrou que os cruzamentos entre cães com parentesco próximos são tão comuns em pugs que os cerca de 10 mil animais registrados na Grã-Bretanha vêm de uma linhagem de apenas 50 indivíduos distintos. "As pessoas estão realizando cruzamentos que seriam, em primeiro lugar, totalmente ilegais em seres humanos", disse o professor de genética do University College of London Steve Jones. "Isto é absolutamente insano do ponto de vista da saúde dos animais. Algumas raças estão pagando um preço terrível em termos de doenças genéticas." Entrevistado pelo programa, o veterinário Mark Evans, da organização pelos direitos dos animais RSPCA, culpou o sistema de registro e as regras de aparência que determinam a lógica no mundo canino. "O bem-estar e a qualidade de vida de muitos cães de pedigree estão seriamente comprometidos pelas práticas estabelecidas em função da aparência, guiadas primariamente pelas regras e requerimentos do registro e das competições", afirmou. Cão de raça vencedor de concurso de beleza Exagero de padrão de concursos de beleza traz riscos para animais Entretanto, uma porta-voz do Kennel Club britânico disse que a entidade está trabalhando "incansavelmente" para melhorar a saúde dos cães de raça. "Qualquer cão pode participar de exposições, cabe ao juiz decidir se ele corresponde aos padrões da raça", disse Caroline Kisko. "Quando as características se tornam exageradas, ocorrem os problemas de saúde. Isto é algo que o Kennel Club não estimula. Ao contrário, ativamente educa as pessoas através de campanhas, incluindo os juízes, contra esse tipo de prática."

Fonte: http://www.bbc.com.uk


(minha opinião)

Não é a toa que nossos amigos denominados "vira-latas" são os cães mais resistentes e menos problemáticos. Melhor ainda quando é a natureza que se encarrega de reproduzi-los, e não o homem brincando de Deus. Cruzamentos entre parentes próximos não é um tabu por questão de religião, e sim por questão de saúde. Anomalias genéticas são reforçadas quando há proximidade genética. E nossos amigos cães, principalmente, sofrem com isso. Pois ao se apurar as raças de hoje em dia houveram cruzas inúmeras entres parentes, e ainda há essa prática, não só como forma de apurar a raça, mas também como forma de ganhar dinheiro com o maior número de cãezinhos possíveis. Independente da saúde deles, que está longe da lista de prioridades quando se fala em capital. Essa é a realidade de muitos criadores de cães por aí.